Falta estrada para os 510 cv do Giulia QV

É uma Alfa, mas tem “alma” de “cavallino rampante”. O V6 Bi-Turbo debaixo do capot é civilizado no dia-a-dia, mas é uma loucura quando se pede mais. É muita potência, demais para uma estrada normal.

O Giulia sempre soube cativar o olhar. Linhas curvas, numa berlina familiar sexy a piscar o olho ao lado emocional. Um estilo tipicamente italiano ao qual se junta, como não pode deixar de ser, aquele ar de desportivo. Mas se estivermos a falar do Quadrifoglio Verde, já não é apenas um… ar. É um Alfa Romeo com esteroides por fora, mas principalmente debaixo do capot.

Não consegue passar despercebido, parado ao ou na estrada. Não há cabeça que não rode perante a presença de um familiar desportivo pouco comum no asfalto português — o preço a partir de 112 mil euros explicará em muito o porquê. Percebe-se que não é um qualquer Giulia pelos pára-choques encapotados, com spoilers em fibra de carbono que marca presença também nas embaladeiras e também no aileron na mala. E se no capot há dois rasgos que denunciam um motor que precisa de inspirar, atrás, os quatro escapes prometem um “ressonar” delicioso.

São pequenos detalhes estéticos que fazem a diferença no exterior, mas são ainda menos os que esperam o QV de um “normal” no interior. A fibra de carbono continua a marcar presença nas portas e tablier, juntamente com o pesponto verde. E depois temos os bancos que nos agarram confortavelmente, como que nos preparando para o momento em que carregamos no “Start” colocado num pequeno satélite junto ao centro do volante.

Parece civilizado

É empolgante saber que ao carregar num pequeno botão vermelho vamos ligar um 2.9 litros a gasolina. Um V6 bi-turbo desenvolvido em cima de um bloco da Ferrari, que põe ao dispor do nosso pé direito uns brutais 510 cv. É muita potência! E não desilude o barulho que sai do escape logo pela manhã, quando ainda acabado de acordar nos delicia com um ressoar que faz arrepiar os pelos do antebraço.

Seria de esperar um arranque brusco quando colocamos a manete da caixa automática de oito velocidades para “Drive”. Mas, surpreendentemente, não acontece nada disso. No modo de condução N, do DNA, o Giulia QV mostra que tem potência mas que sabe ser civilizado. Afinal, é um automóvel em que cabem perfeitamente cinco adultos. É um familiar.

É um bom compromisso para pais mais apressados, que têm aqui um “dois em um”. Ou até mais. É preciso não esquecer que a pequena roda seletora do DNA tem ainda o D, que injeta mais adrenalina à resposta do Giulia. De um momento para o outro, sente-se mais carro. Qualquer toque no acelerador devolve uma resposta mais imediata, com o devido cumprimento do ronco que sai da traseira. As rotações sobem mais rapidamente, o ponteiro da velocidade também. É rápido, muito rápido.

Race. It’s on

Mais rápido? É possível. O seletor do DNA traz bónus neste QV. Há mais um modo, mas é preciso querer mesmo utilizá-lo para conseguir selecioná-lo. Diz “Race”… e é preciso segurar o seletor para o “engrenar”. Nesse momento, acendem-se várias luzes amarelas no painel de instrumentos. Vai-se o sistema anticolisão, o controlo de tração, mas a Alfa sabe o que queremos. Por isso diz que para melhor a experiência o melhor é utilizar as passagens de caixa manuais. As patilhas gigantes atrás do volante passam a fazer sentido.

Todo o carro fica mais “vivo”. Sente-se o motor, a direção e a suspensão mais rijas. E o pedal do acelerador é mais imediato. O pé afundo empurra-nos bruscamente contra o banco, sente-se as rodas em busca de tração para devorarem as centenas de metros de asfalto a frente. Num instante — há, no menu, uma opção para medir os tempos — passamos os 100 km/h e pouco depois os 200 km/h… e continuávamos, assim houvesse estrada. Ou melhor, uma pista. É uma loucura o poder deste QV que anuncia uma velocidade máxima de 307 km/h. E os consumos não lhe ficam atrás: mais de 20 litros aos 100 km.

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