Tem carro elétrico? Carregar bateria com a EDP vai ficar 11,3% mais caro em 2022

A EDP justifica o aumento dos preços com o fim do apoio financeiro dado pelo Governo "para cobertura dos custos associados com a utilização das redes do setor elétrico para a mobilidade elétrica".

Se nas bombas de combustíveis, a gasolina e o gasóleo já registam sete semanas consecutivas de subidas dos preços (com o diesel já a tocar nos 1,7€ por litro e a gasolina nos 1,82€/l), muito por conta das cotações do barril de petróleo a rondar os 90 dólares, os utilizadores de veículos elétricos também não estão a ter a vida facilitada em 2022.

Sobretudo aqueles que não podem carregar a bateria do carro em casa e dependem da rede pública de carregamento e de um contrato com um comercializador de energia para a mobilidade elétrica.

Depois de todas as empresas já terem anunciado aumentos nos preços das tarifas de eletricidade para os carros elétricos, que podem ir até 35%, como adiantou o ECO/Capital Verde, agora foi a vez de a EDP enviar uma carta aos clientes dando conta de uma subida de 11,3% no preço da energia, que passa a valer 0,2394 euros por kWh a partir de 22 de fevereiro. Para quem tem contrato com a EDP Comercial (luz e/ou gás em casa) é aplicado 20% de desconto e o preço de referência da eletricidade no carregamento passa a 0,1915 euros por kWh.

“Apesar destas alterações, a tarifa da EDP Comercial manter-se-á competitiva para os clientes, de forma a promover a transição para a mobilidade elétrica”, disse ao ECO/Capital Verde fonte oficial da EDP Comercial.

Recentemente, a elétrica respondeu apenas que estava ainda a “analisar as consequências que as decisões [do Governo] irão ter na sua estrutura tarifária, porque estes efeitos têm um impacto direto no valor da energia a pagar pelos clientes de mobilidade elétrica“. A empresa refere-se, por um lado, ao “financiamento do Fundo Ambiental para eliminar o aumento das tarifas da Entidade Gestora da Mobilidade Elétrica” e, por outro, ao fim do apoio financeiro dado pelo Governo “para cobertura parcial dos custos associados com a utilização das redes do setor elétrico para a mobilidade elétrica”.

Na carta aos clientes, a Galp também justifica o mesmo: em despacho do Governo “é retirado o apoio existente sobre as tarifas de acesso às redes da mobilidade elétrica que vigorou até 31 de dezembro de 2021″ (ver valores na tabela abaixo).

Outras justificações dos comercializadores passam pelo aumento exponencial dos preços de energia no mercado grossista (de um valor médio, entre 2007 e 2020, de 50 €/MWh para valores acima dos 200 €/MWh), que não foi compensado pela forte descida, de quase 50% em média, da Tarifa de Acesso às Redes (TAR) da Mobilidade Elétrica para 2022.

Entretanto, a Galp já deu conta de um aumento entre 12,4 e 16% nos preços em 2022 e a Iberdrola diz que prevê ajustar os tarifários para mobilidade elétrica a 1 de fevereiro: para clientes sem contrato de energia o aumento rondará os 35%, mas para os clientes com contrato a diferença será de aproximadamente 15%.

À semelhança de outros players do setor, também “a Prio teve necessidade de ajustar a tarifa de eletricidade para a mobilidade elétrica no início de 2022″, mas não revelou o aumento aplicado.

Quanto à Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE), diz que “é difícil de quantificar um valor médio exato para os aumentos dos preços, até porque estão a acontecer alguns reajustes nos tarifários de alguns Comercializadores de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica (CEME), mas o valor líquido do aumento da energia em 2022 andará entre os 7% e os 10%”.

Governo e utilizadores de carros elétricos são vozes contra aumentos generalizados

Quem não concorda com estes aumentos de preços na eletricidade para a mobilidade elétrica em 2022 é o Governo, defendendo que nenhuma das razões apresentadas pelas empresas “tem qualquer influência sobre o preço da eletricidade que é cobrado pelos comercializadores de eletricidade para a mobilidade elétrica (CEME)”.

Relativamente à Tarifa de Acesso à Rede (TAR), diz fonte do MAAC, que “o valor definido pela ERSE apresenta uma redução muito significativa para 2022 quando comparado com 2021, verificando-se variações entre -18% e -67% (consoante o nível de tensão e o tipo de tarifa), contrabalançando o aumento do preço da eletricidade”.

Quanto à UVE, considera que “os tarifários cobrados na rede pública nacional são demasiados elevados face aos carregamentos dos veículos elétricos feitos em casa”, já que na rua, há que suportar a taxa do Operador de Posto de Carregamento (OPC) e ainda a tarifa da Entidade Gestora da Mobilidade Elétrica (EGME), que a ERSE aumentou este ano para 0,2964 euros por carregamento. No entanto, o Governo decidiu intervir e através do Fundo Ambiental reduziu esse valor para apenas 0,035 euros por carregamento.

E também não concorda com a forma como essa tarifa EGME é paga (por sessão de carregamento em vez de estar diluída na energia consumida) e com o seu valor, “que onera desproporcionalmente o pequeno universo atual de utilizadores face a uma estrutura que irá servir no futuro um número de utilizadores dezenas de vezes superior, diluindo consideravelmente mais os seus custos operacionais”.

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