IFRS 17: Custo global para indústria seguradora revisto em alta para 20 mil milhões

  • ECO Seguros
  • 19 Junho 2022

Enquanto ASF acompanha preparação das supervisionadas, análise da WTW junto de 270 seguradoras internacionais de 45 países revela 60% das maiores com trabalho atrasado e custo global agravado em 20%.

A implementação da norma internacional de relato financeiro no setor dos seguros (IFRS 17) terá custo global estimado entre 18 mil milhões e 24 mil milhões de dólares (sendo que o ponto médio do intervalo corresponderá a 20,13 mil milhões de euros ao câmbio corrente), estima a WTW com base em inquérito global junto de 270 seguradoras de 45 países.

Além da estimativa, que representa um agravamento de 20% relativamente ao custo projetado um ano antes, o estudo da consultora anteriormente designada Willis Towers Watson salienta que a adoção efetiva do normativo contabilístico internacional ainda se confronta com desafios de grande dimensão e que o setor precisa de acelerar etapas, dado que muitas companhias não estão em condições de uma aplicação efetiva da IFRS 17 na data prevista (janeiro de 2023).

Entre outros aspetos preocupantes, após avaliar o estado de preparação e adaptação de processos no universo inquirido, a WTW afirma que apenas 40% de 26 dos maiores grupos internacionais e 20% das restantes 244 companhias estarão plenamente preparadas para a implementação da norma no prazo estabelecido. Por outro lado, além da necessidade em capital humano, anteriormente noticiada, de recrutamento adicional superior a 10 mil pessoas nos próximos dois anos, as áreas de dados, sistemas e processos são as mais preocupantes para as seguradoras mais atrasadas na transição contabilística.

Portugal com preparação “em curso” ou num grau “intermédio”

Depois da apresentação (em maio de 2021) do draft de alteração do Plano de Contas das Empresas de Seguros (PCES), a implementação da norma internacional emitida pela IASB cumpre, em Portugal, programa e calendário definidos pela ASF, esperando-se neste 2ºT a conclusão do segundo questionário ao mercado supervisionado.

Faltava cerca de um ano para a entrada em vigor do novo normativo internacional de reporte, a Autoridade de Seguros – salientando necessidade de preparação (pelas empresas do setor) da IFRS 17 já a partir de janeiro de 2022 -, publicou, em dezembro passado, um diagnóstico de situação com base nos resultados do primeiro questionário qualitativo para aferir sobre o andamento do processo de implementação do novo normativo contabilístico para contratos de seguro.

Numa apreciação global, o organismo de Supervisão verificou na altura que a maioria das entidades (26 das 38) classificava o seu “grau de preparação como em curso, portanto intermédio”. No entanto, nove empresas sinalizam um “nível de preparação meramente inicial, e uma empresa Não Vida descreve a sua preparação como não iniciada. Em sentido contrário, duas empresas, integrantes do subconjunto Mistas e Vida, avaliaram a sua preparação “como em estágio avançado.” Entre outros aspetos, a ASF salientou que a preparação atempada da transição e o envolvimento das empresas de seguros no processo de implementação “constitui um fator determinante para garantir que a aplicação da IFRS 17 decorrerá de forma adequada.”

A terminar, a Supervisão que através do diagnóstico afirma ter sido possível aferir que, “em termos globais, o mercado segurador nacional, à data da realização do questionário, se encontrava numa fase intermédia do seu processo de implementação”.

Assim, além de entidades num estágio mais avançado do processo, no extremo oposto existiam empresas de seguros “ainda numa fase bastante embrionária e incipiente” de preparação. Quanto à evolução das empresas nas diferentes componentes da IFRS 17, a Autoridade destacou de forma positiva, “a classificação dos contratos”, bem como, o reconhecimento e desreconhecimento dos mesmos. Em sentido contrário, notou, “a transição, em conjunto com a informação comparativa, apresenta algum atraso” face às restantes áreas do normativo.

O atraso demonstrado relativamente à informação comparativa “deve ser especialmente assinalado, na medida em que, será exigido que os dados apresentados no primeiro ano de reporte tenham pelo menos um ano de informação comparativa,” apontou a ASF no final de 2021.

Vídeo da apresentação pública do relatório pode ser revisto aqui.

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