Vendas e escala são barreiras para as fintech no acesso a investidores

Relatório descreve a abordagem aos investidores e aponta dificuldades no ciclo de vendas e na busca pelo talento. Veja o top 30 das fintech portuguesas, que já angariaram 437 milhões de euros.

Quase metade das fintech portuguesas demora mais de meio ano para angariar capital, sendo as métricas das vendas (48%) e a capacidade para escalar o negócio (28%) os obstáculos mais referidos na abordagem aos investidores.

Por outro lado, como características positivas das empresas nacionais que desenvolvem tecnologia para o setor financeiro, os investidores apontam a capacidade de executar (33%), o talento (24%), a resolução de problemas (21%) e o mercado (19%).

Estes dados resultam de um inquérito realizado às 30 fintech portuguesas que mais se destacam no panorama nacional e internacional, tendo já angariado mais de 437 milhões de euros de investimento. Os mais atrativos são os segmentos da cibersegurança (60%), blockchain & criptomoedas (27%) e seguros (8%).

Considerando uma amostra de 11 empresas que angariaram capital estrangeiro, em média, perto de um terço (31%) do financiamento veio de investidores internacionais, mostram os dados revelados esta quinta-feira pela Associação Portugal Fintech. OS Estados Unidos (EUA) são a principal proveniência do investimento.

No Portugal Fintech Report 2021, são precisamente os investidores (56%) os agentes mais citados como “facilitadores”, seguidos das associações e dos aceleradores. Ninguém referiu o apoio parte do Governo português. Por outro lado, as maiores barreiras na área da regulação são a fragmentação das regras, o acesso a parceiros, a transparência, a disponibilidade de informação e o acesso a casos de estudo.

Lisboa (60%), Porto (20%), Aveiro (8%) e Braga (4%) concentram os hubs para as empresas deste género sediadas em Portugal. No estrangeiro, os outros países onde mais fintechs de origem portuguesa têm sede são França, Alemanha, EUA, Reino Unido e Países Baixos.

Segundo o retrato traçado na quinta edição deste relatório, que foi elaborado em parceria com a VISA, a sociedade de advogados Morais Leitão e a consultora Accenture, as maiores fintech portuguesas têm uma média de 30 funcionários, operando a esmagadora maioria (85%) no segmento empresarial (B2B).

Quais são as maiores dificuldades que enfrentam? O ciclo de vendas é apontado por 43%, o que para um ecossistema em que predominam as empresas B2B é “particularmente elevado”, sublinham os autores. A busca pelo talento (37%) é o segundo aspeto mais referido, com os gestores a lamentarem sobretudo a escassez nas posições de engenharia.

“Embora Portugal seja um país com elevadas qualificações na área da tecnologia, tanto o trabalho remoto como o estabelecimento de hubs por parte de operadores de grande dimensão aumentaram a concorrência pela força de trabalho qualificada”, lê-se neste documento, em que dois em cada três inquiridos admitem que a quantidade de developers no país não é suficiente.

Quais as 30 maiores fintech portuguesas?

Divididas em nove segmentos de atividade, o relatório apresenta o Top 30 das fintechs portuguesas, que é dominado pelo vertical de pagamentos e transferências (27%), seguido pelo segmento de seguros e de crédito, ambos com 17%. Quase três em cada dez foram fundadas no ano de 2019.

  • Pagamentos e transferências: Coverflex, Easypay, Fraudio, Ifthenpay, InvoiceXpress, Switch, Swood, YData.
  • Crédito: hAPi, Invisible Cloud, ParcelaJá, Raize e StudentFinance.
  • Blockchain & criptomoedas: Anchorage Digital, UTRUST e Velvet Formula.
  • Insurtech: Habit Analytics, Keep Warranty, Kooli, Lovys e Mudey.
  • Cibersegurança e regtech: Elucidate, Jscrambler, Loqr e Probely.
  • Finanças pessoais: Doutor Finanças
  • Imobiliário: Alfredo
  • Mercado de capitais e gestão de fortunas: nBanks
  • Financiamento alternativo: GoParity e Paylend.

Na edição deste ano, a Portugal Fintech volta também a destacar seis fintechs emergentes – Yoonik, Exxo Trade, Anachron Tech, Reflora, RM Analytics e Zharta – e 14 empresas internacionais que operam em Portugal: ArcoPay, Ebury, Lydia, Revolut, Viva Wallet, Tink, StockRepublic, Zego, FinChatBot, Apiax, Keyles, ZoomiMoney, Paylink e Younited Credit.

“O ecossistema fintech português tem hoje um elevado grau de maturidade, que o coloca ao nível de outros hubs mundiais. Por um lado, Portugal atrai novas startups e empreendedores em diferentes verticais. Por outro, as instituições maduras [estarem] mais interessadas e a trabalhar com startups fintech mostrou como 2021 foi um ano de viragem na cooperação entre estes dois universos”, salienta João Freire de Andrade, fundador e presidente da Portugal Fintech.

João Freire de Andrade, presidente da Portugal Fintech.Hugo Amaral/ECO

O relatório reclama que há uma maior abertura dos operadores maduros para a inovação, através da associação às fintechs para acelerarem os seus processos de digitalização. Entre os casos de estudo sobre inovação através da colaboração destacados estão o programa Fintech 365 e as parcerias da hApi com a Credibom ou entre a Raize e o Banco Best.

Além de identificar sete tendências para 2021, o relatório lançado esta manhã inclui ainda entrevistas sobre o ecossistema da inovação financeira em Portugal, com personalidades como Hélder Rosalino (Banco de Portugal), José Miguel Almeida (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) ou o ex-ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões).

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