“Famílias estão razoavelmente preparadas” para a subida dos juros, diz CEO do Santander Totta

Pedro Castro e Almeida considera que as famílias portuguesas estão "razoavelmente preparadas" para enfrentarem a subida da prestação da casa nos próximos tempos.

O CEO do Santander Totta considera que as famílias portuguesas “estão razoavelmente preparadas” para lidar com a subida dos encargos com o empréstimo da habitação, admitindo, porém, que poderão ter de lidar com problemas de desemprego em caso de uma recessão.

“As famílias vão pagar mais pela prestação da casa, mas não é passar para uma taxa de 1% que vai fazer grande diferença”, afirmou Pedro Castro e Almeida em declarações ao ECO, no dia em que o banco anunciou uma subida de 350% dos lucros para 155,4 milhões de euros no primeiro trimestre do ano.

O responsável lembrou que os particulares aumentaram muito as poupanças durante a pandemia e essa almofada poderá ser importante para conter o impacto da subida dos juros do banco central.

Por outro lado, explicou que as regras do crédito à habitação estão hoje mais robustas do que na anterior crise de 2011. “Quando fazemos o cálculo da prestação, olhamos para o rendimento disponível e já se ‘stressa’ a Euribor a 3%”, adiantou, rematando: “Pelo efeito de subida das taxas não vejo grande tema”.

O Banco Central Europeu (BCE) está sob pressão para começar a subir os juros para conter a escalada da inflação na Zona Euro e há cada vez mais responsáveis do banco central a apontar para subidas – a primeira numa década — já a partir da reunião de julho. Mas há uma ala que defende maior prudência no aperto das condições financeiras para não colocar em causa a economia, perante um período de enorme incerteza com a guerra na Ucrânia e as sanções económicas à Rússia.

Pedro Castro e Almeida aponta para “um arrefecimento do crescimento económico”, não pondo de lado uma recessão. “Aí pode haver desemprego e, nos clientes particulares, o desemprego é o que gera maiores problemas do crédito malparado”, alertou.

Spreads em mínimos até 2024

O CEO do banco disse ainda que não vê as taxas de spread do crédito aumentarem nos próximos anos, apesar do aperto financeiro do banco central.

“Não me parece que nos próximos anos isto vá mudar. Temos muitos bancos em Portugal e muita liquidez ainda. Em 2023 e 2024 não vejo um alargar dos spreads”, indicou.

Castro e Almeida lembrou que, dentro do grupo Santander, o banco de Portugal é o que tem os spreads mais baixos no mercado europeu. “No crédito à habitação temos spreads de 0,9% e nas empresas de 1,5%, são os mais baixos do mercado europeu”, disse.

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