Prestação da casa sobe em junho com BCE a abrir porta da subida dos juros

Taxas Euribor voltaram a subir acentuadamente em maio, após Lagarde apontar para o fim dos juros negativos do BCE, e isso irá refletir-se num aumento da prestação da casa no próximo mês.

A prestação da casa vai dar um novo salto em junho para as famílias que vão ver as condições do contrato da habitação revistas, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter finalmente aberto a porta à subida dos juros este verão, deixando de ter taxas negativas.

Há muito que os mercados antecipavam este cenário de aperto financeiro do banco central da Zona Euro, depois de a taxa de inflação ter ficado nos 7,4% no mês de abril (Eurostat atualiza a inflação esta terça-feira), e se dúvidas houvesse quanto ao timing do início das subidas dos juros, os recentes comentários de vários responsáveis do BCE, incluindo a insuspeita Christine Lagarde, desfizeram todas as incertezas, apontando o verão como o início de um novo ciclo na região.

Estas declarações fizeram acelerar as Euribor durante este último mês para máximos de vários anos. Estas taxas a que os bancos cobram entre si são usadas para calcular as prestações dos créditos que as famílias e empresas pagam aos bancos.

É por causa disso que os encargos com o crédito da habitação vão dar um novo salto no próximo mês, prevendo-se subidas entre 1,6% e 11%, consoante o indexante utilizado no contrato, sendo que os empréstimos aos quais estão associados Euribor a seis e 12 meses vão ser os mais penalizados, de acordo com os cálculos do ECO.

Prestação sobe 11% nos contratos com Euribor a 12 meses

Assumindo um cenário de um empréstimo de 150 mil euros, por um prazo de 30 anos, e com um spread de 1%, as famílias com créditos associados à Euribor a seis meses (o indexante mais comum em Portugal) vão ver a prestação subir quase 6% no próximo mês, no maior aumento desde a revisão feita em julho de 2011. A prestação aumentará cerca de 26 euros, colocando o valor da mensalidade ao banco acima dos 470 euros nos próximos seis meses (até à próxima revisão).

Considerando o mesmo cenário, mas com empréstimos associados à Euribor a 12 meses — o indexante que tem dominado os financiamentos para a compra de habitação nos últimos anos –, a subida será maior. A prestação sobe 11% (52 euros) na maior subida em mais de uma década, o que fará com que as famílias tenham de suportar uma mensalidade de 500 euros ao longo do próximo ano.

No caso dos contratos indexados à Euribor a três meses, o agravamento rondará os 1,6%, na maior subida desde maio de 2020 que se traduzirá num aumento de mais de mais de sete euros na prestação: o encargo mensal passará para cerca de 456 euros, o valor mais elevado desde junho de 2020.

Famílias sob pressão, bancos confiam

O aumento da prestação da casa traz maior pressão para o orçamento das famílias, que já têm de lidar com a forte subida dos preços desde o cabaz do supermercado à eletricidade, gás e combustíveis, uma subida que se tornou mais vincada com a guerra da Rússia na Ucrânia iniciada há três meses.

Em relação aos empréstimos da casa, desde o início do ano que as taxas Euribor têm vindo a subir face aos patamares mais baixos da história da Zona Euro, refletindo a aposta dos investidores em relação a um novo ciclo de política monetária na região. Essas expectativas foram finalmente confirmadas nas últimas semanas pela presidente do BCE, Christine Lagarde, que até agora vinha afastando uma subida das taxas de juro este ano – ou, pelo menos, em nenhum momento apontou para 2022 como o ano de início de subidas. “Tendo em conta as atuais perspetivas, deveremos estar numa posição de saída das taxas de juro negativas até ao final do terceiro trimestre”, disse a francesa em relação à taxa de depósito do BCE.

Apesar do aperto financeiro que milhares de famílias começam agora a sentir, os bancos consideram que estarão preparadas para lidar com o impacto da subida dos juros da casa e mostram confiança. “Há uma monitorização de perto do que está a acontecer, mas com Portugal a manter crescimentos económicos significativos este ano, e estando num ponto de partida melhor [do que na anterior crise], há razões para estarmos prudentes, cautelosos, mas confiantes”, afiançou o presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, recentemente.

A situação de quase pleno emprego, a acumulação de poupanças durante a pandemia e a valorização das casas nos últimos anos são fatores que explicam um maior otimismo entre os responsáveis dos bancos portugueses em relação ao impacto do agravamento das taxas do BCE.

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