Inflação em Portugal acelera para 3,3% em janeiro, um máximo de fevereiro de 2012

A taxa de inflação acelerou em Portugal para 3,3% em janeiro, após se ter fixado em 2,7% em dezembro. Os preços estão a subir ao ritmo mais elevado em dez anos.

A taxa de inflação acelerou em Portugal no início do ano. Em janeiro, os preços subiram mais, com uma taxa de crescimento de 3,3%, o valor mais elevado desde fevereiro de 2012 (3,6%). Em dezembro, a taxa de inflação tinha-se fixado em 2,7%, mas é de notar que a taxa anual em 2021 foi de apenas 1,3%. A previsão do Governo para a taxa de inflação em 2022, segundo o Orçamento do Estado para 2022, era de 0,9%, a qual deverá ter de ser atualizada em alta.

Tendo por base a informação já apurada, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) terá aumentado para 3,3% em janeiro de 2022 (2,7% em dezembro de 2021)“, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta segunda-feira. Esta aceleração no arranque de 2022 era expectável, sendo as previsões apontam para que as subidas dos preços desacelerem na segunda metade do ano.

Porém, como uma parte significativa da inflação é justificada pelo aumento do preço da energia, a inflação core é menor: “O indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) terá registado uma variação de 2,5% (1,8% no mês anterior), verificando-se acelerações nos preços da generalidade das categorias que compõem o IPC”, refere o INE. É de notar que a inflação subjacente já está acima dos 2%.

Fonte: INE

A influência dos preços da energia continua a ser assinalável, apesar de o aumento dos preços começar a ser mais abrangente. O gabinete de estatísticas revela que a taxa de variação homóloga do índice relativo aos produtos energéticos foi de 12% em janeiro, acima dos 11,2% registados em dezembro. No caso dos produtos alimentares não transformados, o crescimento também acelerou de 3,2% para 3,4%.

A variação média da taxa de inflação nos últimos doze meses é de 1,5%, o que deverá levar o Governo PS — com a maioria absoluta deste domingo, António Costa continuará a ser primeiro-ministro — a rever em alta a estimativa que tinha no OE2022: apenas 0,9% em 2022, a mesma taxa que estimavam para 2021 (o valor final foi 1,3%).

Na comparação de Portugal com a União Europeia, é utilizado o IHPC (Índice Harmonizado de Preços no Consumidor) em vez do IPC (Índice de Preços no Consumidor). Nesse indicador, a inflação fixa-se ligeiramente acima, nos 3,4% em janeiro, face aos 2,8% em dezembro. Esta quarta-feira o Eurostat irá divulgar a estimativa rápida para a taxa de inflação na Zona Euro, a qual determina a ação do Banco Central Europeu — que reúne-se esta quinta-feira — em termos de política monetária.

Os dados definitivos sobre a evolução dos preços em janeiro de 2022 serão divulgados a 10 de fevereiro pelo INE.

Transportes, restaurantes e hotéis voltam a pesar mais

O INE revela nesta destaque que a “a estrutura de ponderação subjacente ao IPC/IHPC para o ano 2022 sofreu alterações relevantes num conjunto de categorias refletindo a utilização de informação preliminar das Contas Nacionais, em linha com as recomendações feitas neste domínio pelo Eurostat”. Ou seja, mudou o peso de cada item no cabaz de bens e serviços que o gabinete de estatísticas usa para medir a evolução dos preços em Portugal.

Entre as alterações, o destaque vai para o aumento do peso relativos dos transportes, restaurantes e hotéis, “compensando parcialmente as fortes reduções ocorridas no ano anterior” uma vez que com a pandemia os portugueses tinham reduzido os gastos nestas categorias.

“As referidas recomendações decorrem da necessidade de incorporar de forma mais tempestiva as alterações na estrutura de consumo final das famílias observadas em 2021 decorrentes dos impactos assimétricos determinados pela pandemia COVID-19 ao longo do tempo”, refere ainda o INE, indicando que dará mais detalhes sobre estas alterações a 10 de fevereiro.

(Notícia atualizada às 11h31 com mais informação)

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