TAP teve prejuízos de 627 milhões até setembro

Receitas recuperam no terceiro trimestre, mas custos também sobem. Liquidez da companhia deteriorou-se e dívida subiu.

A TAP registou um prejuízo de 627,6 milhões até setembro, melhor em 73 milhões quando comparado com o mesmo período de 2020. O terceiro trimestre marca, no entanto, uma forte recuperação das receitas, com o EBITDA recorrente, sem efeitos extraordinários, a chegar ao verde pela primeira vez desde o início da pandemia. Ainda assim, a liquidez ficou mais apertada.

A recuperação do tráfego aéreo tem ajudado à melhoria dos resultados na TAP. O crescimento expressivo do número de passageiros no terceiro trimestre (127%), levou a um crescimento de 90,3% das vendas face aos três meses anteriores para os 443,7 milhões.

“A abertura das fronteiras nos principais mercados da TAP está refletida na sua performance financeira dando-nos o primeiro sinal de uma recuperação lenta de um período difícil e desafiante para a indústria da aviação, para a companhia e para os seus stakeholders“, afirma a CEO da TAP, Christine Ourmières-Widener, no comunicado divulgado esta quinta-feira.

Além das receitas de passageiros, que atingiram 368,5 milhões, também a manutenção regista uma evolução positiva. Já a carga e correio registou uma quebra de 0,5% face ao trimestre anterior.

A companhia aérea salienta a recuperação ao longo do verão da maior parte dos destinos em que opera, com o crescimento da vacinação que permitiu um levantamento gradual das restrições nas fronteiras. Mas sublinha que o Brasil, um mercado que representava mais de 20% das vendas antes da covid-19, reabriu apenas em 1 de setembro de 2021.

Os custos operacionais cresceram 28% para 489,5 milhões, um comportamente “maioritariamente explicado pelos custos com combustíveis e custos de tráfego das operações que aumentaram 71,4% e 76,1%, respetivamente”, indica a TAP em comunicado,

Pela primeira vez desde o início da pandemia, em março de 2019, o EBITDA (lucros antes juros, impostos, amortizações e depreciações) recorrente da TAP foi positivo, atingindo os 65,5 milhões de euros. O impacto das variações cambiais contribuiu para um prejuízo de 149,6 milhões entre julho e setembro.

Prejuízos de 627 milhões em nove meses

O resultado negativo no trimestre veio engrossar as perdas da companhia aérea desde o início do ano, com os prejuízos a totalizarem 627,6 milhões até final de setembro. Ainda assim, uma melhoria de 10,4% em relação ao mesmo período de 2020.

A TAP assinala que para o prejuízo contribuiu o impacto
negativo das diferenças de câmbio, de 125,3 milhões, dos quais 104,6 milhões são devidos à depreciação do euro em relação ao dólar em rendas futuras e por isso sem impacto em caixa.

As receitas operacionais foram de 826,8 milhões nos nove meses, 1,7% abaixo de 2020. Estão também ainda 67% abaixo do nível de 2019.

A liquidez da transportadora aérea deteriorou-se. A TAP tinha em caixa e equivalentes de caixa 397,6 milhões a 30 de setembro 2021, um decréscimo de 145,2 milhões desde junho. A dívida financeira líquida cresceu 223,6 milhões para 2351,2 milhões de euros.

(Notícia atualizada às 18h50)

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