“Governo não tem tido muita pressa em fechar dossiers negociais do OE”, diz Catarina Martins

A coordenadora do Bloco de Esquerda assegura que o partido "tem toda a paciência para ir negociando", mas sublinha que quer "chegar a soluções".

Catarina Martins acusa o Governo de não ter “muita pressa em fechar dossiers negociais do Orçamento do Estado (OE)”. A coordenadora do Bloco de Esquerda reitera que o partido “tem toda a paciência para ir negociando”, mas diz que quer “chegar a soluções”. Isto no dia em que apresenta um pacote de oito medidas para o OE centradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Existe uma “divergência” na forma como as partes veem o SNS, aponta a bloquista, em conferência de imprensa. “Tememos que a urgência do Governo em anunciar investimentos de milhões e a resistência a discutir regras do SNS e carreiras dos profissionais possa levar a um caminho perigoso em que há milhões de investimentos parados porque não há condições”, de funcionar, diz.

A bloquista explica que neste momento “não se discute problema do peso financeiro”, com o Governo a anunciar “investimentos avultados”, sendo que o problema está mesmo “nas regras e profissionais”.

A exclusividade dos profissionais de saúde no SNS é assim uma das propostas do Bloco para o OE apresentadas esta quinta-feira. O pacote de medidas anunciado pelo partido contempla três objetivos: “fixar profissionais no SNS, diminuir utentes sem médico de família e recuperar cuidados não-Covid nos centros de saúde”, segundo explicou Catarina Martins.

A coordenadora do Bloco de Esquerda aponta que o início do caminho para a exclusividade dos profissionais “estava previsto na Lei de Bases de Saúde e o Governo não cumpriu”. A bloquista sublinha também que “sem Covid já se sabia que faltavam profissionais no SNS”, e, agora, “o que se verifica é que não basta abrir concursos, porque ficam vazios”. Para o Bloco, “é preciso mexer nas condições efetivas de trabalho e carreira dos profissionais do SNS”, para fixar os profissionais.

Entre as outras medidas do pacote apresentado pelo Bloco encontra-se o aumento do número de vagas em medicina geral e familiar, bem como “captar os médicos que não puderam obter a especialidade por falta de vagas”. Isto numa altura em que há mais de um milhão de utentes sem médico de família, sublinha.

Criar mais unidades de saúde familiar (USF) é outra proposta do Bloco, com a coordenadora a acusar o Ministério das Finanças de “travar a criação de USF e passagem de tipo A para tipo B. “A poupança de curto prazo de não permitir USF em todo país é um gasto financeiro enorme”, reitera. Para além disso, quer também redimensionar os agrupamentos de centros de saúde, que “devem ter um máximo de 100 mil utentes por cada um”.

A lista contempla ainda o reforço das unidades de saúde pública, “prevenir e tratar ansiedade e depressão”, ao criar gabinetes nos centros de saúde, e ainda “criar um verdadeiro estatuto de risco e penosidade”.

(Notícia atualizada às 12h35)

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