Supermercados já sentem aumento da venda de máscaras

Ao ECO, super e hipermercados admitem que a venda de máscaras tem aumentado nas últimas semanas, na sequência da subida dos casos. Ainda assim, retalhistas garantem que não há ruturas de stock.

Com os casos de infeção por Covid-19 a dispararem em Portugal, da restauração à indústria há já alguns setores a pedirem o regresso da obrigatoriedade do uso de máscara. Ao ECO, os super e hipermercados admitem que a procura tem aumentado nas últimas uma a duas semanas, com as vendas a chegarem a aumentar na ordem dos 25%. Ainda assim, garantem que não há rutura de stock.

A 22 de abril, o Governo colocou “um ponto final” no uso obrigatório de máscara na generalidade dos espaços fechados, passando este equipamento de proteção individual a ser apenas recomendado na generalidade dos locais. No entanto, e tendo em conta que Portugal vive atualmente uma nova vaga de infeções e embora a pressão nos hospitais não seja comparável com a registada noutras vagas da pandemia, vários especialistas, bem como alguns setores da economia têm apelado ao Executivo para que volte a impor o uso de máscara.

E se quando o uso de máscara deixou de ser obrigatório na generalidade dos espaços as vendas caíram drasticamente, certo é que o aumento de infeções com Covid-19 já está a ter impacto nas vendas das superfícies comerciais.

“Desde que foi levantada a obrigatoriedade de utilização de máscaras, a procura por estes artigos diminuiu para cerca de metade”, adianta fonte oficial da Sonae MC, ao ECO, acrescentando, no entanto, que “nas últimas duas semanas, a venda de máscaras aumentou cerca de 25%”.

Com packs de 50 máscaras cirúrgicas por 2,10 euros ou packs de dez máscaras FFP2 por 1,99 euros, as lojas Continente já venderam “mais de seis milhões de máscaras” desde que este equipamento de proteção individual deixou de ser obrigatório para a generalidade dos espaços e apesar do aumento da procura nas últimas semanas não antecipa “qualquer dificuldade na disponibilização destes produtos”.

Esta tendência é igualmente sentida pela Wells. O diretor da marca especializada em Saúde do grupo Sonae sinaliza que com o fim da obrigatoriedade “a procura deste artigo diminuiu consideravelmente”, mas admite que “nas últimas duas semanas” voltou “a sentir um ligeiro aumento na procura de máscaras“, ainda que este seja mais notório na venda dos autotestes. Ao ECO, João Cília sinaliza ainda que as lojas Wells têm “uma oferta alargada de máscaras”, pelo que não temem ruturas de stock. As lojas Wells têm neste momento à venda máscaras reutilizáveis a partir dos dois euros por unidade, máscaras cirúrgicas FFP2 a partir de 1,65 euros (pack de 50 máscaras), bem como máscaras FFP2 a partir de 3,45€ (pack de 20 unidades).

Já o grupo Jerónimo Martins, dono dos supermercados Pingo Doce, sublinha que registou “como era expectável, uma diminuição na procura deste artigo” a partir de 22 de abril. “Contudo, na última semana verificámos um aumento no número de máscaras vendidas, em virtude do aumento de casos de Covid-19“, aponta fonte oficial da retalhista, acrescentando que não há registo de “qualquer problema de stock” na venda de máscaras cirúrgicas e FFP2, cujos preços oscilam entre os “1,37 euros e os 2,49 euros, mediante o número de máscaras por embalagem”.

Por outro lado, e à semelhança do Continente, fonte oficial do Auchan assinala que “a venda das máscaras reduziu desde que estas deixaram de ser obrigatórias”, com esta cadeia de supermercados a vender “cerca de metade” do que vendia, mas admite que tem “sentido um pequeno aumento” nas últimas duas semanas. As lojas Auchan vendem packs de máscaras cirúrgicas e FFP2, sendo que os preços são variáveis. “Temos stock suficiente de máscaras e não temos sentido escassez no mercado”, adianta ainda fonte oficial da Auchan Retail Portugal.

Já fonte oficial do Lidl assinala que “nas últimas semanas, verifica-se um aumento da procura de máscaras, destacando-se a preferência por máscaras cirúrgicas”, assegurando que está “neste momento assegurado o stock de máscaras para a atual procura, mas também para um acréscimo da mesma se assim se verificar”. Além de máscaras cirúrgicas, a cadeia de supermercados alemã comercializa também máscaras FFP2 e máscaras reutilizáveis.

Vendas de autotestes aumentam entre 60 a 150%

Também a Mercadona confirma que “na última semana” voltou “a notar um aumento da procura” por máscaras, ainda que as vendas estejam a cerca de 50% face ao registado no pico da pandemia. Além disso, também as vendas de autotestes estão a disparar. “No que respeita aos autotestes, houve um incremento desde o início do mês de maio em cerca de 150%”, revela fonte oficial da retalhista espanhola ao ECO, acrescentando que estão a vender “uma média de aproximadamente 200 unidades por loja por dia”.

Apesar do aumento da procura quer de autotestes quer de máscaras, as lojas Mercadona garantem ter “o stock controlado”. Os preços das máscaras oscilam entre os 70 cêntimos (no caso de três unidades de máscaras cirúrgicas infantis) e os 1,80 euros (pack de cinco máscaras reutilizáveis.

Também nas lojas Continente há um aumento das vendas de autotestes — “praticamente triplicarem” –, sendo que “nas últimas duas semanas o Continente vendeu cerca de 250 mil unidades”, sinaliza fonte oficial da Sonae MC ao ECO. Atualmente os autotestes vendidos nas lojas Continente custam 2,49 euros a unidade.

O cenário é semelhante nas lojas Wells, que “só nas duas últimas semanas a venda de autotestes registou um crescimento de 60% face às duas semanas anteriores”, destaca João Cília, em resposta ao ECO. Neste momento, a marca especializada em saúde do grupo Sonae comercializa autotestes de dois fabricantes diferentes (Flowflex e Labnovation), cujos preços são 2,45 euros e 2,65 euros, respetivamente.

Já fonte oficial do Pingo Doce diz estar “receber um reforço de stock, fruto do aumento da procura deste produto”, enquanto fonte oficial do Lidl também admite um “aumento da procura” por autotestes, nas últimas semanas, com os preços a fixarem-se nos 2,49 euros. Também a Auchan assegura que “a procura de autotestes aumentou relativamente ao mês passado”.

Face ao aumento de casos, vários especialistas têm pedido o regresso dos testes gratuitos à Covid nas farmácias. O Governo tinha-se manifestado contra o regresso desta comparticipação para toda a população, ainda assim voltou a permitir a sua gratuitidade nas farmácias, ainda que mediante apresentação de receita médica. Recorde-se que os autotestes não são considerados testes de despiste ao SARS-CoV-2 pelo que é necessário fazer um teste confirmatório PCR ou teste rápido de antigénio de uso profissional.

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