Finlândia quer reduzir gap salarial entre homens e mulheres. Planeia deixar trabalhadores saberem o salário dos colegas

O governo finlandês está a avançar com legislação para reduzir a discrepância salarial, que deverá ser aprovada no Parlamento antes das eleições de abril de 2023.

A Finlândia está a planear permitir que os profissionais possam saber quanto recebem os seus colegas, caso suspeitem que existe uma discriminação salarial. O objetivo é reduzir as disparidades que ainda existem entre os rendimentos dos homens e das mulheres.

O que é central no programa do governo é a eliminação das diferenças salariais injustificadas, que serão agora abordadas com mais rigor“, disse o ministro da Igualdade, Thomas Blomqvist, em declarações à Reuters (acesso livre, conteúdo em inglês).

A lei que está agora em cima da mesa tem, contudo, sido criticada tanto pelos sindicatos de trabalhadores, que querem ainda mais transparência, como pela maior organização patronal do país, que defende que, a ir para a frente, a medida vai criar ainda mais conflitos no local de trabalho. No entanto, o governo finlandês está a avançar com a legislação, para reduzir a discrepância salarial, que deverá ser aprovada no Parlamento antes das eleições de abril de 2023, adianta o ministro da Igualdade.

Na Finlândia, em 2020, as mulheres ganharam menos 17,2% do que os homens, segundo um ranking de igualdade salarial publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Esse mesmo relatório coloca a Finlândia na 37.ª posição, muito atrás dos seus pares, com a Noruega na 8.ª posição, a Dinamarca na 9.ª e a Suécia na 12.ª.

As razões apontadas pelo provedor da igualdade finlandês são semelhantes às de outras nações da Europa Ocidental: segregação do mercado de trabalho em profissões dominadas por homens e mulheres, pais que tiram menos licenças parentais do que mães, e mulheres que não são promovidas tão frequentemente como os homens.

Em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa criticou, recentemente, as diferenças salariais entre géneros.Tem sido uma luta nos salários. As mulheres recebem menos do que os homens em média, em quase todas as profissões. Isto não faz sentido e fará cada vez menos sentido”, disse o presidente da República, na estreia do programa “Mulheres de coragem”, em Belém.

Mostrando-se a favor das quotas de género, o chefe de Estado acrescentou: “É preciso ser-se de coragem, ter-se coragem para se ser mulher neste mundo. É preciso, todos os dias se nota isso. Os homens têm de fazer um esforço para chegar a um objetivo, as mulheres têm de fazer um esforço muito maior, mas muito, muito maior.”

De facto, embora até possuam as mulheres possuem níveis mais altos de escolaridade, as mulheres continuam a receber salários mais baixos, comparativamente aos seus colegas do sexo masculino. Em Portugal, os seus rendimentos correspondem a apenas 73%-78% dos salários dos seus pares masculinos, revelou o relatório da (OCDE) “Education at a Glance 2021”.

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