Novos certificados pagam taxa média de 1% e bónus a partir do terceiro ano

Os novos Certificados do Tesouro Poupança Valor oferecem uma remuneração média de 1% em sete anos, abaixo dos 1,35% dos anteriores certificados. Prémio de 20% do PIB é pago a partir do terceiro ano.

Os Certificados do Tesouro Poupança Valor (CTPV) que o Governo acaba de lançar vão oferecer uma taxa média bruta de 1% ao longo dos sete anos de maturidade, abaixo da remuneração média de 1,35% anteriores certificados, de acordo com a resolução do Conselho de Ministros publicada na sexta-feira à noite em Diário da República.

Além disso, os novos certificados passam a dar direito a um prémio de 20% do crescimento da economia – limitado ao máximo de 1,5% — a partir do terceiro ano, enquanto os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), que são agora suspensos, dão um bónus de 40% do PIB a partir do segundo ano (com máximo de 1,2%).

O Governo explica este corte na remuneração deste produto de poupança do Estado com as atuais condições do mercado. A decisão surge num contexto em que se prevê que os juros vão continuar em mínimos históricos durante mais tempo do que o esperado, sobretudo por causa da intervenção mais prolongada do Banco Central Europeu (BCE) para conter os efeitos da pandemia e relançar a economia da Zona Euro. No mercado de dívida, o Estado consegue financiar-se com taxas negativas mesmo em prazos mais alargados, como a nove anos.

Taxa em crescendo e prémio limitado a 1,5%

O novo Certificado do Tesouro apresenta uma taxa de juro de 0,7% nos dois primeiros anos. A taxa sobe para 0,8% no terceiro ano, ano a partir do qual a taxa é acrescida de um prémio 20% do crescimento médio real do Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado, informação esta que é disponibilizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a cada trimestre.

“O prémio apenas tem lugar no caso de o crescimento médio real do PIB ser positivo e fica limitado a um máximo de 1,50 % em cada ano”, esclarece ainda o Governo. Por outro lado, o prémio não é corrigido retroativamente em resultado de revisões posteriores das estimativas do PIB publicadas pelo INE.

A taxa cresce nos anos seguintes até atingir os 1,6% no sétimo e último ano de maturidade dos CTPV.

Fonte: Governo

Tal como os CTPC, o montante mínimo de subscrição são mil euros, sendo que cada unidade deste produto custa um euro. Um aforrador não pode aplicar mais de um milhão de euros nos certificados, tal como acontecia com os anteriores certificados.

O novo produto está ao dispor dos interessados a partir desta segunda-feira, podendo as subscrições serem feitas através dos canais habituais, AforroNet, CTT (Postos de Atendimento On-line) e Espaços Cidadão (Espaços Cidadão On-line).

Certificados populares

A última vez em que o Governo mexeu nos certificados foi em 2017, quando decidiu acabar com os Certificados do Tesouro Poupança Mais – que ofereciam uma taxa média de 2,25% em cinco anos — para lançar estes certificados que agora se extinguem e, na altura, também cortou as taxas.

Apesar de os certificados darem uma remuneração cada vez mais pequena, continuam a ser um produto de poupança bastante popular junto das famílias, tendo em conta as alternativas de poupança e investimento disponíveis no mercado.

O investimento nos Certificados do Tesouro atingiu em julho um valor recorde de 17,7 mil milhões de euros, engordando 2,8 mil milhões desde que os CTPC foram lançados, e há muito que deixaram para trás os tradicionais certificados de aforro.

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