Economia dos EUA contrai 1,4% no primeiro trimestre e surpreende economistas

O Produto Interno Bruto da maior economia do mundo encolheu em 1,4% no primeiro trimestre, uma quebra que não era antecipada pela maioria dos economistas.

A guerra na Europa castigou a maior economia do mundo. O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA encolheu 1,4% no primeiro trimestre, em termos homólogos, a primeira contração desde o início da pandemia.

O recuo do PIB norte-americano apanhou muitos economistas de surpresa. O consenso recolhido pela Bloomberg apontava para um abrandamento do crescimento económico para 1%, depois da subida de 6,9% no último trimestre de 2021, ainda que alguns admitissem a hipótese de queda.

A quebra do PIB entre janeiro e março é explicada por um salto no défice comercial dos EUA, com as exportações líquidas a recuarem cerca de 4%, bem como a componente do inventário. A menor despesa pública também contribuiu para o resultado.

Os dados divulgados pelo Departamento do Comércio norte-americano alimentam os receios de que os EUA entrem numa recessão técnica, dois trimestres consecutivos de contração económica.

Em concreto, o primeiro trimestre foi marcado pelo início da invasão da Rússia à Ucrânia, pela imposição de sanções pesadas pelos países ocidentais a Moscovo e pelo agravar da crise energética.

Neste período, os preços dos combustíveis bateram recordes nos EUA, alimentando ainda mais a inflação, e a Administração Biden impôs um embargo ao petróleo russo, com efeito limitado, dado que o país já antes não importava muito petróleo com origem na Rússia.

A queda do PIB também ganha relevância vista à luz do novo ciclo económico. A Fed, o banco central dos EUA, iniciou em março a subida das taxas de juro para tentar impor um travão a uma economia em sobreaquecimento. Idealmente, a Fed seria capaz de controlar a inflação sem atirar o país para uma recessão, mas a chamada “aterragem suave” nunca foi conseguida na história com o atual ritmo de crescimento de preços.

Ainda assim, a Bloomberg, numa análise mais refinada aos números, nota que existem sinais positivos nas entrelinhas. A procura dos consumidores continua pujante, assim como o investimento das empresas.

(Notícia atualizada pela última vez às 14h06)

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