Mulheres, part-time e contratos temporários. O rosto dos trabalhadores do turismo na UE

Em 2020, a maioria dos trabalhadores do turismo eram mulheres, em regime de parti-time, com contratos temporários e baixos níveis de escolaridade, conclui o Eurostat.

O turismo foi um dos setores mais afetados pela pandemia, deixando muitos trabalhadores sem emprego. Ao mesmo tempo, o setor lida com a escassez de mão-de-obra e equaciona mesmo recrutar fora do país, como é o caso da hotelaria. O Eurostat desenhou um retrato do trabalhador turístico na União Europeia (UE) em 2020 e percebeu que a maioria são mulheres, em part-time e com contratos temporários.

Ao fazer esta análise, o Eurostat teve em conta os trabalhadores na área do alojamento, transporte aéreo, operadores turísticos e agências de viagens. A primeira conclusão foi que o setor empregava mais trabalhadores do sexo feminino do que do sexo masculino. Ou seja, 58% são mulheres, contrariando a tendência das restantes atividades económicas, em que os homens estão em maioria (54%).

A maioria dos trabalhadores (18%) do setor turístico tem um baixo nível de escolaridade (comparando com 17% dos trabalhadores nas restantes atividades económicas). A maior fatia são trabalhadores estrangeiros (13%) e jovens (9%).

Retrato do mercado de trabalho no setor do turismo na União Europeia em 2020. | Fonte: Eurostat

Em 2019, o peso dos trabalhadores estrangeiros e jovens era ainda maior — 15% e 11%, respetivamente. “A diminuição deste peso de 2019 para 2020 deveu-se, provavelmente, a limitações nos movimentos transfronteiriços para potenciais novos trabalhadores estrangeiros e a uma transição mais difícil da escola para o mercado de trabalho, enquanto a atividade turística estava em grande parte suspensa”, refere o Eurostat.

Voltando à análise, o mercado de trabalho do turismo na UE caracteriza-se ainda por percentagens relativamente elevadas de empregos em regime de part-time (23%), acima da percentagem observada nas restantes atividades económicas (19%). Predominam os contratos de trabalho temporários (18%) e o número médio de anos de um trabalhador no setor encurtou — 29% mantêm o seu atual emprego há menos de dois anos.

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