Acionistas da Stellantis chumbam pacote salarial de 19 milhões de Carlos Tavares

  • Joana Abrantes Gomes
  • 14 Abril 2022

Acionistas da gigante automóvel rejeitaram a proposta de 19 milhões de euros para remuneração do CEO da Stellantis, o português Carlos Tavares, por considerarem o valor demasiado elevado.

Os acionistas da Stellantis rejeitaram na quarta-feira o pacote salarial de 19 milhões de euros do CEO da fabricante de automóveis, o português Carlos Tavares, assim como a remuneração de outros gestores. O chumbo deu-se depois de um investidor minoritário e alguns sindicatos franceses terem contestado o que consideram ser pagamentos demasiado elevados à gestão, noticia o Financial Times.

A proposta da administração da Stellantis mereceu 52,1% de votos contra e 47,9% de votos a favor. A administração da gigante automóvel, que resultou da fusão da PSA com a Fiat Chrysler, disse ter tomado nota do resultado da votação, mas não esclareceu como irá alterar a proposta, depois deste voto dos acionistas, que não é vinculativo.

“A empresa toma nota do feedback resultante do voto consultivo no Relatório de Remunerações, […] votado favoravelmente em 47,9% e contra em 52,1%, e irá explicar no Relatório de Remunerações de 2022 como esta votação foi tida em conta”, avançou a empresa num comunicado.

O pacote salarial do gestor português inclui ações da empresa, um incentivo por ter completado a fusão e uma componente fixa salarial de dois milhões de euros. Segundo o Financial Times, é um incremento de 17,6% face ao salário de Tavares em 2020, quando liderava a PSA, antes da fusão.

Ora, no início desta semana, o pacote salarial do gestor português foi criticado pela Phitrust, um grupo de investimento, que estimou, num relatório, que Carlos Tavares receberia, na verdade, um total de 66 milhões de euros em 2021, com base na estimativa de incentivos a longo prazo para os quais o gestor pode ser elegível. A empresa considerou o montante “indecente”.

A Stellantis, por seu lado, disse que o valor é “completamente falso”, uma vez que se baseava em objetivos até 2028 que Tavares ainda não atingiu e em cálculos baseados no preço atual das ações.

Também os sindicatos franceses criticaram a proposta salarial. Christine Virassamy, do CFDT francês, apelou aos políticos para “tomarem medidas” para limitar os salários dos executivos. “Estas situações contribuem e infelizmente levam as pessoas a tomar posições extremas nas eleições”, disse Virassamy, a pouco mais de uma semana da renhida corrida às presidenciais francesas, disputadas entre o Presidente em exercício, Emmanuel Macron, e a política de extrema-direita Marine Le Pen.

Questionado sobre o valor proposta para a remuneração do CEO da fabricante automóvel, o porta-voz do Governo francês, Gabriel Attal, disse na quarta-feira que cabia aos acionistas ter uma palavra a dizer, mas, numa conferência de imprensa, considerou que “estes não são números normais”.

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