Alemanha e setor rejeitam fim da venda de carros a combustão em 2035

Governo alemão frisou que não irá alinhar na votação contra o fim da venda destes automóveis, rejeitando a proposta do Parlamento. ACAP subscreve e defende que venda "nunca deverá ser proibida a 100%"

O governo alemão rejeita a proposta, aprovada em Parlamento Europeu, que visa proibir a venda de automóveis a combustão a partir de 2035.

Segundo o Financial Times, o ministro das finanças alemão, Christian Lindner, acredita que vão continuar a existir mercados de nicho para motores a combustão e que por isso uma proibição não só seria errada, como o próprio governo rejeitaria a medida. No mesmo momento, garantiu que a Alemanha continuaria a apostar nos esforços para liderar o mercado dos veículos elétricos.

“A Alemanha não vai concordar com a proibição dos motores a combustão”, frisou o responsável, ecoando as reações do setor no país. A associação automóvel alemã VDA considerou que a decisão vai “contra os cidadãos, contra o mercado, contra a inovação e contra as novas tecnologias”.

O diretor-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) subscreve a posição, afirmando ser contra uma proibição total da venda destes automóveis e defendendo que a discussão deve ser retomada só em 2028. Nessa altura, deve ser feito, também um ponto de situação “sobre o estado da rede de carregamento assim como das diversas soluções tecnológicas”.

“O setor automóvel está fortemente empenhado na descarbonização, mas entendemos que não devem ser tomadas decisões de forma precipitada”, explica Hélder Pedro ao ECO/Capital Verde. “De qualquer modo, consideramos que se e quando for adotada uma medida como a que se preconiza, nunca deverá ser de uma proibição de venda a 100%“, diz.

A proposta da Comissão Europeia para o setor automóvel fixa o objetivo de eliminar a 100% as emissões de automóveis de passageiros ou veículos comerciais ligeiros com motor de combustão interna, ou seja, movidos a combustíveis fósseis. Na prática, tal implica que, a partir de 2035, deixe de ser possível colocar no mercado na União Europeia (UE) este tipo de carros. A medida é uma das várias que consta no pacote Fit for 55′, a estratégia europeia que visa alcançar a redução em 55% das emissões de gases poluentes até 2030.

Apesar desta aprovação, a lei ainda não é definitiva. A votação confirma a posição do Parlamento para as próximas etapas nas negociações que decorrem entre o Conselho da União Europeia, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia.

 

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