Novobanco “vira a página” e lucra 154 milhões até setembro

António Ramalho prometeu virar a página dos prejuízos e Novobanco segue com resultados positivos pelo terceiro trimestre seguido. Acumula lucros de 154 milhões nos nove primeiros meses do ano.

António Ramalho, presidente do Novobanco.Rodrigo Antunes/Lusa

O Novobanco lucrou 154,1 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, um resultado que compara muito favoravelmente com os prejuízos de 853 milhões registados no mesmo período do ano passado.

Foi o terceiro trimestre seguido de resultados positivos (lucro de 16,4 milhões entre julho e setembro), com o CEO António Ramalho a destacar que o banco entrou numa “rota de rentabilidade e crescimento” após anos de prejuízos milionários desde o seu nascimento, em 2014, com a resolução do BES.

Desde a passada segunda-feira que a instituição se passou a chamar Novobanco, caindo a anterior designação Novo Banco, numa mudança que visa deixar para trás o passado, incluindo as polémicas que foi colecionando por causa dos milhões de euros injetados pelo Fundo de Resolução.

Ramalho fala em “virar de página” que estes resultados evidenciam através “do crescimento do negócio sustentável com o produto bancário comercial a crescer 6,8%, ao mesmo tempo que os custos operacionais caem 3,9%” nos primeiros nove meses, segundo a mensagem que acompanha a demonstração de resultados.

O Novobanco, detido em 75% pelos americanos da Lone Star e 25% pelo Fundo de Resolução, revela que o resultado do terceiro trimestre é positivo apesar do impacto negativo da operação de troca de dívida concluída no trimestre, na ordem dos 73,5 milhões de euros. Ainda assim, esta operação vai gerar poupanças futuras, assegura o banco.

Quanto ao desempenho entre janeiro e setembro, um fator que tem estado a pressionar as contas são as imparidades para crédito (ainda que em menor nível de grandeza em relação ao ano passado), que totalizaram os 115 milhões de euros, dos quais 40 milhões têm a ver com o impacto da pandemia.

"É o terceiro trimestre consecutivo de resultados positivos. Estamos na rota da rentabilidade, de crescimento e preparados para apoiar as empresas e a economia portuguesa. É um virar de página agora também assente numa nova imagem de marca.”

António Ramalho

CEO do Novo Banco

Rácio de malparado continua a cair

A margem financeira e as comissões cresceram 7,3% e 5,8% para 430 milhões de euros e 207,9 milhões de euros até setembro, respetivamente. “A melhoria da margem financeira reflete a redução das taxas médias dos depósitos, o menor custo de financiamento de longo-prazo e a manutenção da política de preços”, explica a instituição.

Por outro lado, o crédito a clientes caiu ligeiramente para 23,5 mil milhões de euros, enquanto os depósitos subiram (como tem subido na generalidade dos bancos) para 26,1 mil milhões de euros.

Olhando para os indicadores de qualidade de crédito, o rácio de crédito malparado (NPL) baixou para 7,3% no final de setembro, menos 1,6 pontos percentuais em relação a dezembro de 2020, refletindo o esforço de limpeza do balanço que o banco tem vindo a protagonizar nos últimos anos, sobretudo através da venda de carteiras de ativos tóxicos — o banco tem dois processos de venda de carteiras em curso, o Harvey (640 milhões) e o Orion (200 milhões). O objetivo passa por alinhar o rácio de NPL com a média europeia, abaixo dos 5%, sublinha o banco.

Sobre a robustez da posição de capital, o Novobanco apresenta um rácio CET1 de 10,9% e um rácio de solvabilidade de 12,8%, com a instituição a lembrar que mantém várias disputas com o Fundo de Resolução em torno de 500 milhões de euros no âmbito dos pedidos ao abrigo do mecanismo de capital contingente.

(Notícia atualizada às 17h30)

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