E220. Um diesel que dura, dura e dura

Na era dos elétricos e dos híbridos, o 220 diesel da Mercedes mostra que ainda tem argumentos para ser uma opção válida. Consumos muito baixos são a “arma” nesta berlina de luxo.

Vivemos um tempo em que praticamente todas as marcas se apressam a responder à ânsia da eletrificação. Procuram responder a uma procura crescente, seja por elétricos puros, seja por híbridos, na sua maioria, plug-in (com as empresas à procura dos benefícios fiscais), mas os motores a combustão ainda não morreram. O fim está vaticinado, mas há ainda uma grande oferta destas motorizações menos “amigas do ambiente”.

A Europa já marcou na agenda. 2035 será o último ano para a produção de carros a combustão no Velho Continente, ou seja, daqui a mais de uma década. É um statement europeu, que começa a ter peso na hora de se comprar um veículo novo, mas há méritos nos veículos puros a combustão que não podem/devem ser descartados. Não nos podemos esquecer da evolução que também estes tiveram nos últimos anos. E dos esforços para os tornar mais “limpos”.

Vimos essa evolução nos modelos a gasolina, mas também uma contínua aposta nas versões a gasóleo que são capazes de apresentar níveis de emissões cada vez mais reduzidas. Consumos também eles mínimos, mesmo quando debaixo do capot estão blocos de grandes dimensões como acontece com o E220, da Mercedes.

É um “senhor” motor, com uma “alma” grande. É um 2.0 de quatro cilindros com 194 cv, suficientes para puxar a limousine germânica até aos 235 km/h. São grandes números que, contudo, encolhem de forma expressiva quando se olha para os consumos. Impressionantemente, ficam-se, diz a marca, pelos 5,3 l/100km. No papel, gasta tanto quanto um qualquer citadino a gasolina. E na prática?

Autonomia para tudo

Há muito que os consumos anunciados pelas fabricantes de automóveis revelaram ser apenas isso… um número, utilizado para a homologação do carro. Para definir a carga fiscal que vai pagar à cabeça, nos impostos associados à compra, mas também durante a utilização, através do IUC. Por isso, quando vemos, 5,3 litros, automaticamente pensamos… “vai fazer para aí uns 6,5 litros”. É o normal.

No caso do Mercedes, a sabedoria popular pode dizer-se que é posta à prova. E perde. Com o depósito de 50 litros cheio, a caixa de velocidades automática 9G-TRONIC preparada para arrancar, a autonomia aponta para os 800 km, um número com que os elétricos ainda podem sonhar. Rolando com alguma moderação, em circuitos citadinos e poucos fora da cidade, a média vai apontando para os 5 litros. E a autonomia não desce, sobe!

Recorrendo ao modo de condução mais económico, que otimiza o funcionamento do motor, regrando o pé direito do condutor, seguimos viagem. Quilómetros atrás de quilómetros, na cidade e em vias extra-cidade, vemos a média baixar ainda mais. E a autonomia a não dar sinais de abrandar. Ao fim de quase mil quilómetros, a média cifra-se nuns impressionantes 4,1 litros/100 km. E ainda há diesel no depósito para devorar mais algum alcatrão.

Luxo, mas só para alguns

O E220 provou nesta viagem pelo país fora que os diesel da marca da estrela ainda têm muita vida. E que não são “carta fora do baralho”, especialmente para quem faz muitos quilómetros. Provou a eficiência, mas também um savoir faire digno de se lhe “tirar o chapéu” em termos de acerto na condução, bem como no conforto que oferece a quem pode sentar-se nas fantásticas poltronas de pele.

Os bancos suaves, coadjuvados por uma suspensão sempre preparada para “apagar” qualquer imperfeição do asfalto, garantem horas ao volante sem dores de viagem. A ausência de ruídos — graças à qualidade elevada de construção –, bem como todos os sistemas de ajuda à condução e de infoentretenimento, são capazes de fazer esquecer o tempo passado sobre quatro rodas. É um luxo que, contudo, só está ao alcance de alguns, tendo em conta a fatura de mais de 60 mil euros para ter as chaves na mão.

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