Juros implícitos no crédito à habitação sobem pela primeira vez num ano

As taxas de juro implícitas no crédito à habitação subiram em outubro, pela primeira vez no último ano, à boleia do fim das moratórias bancárias. Os juros fixaram-se em 0,803%.

A taxa de juro implícita no crédito à habitação aumentou ligeiramente em outubro, a primeira subida no último ano, após 13 meses consecutivos de quedas. Ainda assim, o juro implícito continuou abaixo de 1%, situando-se em 0,803%, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta terça-feira.

“A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação foi 0,803% em outubro (0,785% no mês anterior)”, revela o gabinete de estatísticas, explicando que “os resultados do mês de outubro estão influenciados pelo fim do regime de moratórias bancárias no crédito à habitação, implementadas no contexto da pandemia Covid-19 que, recorde-se, teve início em abril de 2020 e originou reduções na taxa de juro implícita e na prestação média“.

A taxa de juro implícita no crédito à habitação é estimada com base nos juros totais vencidos no mês em causa. Porém, nos créditos em moratória, esse juro não era pago e por isso não era considerado nesta estatística. Esse efeito levou a uma queda da taxa de juro, mas o inverso aconteceu no momento em que as moratórias acabaram no final de setembro e que esses créditos voltaram a contar para as estatísticas.

Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE)

Apesar desta subida, os 0,803% continuam a ser um dos valores mais baixos de sempre, apenas superado pelos juros registados em setembro e agosto.

Além disso, é de realçar que “nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro desceu de 0,702% em setembro para 0,665% em outubro”, nota o INE. Isto é, os novos contratos continuam a ser assinados com juros cada vez mais baixos.

No que diz respeito ao capital médio em dívida, em outubro observou-se uma subida de 354 euros, para 57.688 euros. Para os contratos celebrados nos últimos três meses, o montante médio do capital em dívida foi 118.486 euros, menos 1.032 euros que em setembro.

Na prestação média mensal a pagar ao banco também é visível o efeito do fim das moratórias. “A prestação média apresentou o maior aumento desde o início da atual série, subindo 14 euros, para 251 euros“, refere o gabinete de estatísticas, especificando que “39 euros (16%) correspondem a pagamento de juros e 212 euros (84%) a capital amortizado”.

Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE).

Já nos contratos celebrados nos últimos três meses, o valor médio da prestação desceu 21 euros para 290 euros.

(Notícia atualizada às 11h27 com mais informação)

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