Portugueses comeram mais e beberam menos no último mês

Estudo de mercado da Nielsen mostra comportamento dos portugueses nas diferentes categorias de bens de grande consumo, com mais mercearia e menos bebidas no carrinho de compras do supermercado.

A venda de bens de grande consumo em Portugal aumentou 3,7%, em termos homólogos, no período entre 28 de fevereiro e 27 de março, um período que coincidiu com o primeiro mês de guerra na Ucrânia.

De acordo com os dados fornecidos pela Nielsen, a progressão no total do primeiro trimestre deste ano ascendeu a 0,9%, assente na melhoria da performance nas marcas da distribuição (7,4%), uma vez que as chamadas marcas de fabricante até recuaram 2,9% em relação aos primeiros três meses do ano anterior.

A análise feita ao consumo nesta quadrissemana, terminada no final de março, mostra que a alimentação teve um crescimento de 5,6% — no trimestre, o destaque vai para a subida nos produtos de mercearia e laticínios (ambos com +2%) e para o decréscimo nos artigos congelados (-4%).

Já a categoria das bebidas afundou 10,1% durante o primeiro mês da invasão russa, com as marcas brancas a cresceram a um ritmo oposto ao das marcas dos fabricantes. No acumulado do primeiro trimestre, esta foi mesmo a categoria menos dinâmica de todas entre os bens de grande consumo, em especial por causa da quebra de quase dois dígitos nas bebidas alcoólicas.


No capítulo da higiene do lar, o mês de março foi de crescimento (4,9%) nos supermercados nacionais, novamente impulsionado pelas marcas dos distribuidores. Por outro lado, os dados do NielsenIQ Scantrends relativos às compras de artigos de higiene pessoal evidenciam um impulso de 14,5% neste mesmo período, face ao homólogo.

Foi a 24 de fevereiro que a Rússia lançou uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou quase dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior. O conflito já levou à fuga de quase 12 milhões de pessoas, com a generalidade da comunidade internacional a responder com o envio de armamento para Kiev e sanções económicas e políticas a Moscovo.

A guerra contribui também para fazer disparar os preços nos bens alimentares. Na última semana, o preço de um cabaz de produtos essenciais disparou mais de seis euros, o que representa uma subida de 3,46% face à semana anterior. Supera já os 200 euros, segundo as contas realizadas pela Deco Proteste e foi o quinto aumento semanal consecutivo.

O aumento de preços já se sente de forma mais acentuada noutras categorias, além da alimentação e da energia. Uma análise realizada pelo marketplace KuantoKusta, comparador de preços a nível nacional, identifica que as maiores subidas em março e abril, face aos primeiros dois meses do ano, aconteceram nos produtos de saúde e beleza (+12,8%), alimentação para bebés (+10,7%), produtos veterinários (+8,5%), higiene (+4,6%) e ração para cães (+2,6%).

Pandemia encheu o cesto de compra

No ano passado, em média, os portugueses foram um total de 138 vezes ao supermercado. E de cada vez que lá foram, acabaram por levar mais produtos para casa e gastaram também mais dinheiro do que era habitual antes da pandemia de Covid-19.

Um estudo da consultora de mercado Kantar mostra que, apesar de os indicadores terem baixado em relação ao primeiro ano da pandemia, as cestas de compras estão maiores (10,3 quilogramas por ato vs. 10,1 em 2019) e mais valiosas, com um gasto médio de 22 euros em cada compra, dois euros acima do nível pré-pandemia.

Por outro lado, a população reformada foi, em 2021, o único grupo que aumentou a sua penetração no canal online face ao ano anterior, tornando-se mesmo o maior grupo sociodemográfico em percentagem de compradores (25%), representando um quarto de todos os lares compradores.

A origem dos produtos é mais importante para os portugueses (74%) do que para a média dos países da Europa Ocidental (67%), especialmente para os designados eco-actives (89%), o segmento da população que toma mais ações no seu dia-a-dia pelo ambiente e que, de acordo com o estudo “Who Care Who Does”, da Kantar, em 2025 representará 50% da população portuguesa.

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