Costa perdoa “erro grave” a PNS. “É seguir em frente”

Primeiro-ministro encerra polémica sobre o novo aeroporto e mantém Pedro Nuno Santos no Governo. Diz ter “a certeza de que o ministro não agiu de má-fé” e elogiou a "humildade" de reconhecer o erro.

António Costa reconheceu esta quinta-feira à tarde que foi cometido um “erro grave”, assumido “prontamente” por Pedro Nuno Santos, considerando, porém, que “a orientação do governo está restabelecida” no que toca ao dossiê do novo aeroporto de Lisboa. “A orientação do Governo é, em primeiro lugar, que o país precisa urgentemente de aumentar a capacidade aeroportuária na região de Lisboa, que está é uma decisão que se arrasta há décadas e que exige um amplo consenso nacional e exige diálogo e acordo, pelo menos, com o PSD”, detalhou.

“Houve um erro grave e o ministro já o assumiu. Está corrido o erro, é seguir em frente”, declarou o primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas antes de iniciar a visita a uma exposição com o presidente francês, Emmanuel Macron, em Lisboa. Reconheceu ainda que “claro que não sabia da existência daquele despacho, que está revogado e já não existe”, notando, porém, que “está tudo encaminhado e no caminho de que nunca [se devia] ter desviado”.

Questionado sobre as justificações para este erro que Pedro Nuno Santos lhe apresentou na reunião em São Bento, Costa ironizou que “até os políticos são humanos e, como todos os seres humanos, cometem erros”. “O mais importante é que tenham consciência deles, que os corrijam. O ministro já revogou o despacho e está totalmente solidário com a orientação definida por mim para o Governo, que é trabalharmos num consenso nacional para termos uma decisão que seja sólida do ponto de vista político, técnico, ambiental e económico para aumentar a capacidade aeroportuária na região de Lisboa”, completou.

Mas, afinal, qual foi o “erro grave” cometido por Pedro Nuno Santos? “Que, tendo sido definido que íamos dialogar com o PSD para termos uma solução consensual, ninguém toma e anuncia assim uma decisão a dois dias do congresso do partido e de entrar em funções o novo líder da oposição”, respondeu, insistindo que “esse erro está ultrapassado e corrigido” e agora “é preciso acalmar tudo”. “Há matérias sobre as quais não se podem tomar decisões individualmente, mas colegiais ao nível do Governo”, frisou.

Poucos minutos antes destas declarações de António Costa, numa conferência de imprensa sem direito a perguntas dos jornalistas, o ministro das Infraestruturas tinha assumido “inteira responsabilidade” por aquilo que diz terem sido “erros de comunicação e de articulação dentro do Governo”. No entanto, apesar de se “penalizar profundamente” por esta confusão, disse que “obviamente” vai continuar em funções.

Sobre a manutenção da confiança no ministro depois deste episódio, o líder do Executivo socialista lembrou que conhece Pedro Nuno Santos “há muitos anos” e que tiveram “uma conversa franca e esclarecedora”. “Tenho a certeza de que o senhor ministro não agiu de má-fé, compreendeu bem o erro que cometeu. Teve a humildade de o reconhecer publicamente e de corrigir o erro. A confiança está totalmente restabelecida”, sentenciou António Costa.

Esta polémica surgiu na sequência do anúncio de uma nova solução para o reforço da capacidade aeroportuária na região de Lisboa que prevê a construção de um aeroporto na atual Base Aérea n.º 6 do Montijo até 2026 e outro no Campo de Tiro de Alcochete, para entrar em funcionamento em 2035, que substituiria o Humberto Delgado. Mas que acabou por ser anulado poucas horas depois pelo primeiro-ministro.

Marcelo “esclarecido” e Montenegro sem “soluções fechadas”

António Costa disse ainda já ter falado “desde ontem” sobre estes acontecimentos com o Presidente da República, que já agendou uma declaração ao país para as 20h10. Disse que teve “oportunidade de esclarecer todas as dúvidas” a Marcelo Rebelo de Sousa e espera que ele “esteja confortável”. “E tenho a certeza que partilha da vontade que haja um grande consenso nacional” sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, resumiu o primeiro-ministro.

Já quanto ao diálogo que vai encetar nas próximas semanas com Luís Montenegro, o governante assinalou que, havendo “boa-fé e espírito construtivo para uma solução de consenso nacional não [se podem] estar a fechar soluções”. “Há várias e não devemos fechar nenhuma à partida. Entre o conhecimento técnico que já existe, o quadro financeiro, as obrigações contratuais com a ANA, o quadro jurídico e as limitações ambientais que resultam das diferentes avaliações de impacto, [veremos] quais as soluções em que vale a pena concentrar atenção”, concluiu.

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