Já sem GreenVolt, lucro da Altri atinge quase 30 milhões no primeiro trimestre

O grupo liderado por José Soares de Pina aumentou a produção de fibras celulósicas nas três fábricas e beneficiou do crescimento das vendas num contexto de alta dos preços.

O resultado líquido do Grupo Altri atingiu cerca de 29,8 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, o que compara com os 12,2 milhões registados em igual período do ano passado, já sem a GreenVolt, que passou a ser considerada “operação descontinuada” em termos de reporte de informação financeira.

Em comunicado enviado à CMVM, o grupo refere que o desempenho financeiro foi “fortemente impactado” pelo volume de produção de fibras celulósicas nas três unidades industriais (Celbi, Biotek e Caima), “mas principalmente pelo crescimento das vendas num contexto de alta dos preços nos mercados internacionais”. As receitas totais ascenderam a 249,2 milhões de euros nos três primeiros meses deste ano (+46,5% em termos homólogos).

“A procura por fibras celulósicas continua a apresentar uma dinâmica muito positiva, na generalidade das geografias, com exceção da China. (…) Este contexto, associado aos reduzidos stocks, tem levado a sucessivos aumentos de preços. O preço ascendeu aos 1.200 dólares por tonelada no final do primeiro trimestre, mas desde então foram já anunciados ao mercado várias atualizações, totalizando 100 dólares”, sublinha o CEO, José Soares de Pina.

Apesar de o gás natural, os químicos e o maior nível de importação de madeira terem ditado um “acréscimo relevante dos custos de produção por tonelada”, o EBITDA atingiu 61 milhões de euros (+85,6%), com a margem EBITDA reportada a aumentar em 5,1 pontos percentuais para os 24,5%. O grupo investiu 6,8 milhões de euros no arranque deste ano, um período em que a dívida líquida foi reduzida de 344 milhões no final de 2021 para 303,3 milhões de euros a 31 de março.

Na mensagem que acompanha os resultados, o CEO destaca que este desempenho operacional e financeiro “ganha maior relevância perante o contexto adverso que enfrentámos, e continuaremos a enfrentar, de forte aumento dos preços da energia e de matérias-primas, em especial dos produtos químicos e madeira”.

“As pressões inflacionistas que se fazem sentir são reflexo das disrupções nas cadeias logísticas que já se faziam sentir no ano passado, mas são agora exacerbadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia, um ato condenável a todos os níveis. E esta é uma realidade que nos vai acompanhar ao longo dos próximos tempos, exigindo de todos nós uma gestão cada vez mais prudente”, completa José Soares de Pina.

Avançar a “ritmo elevado” na Galiza

Além de produzir fibras celulósicas de eucalipto, a Altri está também presente no setor de energias renováveis de base florestal, nomeadamente a cogeração industrial através de licor negro e biomassa. O grupo gere mais de 88 mil hectares de floresta em Portugal e detém três biorefinarias de pasta no país, com uma capacidade instalada que em 2021 superou 1,1 milhões de toneladas de pastas de eucalipto.

Quanto ao projeto na Galiza, que decorre de um acordo com o consórcio público-privado galego Impulsa, salienta neste comunicado que “continua a avançar a ritmo elevado”. Em abril anunciou que a biofábrica de fibras sustentáveis ficará localizada na zona de Palas de Rei, na província de Lugo, na Galiza. Os passos seguintes incluem o estudo de impacto ambiental, o início do detalhe do projeto de engenharia e viabilidade económica, e a definição da estrutura de financiamento para esta fábrica a construir de raiz e que deverá ter uma capacidade anual para 200 mil toneladas de pasta solúvel e fibras têxteis sustentáveis.

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