Unicórnios preparam voos. Querem contratar mais de 2 mil pessoas em 2022premium

Depois de no ano passado os sete unicórnios com ADN português terem recrutado 3.675 pessoas, em 2022 os planos de recrutamento, até ao momento, apontam para mais de 2.000 reforços.

Depois de terem contratado 3.675 colaboradores no ano passado, a nível global, em 2022 os sete unicórnios com ADN nacional contam reforçar as suas equipas com, pelo menos, mais de 2 mil novos trabalhadores. Só a Remote conta duplicar de 700 para 1.400 o número de pessoas. Com a elevada procura de pessoal qualificado, necessário para alimentar os planos de expansão das empresas, e a escassez de trabalhadores tech, as startups antecipam uma maior pressão salarial em 2022.

A pandemia não fez parar os planos de contratação de talento da Farfetch. "As áreas com mais contratações continuam a ser as de operações e tecnologia, embora praticamente todas as áreas tenham contratado novos colaboradores no último ano. No total, fizemos o onboarding de 1.410 pessoas no último ano globalmente e de 703 em Portugal", adianta Ana Sousa, vp of people da Farfetch, à Pessoas. E este ano essa política de crescimento irá ter continuidade. "Estamos focados nas vagas que estão em aberto na nossa página de Farfetch Group Careers. Temos atualmente um pouco mais de 150 vagas disponíveis para as mais diversas áreas dentro da empresa, desde a manutenção da plataforma ou as áreas de suporte", refere a responsável de pessoas da unicórnio cofundada por José Neves.

Com 13 anos, celebrados em outubro, "é natural que em algumas áreas o crescimento das equipas não seja elástico e diretamente proporcional ao contínuo crescimento do negócio", ressalva Ana Sousa. "O nosso objetivo é continuar a responder às necessidades do negócio, com o melhor talento", continua. Quanto aos perfis, "mais do que skills específicas para realizar o role que é um dos pontos importantes, consideramos que as pessoas que se pretendem juntar à empresa devem estar alinhadas aos nossos valores e, sobretudo, com a nossa cultura", refere. "A Farfetch já tem um reconhecimento externo grande e este 'sucesso' está intimamente ligado com a nossa cultura focada nas pessoas e inclusiva. Isto é fruto não só do nosso trabalho enquanto empresa, mas sobretudo, pelo comportamento de cada uma das nossas pessoas e é isso que queremos continuar a fomentar quando contratamos alguém."

Se no ano passado foi a Farfetch quem mais reforçou o seu talento, em 2022, até ao momento, é a Remote que revela ter os planos mais ambiciosos nesse campo. O ano passado a unicórnio contratou mais de 700 pessoas. Em 2022, "provavelmente, iremos dobrar a equipa. E com todo o tipo de perfis: financeiro, operacional, RH, engenharia, design, produto, marketing, vendas, etc.", adianta Marcelo Lebre, cofundador da Remote.

Um plano ambicioso, em termos de reforço de talento, -- as ofertas serão para funções 100% remotas --, para dar músculo humano aos planos da unicórnio com cores nacionais que, em 2022, quer ter presença em todo o mundo.

A Sword Health está igualmente entre os unicórnios com planos mais ambiciosos de recrutamento em 2022, depois de um ano em que a empresa, cofundada por Virgílio Bento, superou uma avaliação de mil milhões de dólares. "Conseguimos atrair e reter talento ao longo de 2021, reforçando as nossas equipas de forma a acompanhar o rápido crescimento e expansão internacional da empresa. Contratamos 165 e vamos reforçar a equipa globalmente ao longo dos próximos meses", adianta fonte oficial à Pessoas. Não faltam planos para o ano que agora arranca. "Queremos que o melhor talento se junte a nós e pretendemos recrutar 300 colaboradores durante os próximos meses. O nosso foco a nível de recrutamento está em perfis de tecnologia, recursos humanos, marketing, vendas e operações", adianta a mesma fonte da empresa.

Depois de aumentar em 34% o headcount global o ano passado, "com mais de 770 contratações que permitiram a consolidação da nossa presença global assim como o arranque de novas geografias como a Roménia e a Índia", a Outsystems aponta 2022 como "um ano de consolidação após este enorme crescimento", adianta Alexandra Líbano Monteiro, vp of people da OutSystems, sem revelar quantas pessoas a companhia conta contratar.

Modelos híbridos de trabalho

Quem chegar vai encontrar um modelo híbrido de trabalho. "A OutSystems sempre teve pessoas a trabalhar de forma remota, pelo que continuaremos a aplicar esses casos quando fizer sentido. O trabalho remoto faz parte da história da OutSystems: estamos espalhados pelo mundo e atualmente temos escritórios em Portugal e em mais 12 cidades (Ásia, Europa e Estados Unidos), com muitos colaboradores a serem contratados no pressuposto de trabalharem a partir de casa", descreve Alexandra Líbano Monteiro.

"Para o futuro, já temos uma ideia relativamente clara da estratégia que queremos seguir quando este cenário de pandemia deixar de ser uma ameaça ao bem-estar de todos. Queremos manter a nosso conceito de distributed work in-place. Isto significa que as nossas pessoas poderão escolher trabalhar em casa, num café local tranquilo, ou no escritório", precisa.

Empresa remote friendly, quem trabalha na Talkdesk está "há cerca de dezoito meses a trabalhar, a interagir, a contribuir de forma totalmente remota". E quem chegar em 2022 terá um cenário híbrido pela frente. "Estamos a trabalhar para, em breve, ter espaços físicos que constituam pontos de encontro e interação das nossas equipas. A presença nestes espaços será flexível, facultativa, sendo que procuramos com esta abordagem ir ao encontro da diversidade crescente de interesses, estilos de vida e necessidades de conciliação de vida pessoal e familiar que coexistem na organização -- dimensões da maior importância e prioridade, em termos de gestão, para a Talkdesk", refere João Coelho, senior director of Talent da Talkdesk.

Quantos colaboradores é que a companhia pretende contratar este ano é que, nesta fase, a unicórnio não adianta, depois de no ano passado ter recrutado 500 pessoas, mais 30% do que em relação a 2020. "Cruzámos a barreira dos 2.000 Talkdeskers a nível mundial e de 1.000 em Portugal, o que nos coloca cada vez mais perto do nosso objetivo de nos tornarmos numa escola de Engenharia de referência a nível nacional", diz o senior director of Talent da Talkdesk. "É nossa intenção, neste momento, manter a trajetória de crescimento das nossas equipas que foi desenhada ao longo de 2021", diz apenas.

Quanto a Portugal, país onde estão situados os "centros de inovação da Talkdesk e onde é desenvolvida grande parte da tecnologia que torna a Talkdesk líder no setor da experiência de cliente e cloud-based contact centers", a maioria das vagas são na área de "Investigação e Desenvolvimento, sendo que existe também interesse concreto em manter e aprofundar a contratação em áreas corporate (e.g., professional services, HR, marketing, technical support) e de desenvolvimento de negócio", descreve João Coelho.

Em Portugal, todos os colaboradores têm direito a três dias extra, sem prejuízo de poderem ainda também acrescentar mais três dias, por escolha própria, como parte dos seus benefícios flexíveis – que passam também por opções em áreas como a saúde, educação/formação, planos PPR.

Ana Sousa

Vp of people da Farfetch

Com mais de 600 colaboradores, a Feedzai contratou o ano passado mais de 150 pessoas e este ano pretende "manter esse ritmo de crescimento."

"Nunca houve melhor altura para ser um Feedzaiam. Temos mais de 90 posições ativas em mais de 10 locais. Todas as ofertas podem ser consultadas no nosso site oficial de Careers, páginas de LinkedIn, Glassdoor, e Indeed. E porque somos uma empresa em rápido crescimento, estamos constantemente à procura de uma grande variedade de perfis para diversas funções, tais como data scientists, software engineers, e para áreas de suporte às nossas equipas de produto", adianta Dalia Turner, vp of people da Feedzai.

O talento que chegar à companhia poderá escolher, a cada seis meses, a partir de onde deseja desempenhar as suas funções. "A Feedzai é uma empresa que nasceu global e, mesmo antes da pandemia, já estávamos acostumados a ter equipas que não estavam localizadas em escritórios - França, Alemanha e Singapura são apenas alguns exemplos", lembra Dalia Turner.

"Para nós, como empresa, a flexibilidade faz todo o sentido como política de promoção do bem-estar e do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional dos nossos funcionários. Por isso, a Feedzai dá aos seus colaboradores a oportunidade de escolher a partir de onde desejam trabalhar. E a cada seis meses, confirmamos qual dessas opções os colaboradores preferem. A opção escolhida pode ser igual ou diferente", refere. "Quem optar por continuar a trabalhar remotamente não terá nenhum impacto salarial."

A mais recente fintech de cores nacionais a atingir o estatuto de unicórnio em dezembro do ano passado, a Anchorage Digital viu nesse ano reforçado em 175% o seu número de colaboradores, ou seja, 130 novos talentos, elevando para 200 pessoas o atual número de colaboradores. "Iremos rapidamente contratar mais candidatos na sequência do nosso anúncio da ronda de financiamento da Série D, para ajudar a satisfazer a incrível procura que temos visto em serviços cripto", garante Diogo Mónica.

"Estaremos muito concentrados na contratação de engenheiros em Portugal, o que significa que tanto os recém-licenciados como os que tiverem experiência, com uma licenciatura em informática ou sistemas distribuídos, serão bons candidatos para se juntarem à Anchorage Digital. Também iremos contratar para funções fora da área de engenharia", adianta o cofundador da Anchorage Digital. "Globalmente, os candidatos que procuramos são os chamados 'solucionadores de problemas'. Procuramos colegas de equipa que prosperem na ambiguidade, que sejam orientados para trabalho em equipa e automotivados", reforça.

Na área de carreiras do site da fintech estão listadas mais de 70 ofertas, mas os planos de crescimento da startup são ambiciosos. Este ano querem atingir as 400 pessoa e, em Portugal, serem cerca de 100 nos próximos dois, tal como adiantou Diogo Mónica em entrevista à Pessoas.

Aposta nos benefícios

O trabalho remoto, algo já comum em muitas tecnológicas, ganhou expressão com a pandemia levando muitas das empresas a adotar modelos híbridos. Será esse o modelo que os futuros Anchorages irão encontrar. "Durante a pandemia, aprendemos que a equipa da Anchorage pode florescer para além dos fusos horários, com muitos membros da equipa a trabalhar de forma totalmente remota, devido às circunstâncias. Ainda há algo de especial no trabalho presencial, quer seja para fazer uma pergunta ou conhecer a equipa, e, por isso, planeamos reabrir o nosso escritório do Porto brevemente, mas a Anchorage será sempre remote-friendly", adianta Diogo Mónica.

E, numa altura em que conquistar o talento IT é crucial, e com a escassez habitual a agudizar-se com o aumento da procura, as empresas apostam num pacote holístico de benefícios para fazer face a um ambiente quente ao nível salarial.

"O facto de um grande número de empresas se ter tornado remote-friendly ou híbridas abriu o mercado mundial, as pessoas perceberam que podem ganhar mais trabalhando para uma empresa estrangeira a partir de Portugal e as empresas estrangeiras que pagando o mesmo que localmente se podem tornar altamente competitivas noutros países", sintetiza Marcelo Lebre. Para ganhar o talento nessa competição, na Remote aposta-se em "boas condições de trabalho/contratuais com salários competitivos e uma boa perspetiva de carreira".

Mas também em pacotes de benefícios reforçados. Além dos clássicos seguros de saúde, medicina dentária e benefícios em oftalmologia, na Anchorage Digital estão estabelecidos os Anchoring Days -- "uma vez por mês, tirar um dia de folga para as pessoas tomarem conta de si" --, o Stop-Anchor-Breath -- uma aula semanal disponível para os colaboradores, com exercícios de alongamento, movimento consciente, exercícios de respiração, mindfulness --, "PTO ilimitado & um horário flexível para atender às necessidades familiares e pessoais", ações de formação e workshops, bem como ações de reconhecimento, com um "canal #kudos Slack onde celebramos os sucessos dos indivíduos e equipas", a celebração dos aniversários dos funcionários publicamente e com um cartão virtual assinado pela equipa.

"Em setembro lançamos também uma série de liderança - um programa de quatro meses para os gestores, com o objetivo de fomentar e desenvolver novas competências em torno do treino, feedback, e gestão do crescimento da sua equipa. As formações de gestão abordam 'como alimentar o crescimento' e 'reconhecer o bom trabalho dos colaboradores'", adianta Diogo Mónica.

O facto de um grande número de empresas se ter tornado remote-friendly ou híbridas abriu o mercado mundial, as pessoas perceberam que podem ganhar mais trabalhando para uma empresa estrangeira a partir de Portugal e as empresas estrangeiras que pagando o mesmo que localmente se podem tornar altamente competitivas noutros países.

Marcelo Lebre

Cofundador da Remote

"Para 2022, a nossa estratégia está muito alinhada com o bem-estar e a saúde física e emocional dos colaboradores. Consideramos que a flexibilidade desempenha um papel importante nos dias de hoje e é determinante para a angariação do talento jovem. Nesse sentido, o modelo híbrido -- (colaboradores da empresa podem trabalhar cerca de 60% do seu tempo fora do escritório, nas funções que assim o permitirem e o restante tempo no escritório) -- irá começar a ser uma realidade e que por si só constitui um atrativo para a empresa", adianta Ana Sousa, vp of people da Farfetch.

Mas não só. "Em Portugal, todos os colaboradores têm direito a três dias extra, sem prejuízo de poderem ainda também acrescentar mais três dias, por escolha própria, como parte dos seus benefícios flexíveis – que passam também por opções em áreas como a saúde, educação/formação, planos PPR", diz a vp of people da Farfetch.

Os colaboradores da Farfetch têm ainda dois dias adicionais de férias (Caring Days) que podem ser usados para voluntariado ou simplesmente para as pessoas cuidarem de si ou de terceiros, bem como a possibilidade de pedirem licenças sem vencimento -- "para cuidadores que necessitem de cuidar de pessoas dependentes, e para colaboradores na empresa há mais de três anos" --, mas também licenças sabáticas, até oito semanas pagas pela empresa, através do programa Boomerang. Podem beneficiar todos os colaboradores que estejam na empresa há, pelo menos, cinco anos consecutivos (renovando essa possibilidade a cada cinco anos).

"Existe, de facto, um elemento de pressão que tem vindo a traduzir e possivelmente irá continuar a traduzir ajustamentos sucessivos de oferta e procura de competência, e o aprofundamento da valorização do talento localizado e/ou formado em Portugal, ampliado e acelerado em contexto pandémico. A Talkdesk, como outras organizações, tem vindo a posicionar-se em relação a esta matéria, ajustando práticas de compensação e gestão de benefícios, e a sua oferta de valor como empregador de referência", admite João Coelho, senior director of talent da Talkdesk.

Aposta em estratégias de angariação de talento

E na procura do talento, a Talkdesk tem vindo a levar a cabo várias estratégias como o "programa de referências (“refer a friend”), a rede de parceiros que mantemos para posições especializadas, o contacto direto com user groups e comunidades profissionais, e a relação que mantemos com a academia", enumera João Coelho. Neste campo, a empresa organiza o programa Tech Dojo, que, ao longo dos seis meses de duração, proporciona aos "novos talentos uma experiência imersiva na empresa, colocando os jovens licenciados lado a lado com engenheiros seniores, a desenvolver projetos reais em áreas como desenvolvimento de software, ciências de dados, desenvolvimento de operações/processos e qualidade de produto".

Para fazer face à escassez de talento, a Feedzai também está a estreitar laços com a academia. "A nossa missão é também desempenhar um papel ativo na promoção da pesquisa científica, na partilha de conhecimento e na promoção de parcerias com universidades", defende Dalia Turner, vp of people da Feedzai. Neste sentido, a startup assinou, recentemente, um protocolo com a Universidade de Coimbra para a criação do “First Foundation", de modo a "inspirar uma nova geração de professores, investigadores, estudantes e profissionais, tendo a tecnologia como ponto de partida." Mas não é tudo. "Temos também o exemplo do Instituto Superior Técnico, que, entre várias iniciativas, criou três bolsas anuais e uma cátedra de machine learning", enumera a responsável de pessoas da empresa.

Quem entra tem acesso a um conjunto de benefícios como horário flexível, semana de quatro dias em agosto -- sem qualquer impacto a nível salarial -- e dias extra de férias. A Feedzai também oferece aos funcionários uma folga no seu aniversário. "Se somarmos a essas iniciativas os feriados da empresa (como o 24 e o 31 de dezembro), cada colaborador obtém o equivalente a 29 dias de férias pagas", destaca Dalia Turner.

A nossa missão é também desempenhar um papel ativo na promoção da pesquisa científica, na partilha de conhecimento e na promoção de parcerias com universidades.

Dalia Turner

Vp of people da Feedzai

Seguro de saúde, Wellness Week -- "durante uma semana e por meio de diversos workshops, desafios e conversas, abordamos temas como o desenvolvimento de hábitos saudáveis, resiliência emocional ou bem-estar financeiro" -- e "um orçamento anual para formação que inclui todas as despesas associadas à frequência da mesma" para cada colaborador são outros dos benefícios oferecidos pela Feedzai.

"Estamos conscientes de que o mercado é muito competitivo e tentamos seguir as tendências, através de análises externas, para garantir que nos mantemos relevantes. Acima de tudo, analisamos a nossa oferta como um todo, incluindo os benefícios extra-salariais, que incluem, por exemplo: seguro de saúde privado, tickets de infância, apoio psicológico, tempo livre extra e um orçamento anual para formação", destaca Dalia Turner.

"Mas também nos preocupamos com o crescimento e desenvolvimento profissional dos colaboradores. A revisão do desempenho é uma parte vital da Feedzai e permite-nos alinhar o foco e identificar áreas de aprendizagem e desenvolvimento. Este sistema alimenta o nosso processo de aumentos por mérito e de promoções", refere ainda a vp of people da Feedzai.

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