Empresários portugueses esperam manter relação comercial com Alemanha pós-Merkel

  • Lusa
  • 13 Setembro 2021

Existe incerteza em torno da sucessão de Merkel, mas empresários estão confiantes de que não existirá uma "alteração no ambiente de negócios com Portugal”.

As empresas portuguesas não anteveem mudanças nas relações comerciais entre a Alemanha e Portugal, apesar da incerteza em torno da sucessão da “grande” e “carismática líder” Ângela Merkel, e realçam a relevância “de manter o importante relacionamento económico bilateral”.

“Não antevejo qualquer alteração no ambiente de negócios com Portugal”, disse à agência Lusa o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), enquanto o líder da Associação Empresarial de Portugal (AEP) sublinhou “a importância de, independentemente dos resultados eleitorais, se manter o importante relacionamento económico bilateral, quer em termos comerciais, quer de investimento”.

“Não podemos esquecer que a Alemanha é uma das maiores economias e um dos principais exportadores e importadores mundiais, pelo que o seu âmbito de intervenção tem um impacto também global”, sustentou o presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro.

Salientando que a Alemanha se destaca como “o maior mercado e é também um dos principais parceiros de Portugal” na União Europeia – é o terceiro cliente nas exportações portuguesas de bens, com uma quota em torno de 12%, e o segundo principal fornecedor, com um peso de cerca de 13% – o dirigente associativo notou que, “em ambos os fluxos, há uma elevada concentração em bens industriais, nomeadamente máquinas e equipamento e material de transporte, ou seja, produtos com elevado grau tecnológico e valor acrescentado”.

Adicionalmente, sustenta, “a Alemanha é também um importante país de origem do investimento direto estrangeiro em Portugal”.

“Tudo isto significa que é um mercado que potencia uma estratégia de reindustrialização que a AEP defende para Portugal e que poderá contribuir para a redução do nosso défice crónico estrutural da balança comercial”, considera Luís Miguel Ribeiro, acrescentando: “É este o foco que devemos continuar a ter no período pós-eleitoral”.

Já o presidente da CIP, António Saraiva, reconhece que “a incerteza sobre os resultados das eleições de 26 de setembro e a solução governativa que se seguirá torna difícil especular sobre qual será a posição da Alemanha sobre importantes desenvolvimentos que marcarão o futuro próximo da União Europeia”.

Como exemplos, aponta a reforma da governação económica, a política industrial e de concorrência, a implementação do Pacto Ecológico Europeu e a estratégia comercial face aos novos equilíbrios geoeconómicos mundiais. “Em particular, pergunto-me se a Alemanha dará novos passos na flexibilização dos seus tradicionais princípios de ortodoxia económica, tanto na sua política interna como nas posições que defende na ordem europeia”, questiona.

Para a CIP, “todos estes desenvolvimentos serão decisivos para o futuro das empresas europeias, para a coesão e dinamismo do mercado único, para o posicionamento da economia europeia na economia global”.

À Lusa, António Saraiva descreve a chanceler alemã como uma pessoa “firme nos seus princípios e convicções, capaz de tomar decisões difíceis e impopulares”, mas que “revelou igualmente grande capacidade de fazer pontes e estabelecer consensos com grande pragmatismo”.

“A chanceler Angela Merkel marcou profundamente o destino da Alemanha e da Europa nos últimos 16 anos”, considera o líder da CIP, para quem “as características da líder carismática da maior potência europeia foram fundamentais para manter a unidade da Europa ao longo de um período marcado por diversas crises”, desde a gestão da crise das dívidas soberanas, à crise migratória e à resposta europeia à pandemia e ao seu impacto económico.

O presidente da AEP destaca também a “enorme capacidade de liderança” de Angela Merkel, “reconhecida a nível europeu e mundial”, entendendo que “demonstrou ser uma grande líder europeia e vai, certamente, ser uma referência na história económica contemporânea”.

“A saída de uma figura política com este perfil não será seguramente indiferente. De qualquer modo, a Alemanha será sempre uma grande potência e uma grande locomotiva a nível mundial, europeu e nacional, como tem demonstrado ser até aqui”, considera.

Para António Saraiva, a “principal questão” que se coloca com a saída de Angela Merkel da cena política é mesmo “se a futura liderança da Alemanha terá a mesma visão que expressou, quando apresentou, com o Presidente francês, o plano de recuperação para a Europa: ‘A resposta é que a Europa precisa agir junta. O Estado nação por si só não tem futuro […]. A Alemanha só ficará bem se a Europa ficar bem’”.

As eleições de 26 de setembro próximo porão fim à chamada “era Merkel”, após 16 anos de liderança conservadora da CDU de Ângela Merkel. Além das eleições que decidem o novo chefe de Governo alemão, estão também marcadas votações regionais para os Estados de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim.

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