Euro continua sob pressão e cada vez mais perto de atingir a paridade contra o dólar

Investidores estão a apostar na queda da moeda única europeia perante a perspetiva de uma recessão. Analistas falam em “tempestade perfeita” que se abate sobre o euro.

O euro continua sob enorme pressão e está cada vez mais perto de atingir a paridade contra o dólar. Com a economia europeia a encaminhar-se para uma recessão, penalizada pelos altos preços da energia, os investidores estão a apostar forte na desvalorização da moeda única, com os analistas a falarem numa “tempestade perfeita” que se abate sobre a divisa da Zona Euro.

Pela primeira vez desde 2002, o euro transacionou esta quarta-feira abaixo da fasquia dos 1,02 dólares, estando a recuar 0,87% para 1,0177 dólares. Está na iminência de atingir a paridade contra a divisa americana, isto é, um euro equivale a um dólar. Isto já não acontece há duas décadas.

Apostar na queda do euro virou uma moda por estes dias, segundo os analistas do Nomura e do HSBC. A agência Bloomberg antecipa que há uma probabilidade de 50% de o euro atingir a paridade contra o dólar no próximo mês.

Euro sob pressão

Fonte: Reuters

O que vai na mente dos investidores? A possibilidade de a Rússia cortar o fornecimento de gás à Europa poderá atirar a economia para uma recessão, originando um choque que tornará mais difícil ao Banco Central Europeu (BCE) para aumentar as taxas de juro e acompanhar assim as subidas promovidas pela Reserva Federal norte-americana para conter a inflação. Subir os juros tende a dar força à moeda. O BCE conta subir os juros em 25 pontos base na próxima reunião de 21 de julho, enquanto a Fed já aumentou as suas taxas em 1,5% desde março.

“Se assistirmos a um racionamento do petróleo na Europa por causa dos cortes da Rússia, vamos ter uma recessão significativa na Europa. Poderá ser um longo inverno”, disse Kaspar Hense, analista da Blue Asset Management, citado pela Bloomberg, apontando para uma queda do euro para os 90 cêntimos de dólar se os russos cortarem a energia aos europeus.

A Agência Internacional de Energia não excluía cortes nos fluxos de gás para a Europa dado o “comportamento imprevisível” da Rússia.

“A Europa está a reduzir a dependência da energia da Rússia, mas não a um ritmo acelerado o suficiente para evitar uma recessão se os pipelines forem fechados. Se isso acontecer, a taxa Euro/Dólar poderá cair outros 10% ou mais”, considera Kit Juckes, do Société Générale.

Van Luu, da Russel Investment, acrescentou outro fator que está a criar enorme perturbação no mercado cambial do euro: o aumento dos spreads da dívida italiana. “É a tempestade perfeita para o euro neste momento”, disse.

Desde que o BCE anunciou em junho que ia aumentar as taxas de referência, os investidores têm castigado mais a dívida de Itália e a aumentar os riscos de fragmentação na Zona Euro. O banco central anunciou uma ferramenta anti-crise que está longe de ser consensual.

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