Famílias portugueses podem vir a falhar prestações da casa, alerta OCDE

Em Portugal, segundo a OCDE, cerca de 70% dos empréstimos contratados pelas famílias em Portugal são indexados a taxas de juro variáveis.

As famílias portuguesas podem vir a falhar mais nas prestações da casa, com o aumento do crédito malparado e o incumprimento, avança o Diário de Notícias.

Assim, será “altamente provável”, a partir de agora, num contexto garantido de subida rápida das taxas de juro em reação à escalada dos preços no consumidor (inflação), que as famílias portuguesas entrem em incumprimento. Esta conclusão da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) está presente num estudo sobre a situação de Portugal.

No novo panorama económico sobre as mais de três dezenas de países considerados ricos e desenvolvidos, a OCDE afirma que existe “uma probabilidade elevada e prevalecente” de haver novo incumprimento quando os países em causa têm um maior peso de contratos de crédito imobiliário indexados a taxas de juro variáveis. Embora esta regra da indexação a taxas variáveis não seja a norma ou média no grupo da OCDE, a mesma impera em algumas economias.

Em julho, o BCE vai aumentar, pela primeira vez desde 2016, as taxas de referência e é bem possível que, a seguir, em setembro, aumente o patamar ainda mais para deter a cavalgada da inflação. Não se prevê quando pode terminar este ciclo.

Em Portugal, dados citados pela OCDE, cerca de 70% dos empréstimos contratados pelas famílias em Portugal (celebrados nos últimos anos, portanto, com tudo por pagar ainda) são indexados a taxas de juro variáveis.“É maior a probabilidade de incumprimento das hipotecas quando as taxas de juro sobem em vários países do sul da Europa (Portugal e Grécia), do leste (Polónia, Bulgária, Roménia e países bálticos) e do norte europeu (Suécia, Finlândia e Noruega)”, afirma a OCDE.

Em 2021, tinha o equivalente a 69% do produto interno bruto (PIB) estacionado em crédito às famílias, um valor acima da média da OCDE (62,6%).

No entanto, o peso dos empréstimos hipotecários indexados a taxas de juro variáveis está muito acima da média. Como referido, estes representam 70% do total em Portugal.

O país não está sozinho nesta vulnerabilidade. Na zona euro, a Finlândia (também com 69% do PIB em crédito às famílias) regista um nível de indexação a juros variáveis de 96%.

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