GoParity quer investir 14 milhões em 2022 e expandir. Já tem projetos no Uganda e Quénia

Já com projetos no Uganda e Quénia, a plataforma quer expandir a sua presença em África. Mas não só. Duplicar investimento e número de utilizadores são o objetivo para 2022.

Go Parity, plataforma de investimento que promove projetos sustentáveis facilitando o acesso a novas oportunidades éticas. Retratos da equipa na Casa do Impacto, Lisboa.

A GoParity, plataforma de financiamento colaborativo de projetos de impacto social e ambiental, quer investir este ano 14 milhões de euros em projetos sustentáveis e duplicar o número de utilizadores, para 38 mil. Com projetos já no Uganda e Quénia, a plataforma quer ainda expandir a sua presença em África. Mas não só.

“Já temos vários projetos no Uganda e no final de 2021 lançamos o nosso primeiro projeto no Quénia. Queremos dar oportunidade a quem quer fazer escolhas mais éticas de investimento de usar o seu dinheiro também noutros continentes, aumentando a nossa presença internacional”, adianta Nuno Brito Jorge, CEO da GoParity, à Pessoas.

Em África, a comunidade de investidores de impacto já investiu 400.000 euros em vários projetos no Uganda, para financiar energia renovável em cooperativas lácteas. “O desafio nesta região é particularmente interessante: a eletricidade é maioritariamente produzida por geradores a carvão e gasolina e a rede elétrica não é confiável, pelo que o impacto da energia renovável vai muito além da descarbonização — o acesso a energia confiável a preços acessíveis destas cooperativas contribui, por exemplo, para reduzir o desperdício alimentar, com impacto na saúde e emprego local. O potencial e oportunidades têm, por isso, uma escala maior, com impacto social, ambiental e económico que contribui diretamente para a prosperidade da região”, explica Nuno Brito Jorge.

“Sentimos um grande interesse da nossa comunidade de investidores que absorveu rapidamente o investimento necessário para a exequibilidade dos projetos, e também de novos parceiros que pretendem desenvolver projetos similares na região. Temos, por exemplo, uma parceria com uma empresa holandesa com presença local no Uganda; e com uma plataforma de crowdlending alemã que financia projetos no Quénia“, continua.

“A estratégia passa por estabelecer parcerias, com entidades que compreendem o enquadramento legal local, financiando empresas sediadas na Europa que tenham atividade em África”, adianta o CEO da GoParity. “Fora da Europa, temos um parceiro com sede no Reino Unido, que financia projetos no Peru e no Equador, e um parceiro sediado na Suécia com projetos na Colômbia e no Brasil”, revela ainda.

Num ano a plataforma viu praticamente duplicar o investimento realizado, de 3,5 milhões em 2020 para 6,5 milhões até ao final do ano passado. Ou seja, só em 2021 ultrapassou-se o volume de investimento angariado nos quatro anos de atividade anteriores (3,8 milhões), tendo o marco dos 10 milhões de euros sido superado. “Na GoParity já foram financiados 142 projetos, num total de 10,4 milhões de euros investidos desde a abertura da empresa (em 2017)“, precisa o CEO.

Neste ano, a ambição é duplicar novamente o montante investido, ou seja, chegar aos 24 milhões de euros investidos, 14 milhões investidos ao longo do ano de 2022.

Projetos na área de saúde, educação, agricultura, moda ecológica, mobilidade eléctrica, energias renováveis, economia azul, aquicultura sustentável, cooperativas e regeneração, e em países como Portugal, Espanha, Itália, Reino Unido, Lituânia, Brasil, Colômbia, Peru, Equador, Uganda.

Dos 10,2 milhões de euros emprestados, mais de 2,8 milhões de euros já foram devolvidos aos seus investidores (com juros), face a 700 mil euros em 2020. Até à data, não há nenhuma falência entre os promotores financiados, diz a GoParity.

“Neste ano, a ambição é duplicar novamente o montante investido, ou seja, chegar aos 24 milhões de euros investidos, 14 milhões investidos ao longo do ano de 2022”, refere o gestor.

O número de utilizadores particulares ou empresas inscritos na plataforma quase duplicou de 2020 para 2021: de 9.146 para 18 mil. “A ambição para 2022 é novamente duplicar este número e atingir 38 mil utilizadores registados na plataforma até dezembro de 2022. Há 69 nacionalidades entre os perfis, mas as que representam a maior fatia são a nacionalidade portuguesa, a espanhola, a italiana, a brasileira e a holandesa”, detalha.

Ajudar as empresas a compensar emissões com investimento

Entre os objetivos da startup está ainda cativar mais investimento corporativo, tendo para isso já lançado um esquema voluntário de compensação de emissões de carbono e um modelo de oferta de investimentos de impacto como incentivo aos colaboradores.

Ao nível da compensação voluntária de emissões de carbono, a GoParity desenvolveu uma ferramenta que permite às empresas calcular o dióxido de carbono emitido pelo transporte das suas encomendas (no caso de empresas com comércio online), frota de carros e viagens de avião dos colaboradores em viagens, ou pelo consumo de energia dos seus escritórios. E, com isso, as empresas podem ficar a saber qual o valor a investir em projetos de sustentabilidade que evitam a emissão de CO2 na plataforma para compensar a pegada de carbono.

“As empresas comprometidas com a sustentabilidade podem compensar a sua pegada carbónica com a vantagem de isto não representar um custo para a empresa, mas um investimento que é recuperado ao longo dos anos segundo os planos definidos com juros. Além disso, o dinheiro pode ser reinvestido, aumentando o potencial de compensação. É um impacto real e circular para as empresas que investem, para as empresas investidas para o ambiente e para as pessoas impactadas positivamente pelos projetos“, explica o responsável.

“O “dia de sobrecarga da Terra” (o dia em que a humanidade consome tantos recursos quanto o nosso planeta pode gerar num ano) aconteceu no mesmo dia em 2021 que em 2019. Os dados parecem apontar que fomos rápidos a voltar para onde estávamos antes da pandemia. No entanto, o nosso recente crescimento mostra que há cada vez mais dinheiro a ser investido com impacto positivo. A sustentabilidade parece estar a tornar-se mainstream e as empresas querem fazer parte desta mudança”, reforça.

Com impacto positivo na própria atração e retenção de colaboradores. “Uma empresa com valores fortes que cultiva um sentimento de propósito consegue alinhar pessoas de todas as gerações e potenciar o seu melhor desempenho. Pessoas que sentem que fazem a diferença com o seu trabalho ficam mais tempo nas empresas“, defende o CEO da GoParity.

“Várias empresas que já demonstraram interesse na ferramenta. A Loja do Zero foi a primeira a aderir”, adianta quando questionado sobre a adesão das empresas a esta proposta.

No total, os mais de 140 projetos já financiados pela GoParity evitam a emissão de 22,2 mil toneladas de dióxido de carbono todos os anos (o equivalente à capacidade de absorção de 1 milhão de árvores), já impactaram positivamente 61 mil pessoas direta e indiretamente e criaram mais de 4.500 postos de trabalho em dez países do mundo, um número que pretendem aumentar em 2022.

“É difícil prever o impacto ao nível de pessoas e de criação de postos de trabalho. Em 2021, duplicamos estes valores. Por exemplo, os projetos Heróis da Sala de Aula e Escolas de Heróis sozinhos impactaram a vida de 20.000 alunos e professores”, lembra Nuno Brito Jorge quando instado a adiantar os objetivos para 2022.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

GoParity quer investir 14 milhões em 2022 e expandir. Já tem projetos no Uganda e Quénia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião