Da máscara ao teletrabalho, estas são as recomendações dos especialistas

Peritos defendem alívio de medidas restritivas. Mas, se a situação se agravar recomendam o teletrabalho obrigatório e reintroduzir limites à lotação de restaurantes, eventos e transportes.

Apesar da elevada disseminação da variante Ómicron, os especialistas descartam, para já, um agravamento das medidas, considerando que se devem manter as medidas gerais em vigor. Mas defendem que deve ser dada uma maior autonomia à população no que toca à avaliação de risco de infeção e aos autotestes. No entanto, propõem medidas mais apertadas caso Portugal atinja o nível de alerta, que passam pelo teletrabalho obrigatório sempre que possível, limites à lotação dos restaurantes e dos eventos públicos.

Face ao contexto atual, Raquel Duarte, que lidera a equipa de peritos que aconselha o Governo, defende que devem ser mantidas as medidas gerais atualmente em vigor, nomeadamente “o reforço de vacinação, controlo das fronteiras, controlo da qualidade do ar e a atenção às populações vulneráveis”, bem como o uso dos certificados digitais por rotina nos espaços públicos e a manutenção da proibição de bebidas alcoólicas nos espaços públicos. Quanto aos eventos exteriores, devem acontecer em espaços exteriores e cumprindo medidas gerais, sendo apenas possíveis os eventos em que é possível garantir cumprimento das medidas.

Contudo, a pneumologista e antiga de Estado da Saúde sinaliza que deve ser acrescentado um “novo pilar” face aos anteriores recomendados, que diz respeito a uma maior “autonomia da população e autogestão do risco”. “É importante que pessoas percebam como avaliam, tornar autotestes acessíveis e gratuitos, com possibilidade de verificação e capacitar a população face ao que fazer perante um teste positivo”, apontou Raquel Duarte, durante a reunião desta quarta-feira, no Infarmed. Neste contexto, os especialistas defendem também que deve ser promovida a utilização do autoteste com a possibilidade de validação (presencial ou remota) por profissionais de saúde, assim como o seu registo para efeito da certificação.

Quanto às medidas não farmacológicas, nomeadamente, o uso de máscara em espaços fechados, manutenção do distanciamento físico, higienização das mãos, incentivo à testagem e à vacinação (quer seja das crianças entre os 5 e os 11 anos ou do reforço vacinal) estas devem ser mantidas. Além disso, os especialistas apelam a uma comunicação clara dos governantes e defendem que deve ser prestada uma “informação de fácil acesso nomeadamente sobre as viagens ou para trabalhadores em unidades de lares de idosos”. Especificamente sobre as máscaras dizem que deve ser incentivado o uso de máscara cirúrgica ou FPP2, ao invés das máscaras sociais, já que têm uma “menor capacidade protetora”.

Por outro lado, e por forma a minimizar a pressão que se está a verificar nos hospitais devido ao aumento dos casos, Raquel Duarte defende que deve ser promovida a realização de “testes rápidos no momento da consulta médica”, bem como facilitar os inquéritos epidemiológicos por via digital. O objetivo é reduzir a carga do Trace Covid na atividade dos médicos de Medicina Geral e Familiar, não descurando o “contacto célere e direto perante sinais de agravamento” e “-prestar a atenção necessária aos doentes não Covid”, elencou a antiga secretária de Estado.

Além disso, os especialistas consideram fundamental existir uma maior aposta na existência de planos de contingência, de forma a permitir uma “maior flexibilidade” de de resposta “em tempo útil” de os hospitais se adaptarem, nomeadamente no que respeita a UCI.

Nível de alerta prevê novos limites à lotação de restaurantes e eventos

Apesar de defenderam que no contexto atual as medidas mais restritivas devem ser aliviadas, defendem que estas devem ser reforçadas caso Portugal atinja o nível de alerta. Para tal, os especialistas definem como “linha vermelha” que se chegue aos 70% do limite definido como crítico de 255 camas em UCI (ou seja 179 internamentos em UCI), “sendo que o valor a considerar seria uma média a cinco dias” e um índice de transmissibilidade (RT) superior a 1.

Neste nível de alerta, os especialistas propõem uma série de medidas gerais, que se juntam às anteriores, e que incluem a obrigatoriedade do teletrabalho sempre que possível e diminuição da lotação no local de trabalho, testagem regular e promoção de horários desfasados. Quanto aos restaurantes, é proposto uma limitação da lotação com um máximo de seis pessoas, priorizar esplanadas e a circulação obrigatória de máscara.

No que diz respeito aos grandes eventos e centros comerciais, neste nível é recomendado que haja uma redução da lotação para 75% e que existam circuitos de circulação bem definidos, já nos convívios familiares é imposto um limite de dez pessoas e aconselhado que haja uma autoavaliação do risco, uso de máscara (excetuando as refeições) e a testagem prévia. Quanto aos casamentos e batizados, estes não devem exceder os 100 convidados e deve também ser feita uma avaliação de risco e testagem prévia.

Para os transportes públicos e TVDE (ubers, por exemplo) a proposta é que a lotação seja também reduzida a 75% e que os passageiros voltem apenas a utilizar os bancos traseiros. Por fim, nas viagens é aconselhado que se evitem viagens para locais de risco e que se cumpram os regulamentos sanitários internacionais.

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