“Juntei-me à equipa para ajudar” a CI&T a crescer em Portugal e na Europa do Sul, diz Miguel Frasquilho

  • Lusa
  • 27 Junho 2022

"Juntei-me à equipa com a missão de ajudar a empresa a crescer em Portugal, numa primeira fase, e depois na Europa do Sul", afirmou Miguel Frasquilho, diretor-geral da CI&T para o Sul da Europa.

O diretor-geral da CI&T para o Sul da Europa, Miguel Frasquilho, diz, em entrevista à Lusa, que se juntou à tecnológica para ajudá-la a crescer em Portugal, na primeira fase, e depois no sul europeu.

O antigo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e ex-chairman da TAP assumiu funções de diretor-geral (managing director) para o Sul da Europa da CI&T, consultora tecnológica especialista em transformação digital e cotada na bolsa de Nova Iorque, no início deste ano.

“Juntei-me à equipa com a missão de ajudar a empresa a crescer em Portugal, numa primeira fase, e depois na Europa do Sul”, afirma Miguel Frasquilho, salientando que o objetivo é fazer da Europa “mais um continente de sucesso para a CI&T como já são” as regiões da América do Sul, América do Norte e Ásia-Pacífico.

Este foi “o desafio que me foi lançado pelos fundadores da CI&T, achei um desafio muito interessante, muito aliciante e é neste desafio que estou muito concentrado e empenhado hoje em dia”, asseverou o gestor.

Miguel Frasquilho conta que quando aceitou o convite para presidir a AICEP, em 2014, pelo então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, tal assentava já “numa opção muito clara” que tinha feito em se aproximar do mundo empresarial, da gestão, e deixar a política partidária, parlamentar mais ativa.

“Essa foi uma opção estrutural”, a que depois se seguiu o convite do atual primeiro-ministro, António Costa, para ser chairman (presidente do Conselho de Administração) da TAP, o que se enquadrava na sua opção.

“Entretanto, mesmo antes da pandemia se iniciar, em 2020, através de um dos acionistas de referência da CI&T que me conhecia (..) tive uma abordagem para me tornar não executivo na CI&T”, relata, acrescentando que foi à sede da tecnológica em Campinas, Brasil.

“Fui, conheci, gostei e tornei-me não executivo na CI&T uns meses depois. Houve uma aposta na Europa, um dos polos em Portugal”, sendo que há outro polo no Reino Unido, prossegue.

“Quando terminei o meu mandato na TAP em junho de 2021 começámos a conversar sobre a possibilidade de estreitarmos as relações profissionais, eu já conhecia obviamente a CI&T, já estava a trabalhar com eles numa ótica não executiva, conhecia também a área de transformação digital em que a CI&T opera e que é especialista” e “formalmente iniciei funções no início de 2022”, relata.

Frasquilho salienta que, sendo a presença da tecnológica recente em Portugal, “há uma falta de conhecimento do que é a CI&T” no país, o que não acontece no Brasil ou nos Estados Unidos.”Em termos de receita, os Estados Unidos são hoje tão importantes para a CI&T como o Brasil, tem um nome feito, mas não tem na Europa”, diz.

Além de Miguel Frasquilho, a CI&T conta ainda com Miguel Malaquias como country manager de Portugal.

Há aqui uma aposta clara em recursos humanos que são locais, que têm o conhecimento das particularidades das regiões onde queremos operar”, onde também se incluem vários recursos de outras origens e que “estão na unidade de crescimento a que nós pertencemos”, salienta.

Sobre o balanço até agora, Frasquilho salienta que a CI&T ainda tem falta de brand awareness [notoriedade da marca] no mercado português, mas “já tem clientes em Portugal”. O responsável não avançou o número de clientes, nem quem são. “Temos a perspetiva de ter mais clientes ainda e depois continuar a crescer nos próximos anos”, refere.

A tecnológica tem dois polos na Europa, um no Reino Unido e outro em Portugal. No mercado português este polo é um “‘delivery center'”, um dos quatro que a tecnológica CI&T detém (dois no Brasil e outro na China). “Isto também mostra que Portugal é um país atrativo para empresas estrangeiras que se pretendam fixar, posicionar” no país, salienta.

O primeiro trabalhador da CI&T foi contratado em setembro de 2020, em plena pandemia, pelo que a sua presença no mercado português tem menos de dois anos.

“Temos cerca de 50 pessoas já em Portugal, a maior parte está na região de Lisboa, mas temos pessoas no norte, no Algarve e no centro, isso permite que em várias regiões possamos ter recursos humanos”, sublinha Frasquilho. De acordo o gestor, o modelo híbrido de trabalho “veio claramente para ficar”.

Questionado se pretende reforçar a contratação das pessoas no mercado português, Miguel Frasquilho diz que sim. “Estamos sempre a crescer e vamos certamente continuar a crescer a bom ritmo porque Portugal foi eleito como delivery center”, mas “não lhe poderei dar um número”, afirma, asseverando: a tecnológica vai “manter o ritmo muito forte de contratação e estamos a falar de colaboradores que são qualificados”.

Sobre se admite dobrar o número de pessoas, o diretor-geral do CI&T para o Sul da Europa refere não ter “um horizonte temporal para isso”, reiterando o objetivo de contratação a “um ritmo forte”.

Também não adiantou o investimento feito pela CI&T, empresa com atividade há 27 anos, no mercado português.

Em termos globais, a CI&T registou até 2019 um crescimento da receita à volta de 30% em termos de média anual. “Em 2020 foi já superior a 40%, em 2021 foi superior a 50%, e no primeiro trimestre deste ano o crescimento da receita foi de 66%”, em termos homólogos.

A pandemia foi uma oportunidade para a tecnológica, mas “agora, que estamos num contexto muito instável, preocupante”, nomeadamente com a guerra na Ucrânia, a subida da inflação, a falta de alimentos, ninguém nesta altura é capaz de dizer com certeza o que irá acontecer”, salienta.

“Temos de estar preparados, temos vindo a estar muito atentos, mas também pensamos que aqui podem surgir oportunidades”, considera

Uma das áreas a que a CI&T dá importância é a da sustentabilidade, inclusão, diversidade (ESG). “Foi uma área que foi criada em 2009, já há 13 anos, e temos objetivos muito ambiciosos. Por exemplo, em 2019 a nossa realidade de diversidade e inclusão abrangia cerca 30% dos trabalhadores da CI&T. O que é que isto significa? Estamos a falar de mulheres, estamos a falar de pessoas com deficiências, negras, da comunidade LGBTQIA+, estamos a falar dos grupos sub-representados”, explica.

Esse número em 2020 “era 35%, em 2021 era 40% e temos o objetivo de atingir 55% em 2025. É uma área a que a CI&T dá praticamente a mesma atenção do que a atingir os resultados que foram anunciados. Provando o sucesso que a CI&T tem tido ao longo dos seus 27 anos, já somos uma empresa cotada em Nova Iorque, o IPO [entrada em bolsa] aconteceu em novembro do ano passado, com free float relativamente reduzido, cerca de 12% para já, mas avaliou a empresa em cerca de 2.000 milhões de dólares”.

Estas metas de 2025 são também para serem aplicadas a Portugal.

“A ideia é que todas as geografias onde a CI&T está, estamos em nove países a nível global, no fundo, repliquem as metas que a CI&T tem. Não lhe vou dizer que em Portugal já estamos neste números porque a operação é muito jovem, nem dois anos tem ainda, mas estamos comprometidos a atingir este objetivo, em 2025 estaremos certamente lá”, considera.

Sobre as áreas de negócios em que operam, o responsável diz que a empresa “é transversal”, onde se incluem os setores financeiro, segurador, saúde, alimentação e bebidas, a indústria transformadora, a educação, entre outros.

Questionado sobre o que espera ter conseguido dentro de um ano, Miguel Frasquilho diz: “Esperamos ter uma posição consolidada em Portugal, esperamos estar daqui a um ano a abordar outros mercados no sul da Europa e que obviamente no norte da Europa aconteça a mesma coisa porque a Europa é o segundo maior mercado digital do mundo”.

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