Novobanco inicia análise interna a António Ramalho após escutas comprometedoras

O conselho geral e de supervisão do Novobanco confirma que está a realizar uma "análise independente" à atuação de António Ramalho que foi apanhado em escutas comprometedores no caso de Vieira.

O conselho geral e de supervisão do Novobanco, onde têm assento nomes escolhidos pelo acionista Lone Star, confirmou esta sexta-feira que avançou com uma “análise independente” à atuação de António Ramalho em relação a Luís Filipe Vieira, na sequência das escutas feitas no âmbito da Operação Cartão Vermelho, reveladas nas últimas semanas pelos jornais, e que podem comprometer o CEO do banco. Os resultados desta análise vão ser partilhados com o Banco Central Europeu (BCE), que também já disse que está a investigar o assunto.

Vale a pena recordar que, numa das escutas, António Ramalho surge a combinar uma reunião com o ex-presidente do Benfica — dono do grupo económico Promovalor, um dos grandes devedores do Novobanco — para ajudar a prepará-lo para a audição na comissão de inquérito ao banco que ia ter dentro de dias, em maio do ano passado.

Noutra escuta diz ao ex-administrador Vítor Fernandes que Rui Fontes, seu colega na administração, estava a ser preparado por uma agência de comunicação no sentido de dificultar os trabalhos dos deputados que procuravam perceber a origem das perdas geradas pelo banco e imputadas ao Fundo de Resolução. “Vai monocórdico e chato, porque os gajos não vão perceber nada do que ele vai dizer”, disse Ramalho a Fernandes.

Há ainda outro assunto comprometedor para o Novobanco que as escutas mostraram: a instituição financeira tentou fechar um negócio de compra e venda de imóveis, com prejuízo para o banco, e onde se procurou ocultar o nome de Luís Filipe Vieira ao Fundo de Resolução para que este desse aval à operação. Pelo meio, houve subornos a funcionários do banco a troco de informações. “Surreal”, foi o que considerou o inspetor tributário que integra a investigação sobre o que estava a acontecer.

Seriedade e rapidez na análise

Estas escutas foram reveladas pela Sábado e pela CNN há duas semanas e agora o conselho geral e de supervisão, que tem por missão fiscalizar a administração de Ramalho, esclarece que avançou logo a 7 de janeiro com uma análise independente e está a olhar para o assunto “com seriedade”. A investigação decorre “de forma pormenorizada, rigorosa, e baseada em factos e nas informações disponíveis”, acrescenta.

Byron Haynes, presidente daquele conselho, adianta ainda em comunicado que tal análise independente “estará concluída de forma atempada e exaustiva” e que “a abordagem, os resultados e a documentação relevante de suporte desta análise serão partilhados com o BCE, numa base contínua e quando completa”.

António Ramalho já teve oportunidade de se explicar publicamente. Em relação ao encontro com Vieira, disse que se tratou de uma “conversa rápida” e que queria fazer saber ao ex-presidente do Benfica que o Novobanco estava disponível para dar a informação sobre o seu processo e dar ainda uma sugestão: não fazer perante os deputados “as cenas de não saber, não conhecer e de não perceber o que é que se passa”.

Também recusou que a ideia de “instrumentalização” de uma comissão de inquérito onde os depoimentos são feitos dentro do quadro do Código Penal.

Já o Fundo de Resolução disse ao ECO estar atento e à espera de desenvolvimentos do BCE.

Eis o comunicado na íntegra:

O Conselho Geral e de Supervisão (“CGS”) do Novobanco e os seus órgãos competentes confirmam que iniciaram imediatamente a 7 de janeiro de 2022 uma análise independente dos conteúdos divulgados na imprensa nas últimas três semanas relativos à “Operação Cartão Vermelho”.

O CGS confirma que os assuntos abordados relacionados com a “Operação Cartão Vermelho” estão a ser analisados com seriedade e que a análise independente está a ser efetuada de forma pormenorizada, rigorosa, e baseada em factos e nas informações disponíveis ao CGS e ao Novobanco.

A análise independente estará concluída de forma atempada e exaustiva, através de um procedimento adequado. A abordagem, os resultados e a documentação relevante de
suporte desta análise serão partilhados com o Banco Central Europeu (“BCE”), numa base continua e quando completa.

O CGS destaca os primeiros nove meses de Atividade e Resultados do Grupo novobanco de 2021, publicados a 28 de outubro de 2021, confirmando o terceiro trimestre de resultados positivos. O novobanco está na trajetória da rentabilidade, do crescimento e preparado para apoiar as empresas e a economia nacional. O desempenho operacional alcançado pelo novobanco e os resultados financeiros positivos demonstram um crescimento sustentável do negócio.”

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