Depois da Fed, Banco de Inglaterra também sobe juros para travar inflação

Banco central britânico subiu os juros de referência pela terceira reunião seguida, para 0,75%. Mas contrariou expectativas do mercado ao suavizar linguagem sobre o rumo da política monetária.

Andrew Bailey, governador do Banco de Inglaterra.Banco de Inglaterra/Flickr

O Banco de Inglaterra subiu as taxas de juro pela terceira reunião consecutiva, tal como era esperado pelo mercado, num esforço para combater o pico de inflação, mas suavizou a sua linguagem quanto à necessidade de mais subidas a partir de agora.

Oito dos nove membros do Comité de Política Monetária votaram a favor de uma subida de 25 pontos base de 0,5% para 0,75%, isto depois de a Reserva Federal norte-americana ter agravado o preço do dinheiro esta quarta-feira pela primeira vez desde 2018, dando início de um novo ciclo nos EUA. O Banco Central Europeu (BCE) é dos grandes bancos centrais que ainda não mexeu nos juros.

O vice-governador Jon Cunliffe votou no sentido de uma manutenção das taxas de referência do Banco de Inglaterra, alertando para um forte impacto que os elevados preços das matérias-primas vão ter na procura.

A inflação deverá atingir quase 8% em abril, de acordo com as previsões do banco central britânico, o que representa uma subida de quase um ponto percentual em relação à anterior projeção do último mês e quase quatro vezes mais do que o objetivo de 2% para assegurar a estabilidade dos preços. O Banco de Inglaterra avisou que a inflação poderá subir ainda mais até final do ano.

Ainda assim, os responsáveis de política monetária contrariaram as expectativas dos investidores em relação a mais subidas dos juros. O mercado estava a apontar para uma taxa de referência perto dos 2% no final deste ano. O Banco de Inglaterra suavizou a sua linguagem quanto à necessidade de mais subidas a partir daqui.

O Comité considerou que algum aperto modesto adicional pode ser apropriado nos próximos meses, mas havia riscos dos dois lados nessa avaliação, dependendo da forma como as perspetivas vão evoluir no médio prazo”, disse o Banco de Inglaterra. No mês passado o comité era mais claro a dizer que um aperto modesto adicional “provavelmente será apropriado”.

Condenando o ataque “não provocado” da Rússia contra a Ucrânia, a 24 de fevereiro, o Banco de Inglaterra explicou que o conflito fez acelerar os preços da energia e outras matérias-primas, incluindo bens alimentares, e deverá também “exacerbar as disrupções das cadeias logísticas globais”, que já estavam com problemas com a saída da pandemia.

Tudo resulta agora numa maior incerteza para as perspetivas económicas, avisou, considerando que as pressões inflacionistas globais deverão aumentar nos próximos meses e afetar o crescimento das economias que são importadores líquidos de energia, incluindo o Reino Unido.

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