“Os portugueses ficam demasiado tempo no sistema educativo. Chegam muito tarde ao mercado”, diz OCDE

As empresas têm um papel fundamental na formação, considera a OCDE. No entanto, em Portugal, apesar de haver uma obrigação legal, apenas 16% das empresas dá, realmente, formação às suas pessoas.

São as pessoas com maiores habilitações e mais competências que continuam a investir na formação contínua ao longo da vida. É uma tendência nos países da OCDE, mas em Portugal o problema é mais fundo. “As pessoas em Portugal ficam demasiado tempo no sistema educativo. Chegam muito tarde ao mercado de trabalho, em vez de ver o local de de trabalho como um local de aprendizagem contínua, onde se continua a expandir a carreira”, diz Andreas Schleicher, diretor para a educação e competências da OCDE, durante a apresentação do relatório “Estado da Nação sobre Educação, Emprego e Competências em Portugal”, de 2022, elaborado pela Fundação José Neves (FJN) e divulgado esta terça-feira.

As empresas têm um papel fundamental a assumir neste campo. No entanto, a aposta das empresas na formação dos seus colaboradores continua baixa, revela o “Estado da Nação”. Em Portugal, apesar de haver uma obrigação legal, apenas 16% das empresas dá, realmente, formação às suas pessoas. “Precisamos também de um aumento muito significativo desses rácios”, alertava Carlos Oliveira, presidente executivo da Fundação José Neves, em conversa com a Pessoas.

Uma opinião partilhada por Andreas Schleicher. “Bons locais de trabalho devem ser sempre bons locais de aprendizagem. E a própria economia favorece as empresas que investem na formação contínua dos seus funcionários”, defende.

Não se trata de prolongar os estudos. A longo prazo, diria mesmo que as pessoas, em vez de acumularem diplomas, deveriam receber um budget para decidirem o que querem aprender e em que momento das suas vidas querem aprender.

Andreas Schleicher

Diretor para a educação e competências da OCDE

“Não se trata de prolongar os estudos. A longo prazo, diria mesmo que as pessoas, em vez de acumularem diplomas, deveriam receber um budget para decidirem o que querem aprender e em que momento das suas vidas querem aprender”, sugere o diretor para a educação e competências da OCDE.

“As pessoas deveriam ter esse budget e não ser apenas o Governo a investir em instituições formais de ensino”, continua. Até porque o objetivo deve ser, cada vez mais, uma “abordagem individual mais personalizada à aprendizagem”. Quer isto dizer que talvez também tenhamos de pensar em locais de aprendizagens diferentes.

“Estamos muito fixados na escola ou na universidade. Acredito que temos de pensar numa gama mais ampla de oportunidades e ambientes de ensino”, conclui Andreas Schleicher.

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