Rui Moreira acusa Governo de transformar TAP numa “companhia regional” de Lisboa

  • Lusa
  • 2 Abril 2022

Rui Moreira considerou “péssimo para a região” a diminuição de rotas da TAP a partir do Porto e acusa o Governo de querer transformar a empresa numa “companhia regional” para servir o hub de Lisboa.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou este sábado o Governo de querer transformar a TAP numa “companhia regional” para servir o hub de Lisboa e a transportadora de “abandonar mais uma vez” o aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Em declarações à Lusa, Rui moreira considerou “péssimo para a região” a diminuição de rotas da TAP a partir do Porto, considerando que é “tempo de juntar esforços” e lançou o repto ao PS/Porto para que “puxe dos galões” e diga se é ou não cúmplice da opção da TAP de diminuir a presença no Norte do país.

Para o autarca portuense, os portugueses têm que pensar “se se sentem bem” em “pagar a fatura” para que o Governo transforme a TAP numa “companhia regional” para servir Lisboa, lembrando o custo o erário público que a transportadora aérea representa.

Na edição deste sábado, o Jornal de Noticias dá conta que face ao verão de 2019 a TAP vai operar menos sete rotas e oferecer menos 705 mil lugares a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, ao contrário das principais companhias internacionais que reforçam a presença a partir do Porto.

“Reajo [à diminuição de rotas e lugares] com muita preocupação, isto é péssimo para a região, para a cidade, numa altura em que precisávamos que as companhias aéreas, e a TAP em particular, estivessem a atuar mais e a oferecer mais rotas a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro”, afirmou Rui Moreira.

No entanto, o autarca apontou que “nada disto” o admira: “Eu tenho vindo a afirmar, há muito tempo, que o único propósito do Governo é transformar a TAP numa companhia regional para servir o hub de Lisboa e Vale do Tejo”, disse.

“A questão diferente é se todos os portugueses se sentem bem em pagar a fatura desta empresa que, de facto, só serve Lisboa e Vale do Tejo como se fosse uma empresa de transportes regionais”, declarou.

O autarca salientou que “agora é tempo de juntar esforços” e, referindo que o “interesse público não se esgota em Lisboa”, Rui Moreira lançou o repto ao PS/Porto para “puxar dos seus galões e dizer se concorda com isto, se é cúmplice desta situação ou se está disposto a fazer barulho”.

Rui Moreira considerou ainda que ao financiar a TAP com quatro mil milhões de euros se está a “criar aqui uma distorção no mercado” porque se está a “subsidiar uma companhia que tenta atrair para Lisboa” rotas que de outra maneira viriam para o Porto.

“Há aqui um efeito de dupla indução, por um lado TAP não vem ao Porto, por outro lado está a subsidiar o transporte ao aeroporto de Lisboa, como é evidente, e estamos, portanto, a reduzir a competitividade do nosso aeroporto e a limitar também as companhias aéreas que gostariam de vir ao Porto e que poderiam vir, não fosse essa concorrência desleal”, alertou.

Moreira, além do alerta e do repto para que o parlamento discuta a questão da TAP, deixou um desejo. “Eu espero também que as pessoas do Norte que percebam que o hub Lisboa, da forma que está a ser feito, é altamente prejudicial à nossa economia e que também procurem através disso escolher alternativas e também que façam as suas escolhas”, disse.

PSD/Porto considera “completamente inconcebível” estratégia da TAP

A par do autarca portuense, também o presidente da Distrital do PSD do Porto, Alberto Machado, considerou ser “completamente inconcebível” a estratégia da TAP para o Aeroporto Sá Carneiro, acusando a transportadora de “concentrar a atividade quase em exclusivo” em Lisboa.

Em declarações à Lusa, Alberto Machado considerou que a TAP está a “abandonar as comunidades portuguesas” com ligação ao Norte ao deixar de operar do Porto para cidades como Zurique ou Bruxelas, criando “Portugueses de primeira e portugueses de segunda” pelo que “já não serve a Portugal”.

Para o líder do PSD/Porto a TAP, “paga por todos os portugueses”, está “a criar uma diferenciação que é completamente inadmissível”. Alberto Machado considerou “esta estratégia” da TAP “completamente inconcebível”, salientando que “tem que ser rapidamente redefinida”.

“Se somos todos a suportar os custos da TAP, todos temos que ser beneficiados de igual forma pela empresa. Se a TAP pretende operar apenas num determinado destino, então que se privatize a TAP porque a TAP já não serve Portugal, já não é a nossa empresa de bandeira”, apontou.

O social-democrata lembrou ainda a importância das rotas da TAP para as comunidades de imigrantes: “Pelas rotas que nos são dadas a saber que vão ser extintas ou reduzidas, Luxemburgo, Genebra, Londres, Zurique, ou Bruxelas, milhares de portugueses que trabalham na emigração vão deixar de ter ligação direta ao Norte de Portugal”, concluiu.

(Notícia atualizada às 16h24 com a reação do PSD/Porto)

 

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