Pilotos acusam Governo de não responsabilizar TAP por reestruturação “desajustada”

  • Lusa
  • 7 Julho 2022

O SPAC considera que o plano de reestruturação que ditou a saída de trabalhadores e cortes salariais está “desatualizado e completamente desajustado”, levando ao cancelamento de voos.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) acusou hoje o Ministério das Infraestruturas de não responsabilizar a administração da TAP pelo plano de reestruturação, com reduções de salários, trabalhadores e frota “desajustadas”, que levaram a cancelamentos de voos.

“A falta de responsabilização da tutela para com a Administração leva a situações como a de este fim de semana, e a direção do SPAC está solidária com todos os passageiros e trabalhadores de aviação, que nestes dias tiveram de sofrer as consequências de quem toma as decisões, mas não é chamado a responder por elas”, lê-se num comunicado do sindicato aos associados, a que a Lusa teve acesso.

Nos últimos dias, a TAP tem cancelado vários voos, tal como outras companhias aéreas pela Europa, estando na origem destas situações a falta de pessoal, greves, ou outros fatores externos, como a covid-19 ou imprevistos.

Para o SPAC, o plano de reestruturação que a Administração da TAP está a executar está “desatualizado e completamente desajustado”, continuando com os cortes salariais e reduções do número de trabalhadores e da frota de aviões Airbus, levando à contratação de empresas estrangeiras para assegurar certos voos.

“Quando a contratação a peso de ouro de outras empresas de aviação falha e a administração da TAP não tem trabalhadores suficientes, porque os despediu, nem aviões suficientes, porque os dispensou, somos confrontados com o caos completo, como o que se sentiu no fim de semana passado”, defendeu o SPAC.

O sindicato lembrou ainda o caso do diretor de operações da easyJet, Peter Bellew, que se demitiu recentemente, assumindo a responsabilidade pelo cancelamento de várias centenas de voos, fazendo uma comparação com a administração da TAP, que, quando confrontada com o problema, “remete-se ao silêncio e não explica nem assume o fracasso da sua gestão”.

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