Publicidade exterior no Porto muda de mãos. Cidade encaixa 37 milhões

Grupo gaiense dreamMedia ganhou por 15 anos o exclusivo da zona central da cidade do Porto para instalação e exploração publicitária de mobiliário urbano. Um dos cinco lotes a concurso.

A publicidade exterior no Porto vai mudar de mãos, depois de 40 anos a ser assegurada em exclusivo pela JC Decaux. A mudança surge depois do concurso levado a cabo pela Câmara Municipal do Porto (CMP), cuja nova concessão foi ganha por novos operadores. Agora, a empresa francesa de publicidade exterior terá de dividir a cidade com a dreamMedia, MOP e Brand Exposure, entre outras. A nova concessão, cuja atribuição foi aprovada pela CMP no início da semana, representa um encaixe de cerca de 37 milhões de euros.

O grupo dreamMedia ganhou por 15 anos o exclusivo da zona central da cidade do Porto para instalação e exploração publicitária de mobiliário urbano, por 13 milhões de euros, sendo este o lote com o valor anual mais elevado dos cinco lotes a concurso. O grupo gaiense compromete-se a investir 20 milhões de euros na concessão.

“É um marco histórico, não só para a dreamMedia mas também para o município do Porto. Ser uma empresa 100% portuguesa a vencer o segundo maior contrato do país, que inclui o exclusivo do centro do Porto, onde se inserem locais icónicos como Aliados, Clérigos ou Boavista, é um motivo de orgulho”, afirma Ricardo Bastos, CEO da dreamMedia.

De acordo com o grupo gaiense, o contrato de concessão prevê a instalação de 300 abrigos de passageiros, 220 mupis e uma forte componente de equipamentos digitais, num investimento de sete milhões de euros por parte da dreamMedia.

Este é o segundo maior contrato de concessão de mobiliário urbano e publicidade exterior do país, depois de Lisboa, cujo concurso está em tribunal, e a primeira vez que a Câmara Municipal do Porto lança um concurso nesta área. Dividido em lotes, o modelo do concurso representou o fim do monopólio da francesa JC Decaux na cidade, onde durante mais de 40 anos operou em exclusivo a publicidade outdoor.

Na segunda-feira a Câmara do Porto aprovou — com o voto favorável dos vereadores do movimento independente de Rui Moreira, do PSD, PS e da vereadora independente, com a abstenção do BE e com o voto contra da CDU — a adjudicação da concessão para a instalação, manutenção e exploração da publicidade em mobiliário urbano, divida por cinco lotes, noticiou a Lusa.

“O lote I foi adjudicado por 13 milhões de euros à empresa Alargambito II, Mobiliário Urbano, Lda., cuja titularidade é detida pela dreamMedia Portugal, e abrange todos os abrigos e suportes publicitários de pequeno formato, tipo mupi, localizados no perímetro interior da Via de Cintura Interna (VCI)”, descreve a agência noticiosa.

O lote II foi adjudicado por 11,1 milhões de euros à JC Decaux, o lote III à Brand Exposure por 10,5 milhões, o lote IV à MOP por 1,2 milhões e o lote V à Exibopinião por 1,1 milhões.

“O segundo lote, idêntico ao primeiro, inverte apenas a localização para toda a área exterior à VCI no concelho do Porto e no lote 3 estão consignados os suportes publicitários de médio formato do tipo painel. Os suportes publicitários de grande formato do tipo outdoor foram repartidos entre os lotes 4 e 5″, refere ainda a agência Lusa

Concurso envolto em contestação

O concurso na cidade, à semelhança de Lisboa, também tem estado envolto em contestação judicial. Na quarta-feira, o Jornal de Notícias noticiou que o Tribunal Administrativo do Porto “indeferiu” a providência cautelar, interposta em junho do ano passado, pela JCDecaux, para impugnar o concurso de concessão de publicidade.

No mesmo dia, o jornal Público dava nota de que a JC Decaux “continua a pedir a anulação do procedimento concursal, alegando agora existirem irregularidades no estudo económico preconizado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEP), que definiu a divisão e o valor dos lotes disputados por várias empresas do setor”.

Entende a empresa francesa que no “estudo não existe qualquer análise custo-benefício, que considera obrigatório, e por isso pretende ver o concurso anulado, tendo já reclamado na plataforma Acingov – onde decorreram as tramitações concursais propostas”.

Ao mesmo jornal a dreamMedia disse entender não existir “qualquer motivo” para a anulação do concurso. O grupo gaiense alega que a JC Decaux “não quer de forma alguma que este concurso chegue a bom porto”, nem quer “partilhar o mercado com outras empresas”, acusando a empresa francesa de “travar a entrada de PME” no mercado “em todos os concursos que foram lançados na área”, de forma a “manter o antigo monopólio de publicidade que detinha”.

“Digital, inovadora e ambiciosa é a proposta de valor que a empresa pretende implementar no Porto, onde se distingue por peças de mobiliário urbano da mais alta qualidade e com design diferenciador, que prometem tornar o Porto a cidade mais digital do país no que concerne ao mobiliário urbano, permitindo posicionar a oferta da dreamMedia ao nível das maiores cidades internacionais”, conclui Ricardo Bastos.

Uma presença que está a ser reforçada desde que em abril do ano passado entrou no mercado do mobiliário urbano em Portugal e “tornou-se no primeiro e único operador português nesse setor, tendo vencido desde então os maiores concursos de mobiliário urbano lançados no país, nomeadamente em Vilamoura, Maia e Torres Vedras”, segundo a empresa.

O grupo dreamMedia, que em outubro, lançou a primeira rede nacional de painéis digitais para publicidade no exterior, um investimento inicial de cinco milhões de euros, emprega cerca de uma centena de pessoas, tendo faturado dez milhões de euros no ano passado.

Criado em 2016, o grupo nortenho é um dos maiores operadores de publicidade outdoor do país, composto pela BIGoutdoors (monopostes e formatos gigantes) e pela dreamMedia (outdoors, meios de ativação e roadshow). Tem operações também em Moçambique, mas é no mercado doméstico que tem já presença em 170 municípios dos 18 distritos.

(notícia atualizada: 37 milhões de encaixe é durante os 15 anos de concessão e não o valor anual)

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