Web Summit em choque com ex-sócio, que acusa de “desviar” a atenção com novo processo

Paddy Cosgrave e o antigo sócio da Web Summit, David Kelly, estão envolvidos numa disputa legal envolvendo o fundo de capital de risco Amaranthine.

Uma tentativa de “distração” é como a Web Summit (WS) classifica a ação na justiça irlandesa avançada pelo ex-sócio, David Kelly, que acusa Paddy Cosgrave de usar os recursos da cimeira tecnológica para “benefício do seu agregado familiar”. O atual diretor executivo da cimeira é ainda acusado de bullying e intimidação.

A ação surge depois de a Manders Terrace, a dona da WS, ter avançado nos Estados Unidos e na Irlanda com uma ação contra David Kelly por quebra de dever fiduciário, relacionado com o fundo Amaranthine, que resultaram em alegadas perdas de 8,6 milhões de euros.

“David Kelly está a amontoar alegações atrás de alegações que estão a ser feitas apenas para distrair e desviar a atenção da ação legal que a Web Summit avançou contra si na Irlanda por quebra de dever fiduciário, relacionado com o fundo Amaranthine”, reagiu fonte oficial da Web Summit ao ECO.

“Aguardamos futuras audiências (no tribunal) altura em que as questões de facto serão devidamente consideradas.”

A ação de David Kelly na justiça irlandesa é mais um passo numa disputa envolvendo os dois antigos sócios da Web Summit e que coloca dos dois lados da barricada a Graiguearidda Ltd de David Kelly, a Manders Terrace, empresa da qual a cimeira tecnológica faz parte, e a Proto Roto Ltd de Paddy Cosgrave.

Kelly — que abandonou a Web Summit em abril — acusa Paddy Cosgrave de usar os recursos da cimeira em benefício pessoal, dando, entre outros exemplos, a venda em 2019 de camisolas de lã no valor de 780 euros e 240 euros, criados pela mulher de Cosgrave, a modelo Faye Dinsmore, no website da Web Summit.

“Cosgrave tem gerido a empresa como se tratasse de um feudo pessoal, como se fosse o seu dono”, acusou David Kelly, nos documentos entregues na justiça e citados pelo Independent irlandês.

David Kelly, antigo sócio minoritário da WS, acusa ainda Cosgrave de bullying, garantindo ter sido sujeito a “assédio, abuso, coerção e intimidação. A nossa relação está totalmente destruída e pode ser descrita como irremediavelmente tóxica”. Kelly acusa ainda Cosgrave de ter “durante muitos anos” um comportamento “manipulador” e “ameaçador”.

O caso Amaranthine

A ação de David Kelly surge depois de, em setembro, a Manders Terrace ter avançado com uma ação contra o antigo sócio minoritário por quebra de dever fiduciário, relacionado com o fundo Amaranthine, que resultaram em alegadas perdas de 10 milhões de dólares (8,6 milhões de euros).

O fundo de capital de risco Amaranthine tinha sido criado em 2018 por Paddy Cosgrave, David Kelly e Patrick Murphy, um ex-gestor da Goldman Sachs, para investir em startups, tendo a Web Summit avançado com dois milhões de euros e, com isso, direito a 30% dos lucros.

Os problemas surgiram quando surgiu a possibilidade de se criar um segundo fundo, não tendo os sócios chegado a um acordo. Em abril, Kelly sai da empresa e terá, em mensagens privadas enviadas a Cosgrave, dado indicação de que planeava começar um negócio ou trabalhar para outra pessoa. Posteriormente, criou com Patrick Murphy, o fundo Semble, que já não contava com a WS nem Paddy Cosgrave na gestão e no capital.

Na ação que deu entrada em São Francisco, nos Estados Unidos, a dona da Web Summit acusa os gestores de terem criado um plano para “enganar a Web Summit e Cosgrave, terem entre si chegado a um acordo, e secretamente terem estabelecido um segundo fundo para usurpar de forma indevida a marca Web Summit, recursos e ativos”, pode ler-se no Irish Times.

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