Financiamento ligado a objetivos de sustentabilidade permite baixar custos, diz CFO da Corticeira Amorim

Custo de financiamento "é mais uma função do desempenho da Corticeira Amorim em termos de sustentabilidade do que propriamente das taxas de juros oficiais", afirma Cristina Rios Amorim.

A Corticeira Amorim realizou duas emissões ligadas a objetivos de sustentabilidade nos últimos anos, uma de 40 milhões em 2020 e outra de 20 milhões em 2021. Cristina Rios Amorim, administradora financeira da empresa de produtos de cortiça, afirma, em resposta por email a questões do ECO, que a aposta neste tipo de dívida permite controlar o custo de financiamento, já que é menos condicionado pela subida das taxas de juro oficiais.

A gestora é uma das nomeadas na categoria de melhor CFO na relação com os investidores da 34.ª edição dos Investor Relations and Governance Awards (IRGAwards), uma iniciativa da consultora Deloitte. “Ao longo do meu percurso profissional, inúmeras vezes testemunhei que as empresas mais bem preparadas são mais ágeis, respondem com mais eficácia a condições menos favoráveis“, sublinha.

Que desafios a aceleração da inflação está a criar para o negócio e de que forma é que a Corticeira Amorim está a responder a eles?

Atravessamos tempos de grande incerteza e tal está, de facto, a refletir-se num aumento dos preços na generalidade dos inputs da nossa atividade: da energia aos transportes, da cortiça a inúmeras matérias-primas incorporadas. Este é uma situação de grande pressão sobre a rentabilidade da atividade de qualquer empresa e a Corticeira Amorim não é exceção. A este desafio respondemos com ações visando o abastecimento em condições mais favoráveis, a crescente eficiência operacional, a racionalização do portefólio de produtos, a rigorosa gestão de stocks e uma adequada política de preços.

A inflação trouxe também um novo ciclo de aumento das taxas de juro. Qual será a resposta da Corticeira Amorim a este novo enquadramento?

A resposta não é de agora. A Corticeira Amorim detém uma situação financeira muito sólida, com uma autonomia financeira que, no final de 2021, ascendia a 57,6%. Tem uma política de financiamento proativa e prospetiva, o que permite ter uma pool de financiamentos a taxa variável, mas também uma parte substancial a taxa fixa (no final de 2021, representava 40% do total da dívida remunerada). Nos últimos dois anos e meio, temos vindo a contratar financiamento ligado a objetivos de sustentabilidade, cujo custo é mais uma função do desempenho da Corticeira Amorim em termos de sustentabilidade do que propriamente das taxas de juros oficiais. E, nesta área em particular, a Corticeira Amorim compromete-se e atinge metas cada vez mais ambiciosas, o que se refletirá também no controlo do seu custo de funding.

“Shaping human lives through sustainability and technology” foi o tema escolhido para a edição deste ano dos IRGAwards, num convite à reflexão sobre a maneira como funcionamos enquanto sociedade e o legado que deixaremos às gerações futuras. O que é urgente mudar para deixarmos às próximas gerações um legado melhor?

O nosso propósito – seja individual, seja coletivamente como empresa ou organização de qualquer tipo – tem de se cruzar com o propósito de contribuir para um mundo melhor. Investir, inovar e produzir para gerar valor económico e para promover uma sociedade mais inclusiva, equitativa, solidária, capaz de criar oportunidades de desenvolvimento para todos; um ambiente mais saudável e seguro; um planeta capaz de continuar a suportar a vida e o bem-estar de todos. Isso passará, na minha opinião, por colocarmos a ética, a solidariedade, o altruísmo, cada vez mais no centro da nossa atuação.

Da sua experiência como gestora, que lição considera mais valiosa para enfrentar o momento atual?

Ao longo do meu percurso profissional, inúmeras vezes testemunhei que as empresas mais bem preparadas são mais ágeis, respondem com mais eficácia a condições menos favoráveis, reduzindo a sua exposição aos mesmos e/ou reduzindo o seu potencial impacto. Gerir hoje, mas atuar sobre o amanhã. Conhecer e agir sobre os riscos. Na Corticeira Amorim, diversificamos produtos, mercados, moedas e clientes; internacionalizamos a nossa atividade e conhecemos, como ninguém, a nossa cadeia de valor; investimos para sabermos mais, para fazermos melhor – da floresta ao produto final, e os resultados têm sido muito bons.

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