Empresas investiram 89,5 milhões de euros em formação externa

A pandemia ditou o abrandamento no investimento em formação externa. O setor imobiliário foi o único que ultrapassou os 200 euros por colaborador.

Em 2020, mais de 24 mil empresas em Portugal investiram em formação externa, totalizando um valor de 89,5 milhões de euros. O valor corresponde a uma média de 3,7 mil euros por empresa, e representa uma quebra face aos resultados dos anos anteriores. O setor imobiliário foi o único que ultrapassou os 200 euros por colaborador para formação, revela a análise da Informa D&B “Investimento em formação externa das empresas em Portugal”, divulgada esta sexta-feira.

“O desenvolvimento e a retenção do talento é um dos principais fatores de diferenciação na competitividade e crescimento das empresas. A formação é um fator igualmente importante para os colaboradores porque contribui enormemente para a sua motivação e para o seu desenvolvimento pessoal e profissional”, considera Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B, citada em comunicado.

Os valores registados em 2020 apresentam uma queda face aos anos anteriores, quer em valor de investimento, quer em percentagem de empresas que apresentaram investimento em formação, possivelmente devido aos constrangimentos provocados pela pandemia da Covid-19. Estas cerca de 24.408 empresas investiram, em 2020, uma média de 95 euros em formação por empregado, um investimento que representa 0,4% dos gastos com pessoal.

Apesar de representarem apenas 6,8% do tecido empresarial, as empresas que investem em formação externa agregam 945 mil empregados, cerca de um terço de todo o emprego nas empresas. A forte presença de empresas de grande dimensão (33%) neste universo explica a concentração do emprego numa fatia tão pequena do nosso tecido empresarial. 60% do investimento é realizado por empresas maduras (20 ou mais anos de antiguidade).

Os dados dizem respeito a 2020 e referem-se apenas às ações de formação realizadas com recurso a especialistas e profissionais externos, não incluindo, portanto, aquelas que não representam um custo para a empresa, como as que são desenvolvidas internamente pelo próprio empregador ou por instituições como o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Imobiliário, TIC, transportes, grossistas e serviços lideram investimento em formação

Os setores onde o investimento por empregado é maior são o imobiliário (o único que ultrapassa o budget de 200 euros por empregado), tecnologias de informação e comunicação (TIC), transportes, grossista e serviços gerais. Todos eles com valores de investimento acima dos 100 euros por colaborador.

Na ponta oposta estão os setores da construção, agricultura e outros recursos naturais, bem como do alojamento e restauração. Estas indústrias foram as que menos investiram em formação externa para os seus funcionários em 2020.

A análise da Informa D&B concluiu ainda que o investimento foi superior nas empresas de capital estrangeiro. As empresas de capital estrangeiro investiram uma média superior a 18 mil euros por empresa, valor muito superior aos cerca de 2,5 mil euros nas empresas de capital nacional.

“O fenómeno está relacionado com a dimensão das empresas, já que as empresas de capital estrangeiro estão muito representadas entre as grandes empresas, entre as quais se encontra a maior taxa de empresas que investem em formação externa”, explica a empresa.

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