Autoeuropa a caminho do segundo melhor ano de sempre com alívio nos chips

Fábrica de Palmela revê em alta previsões de produção para 2022, de 200 mil para 230 mil unidades. Operários reclamam compensação no salário por causa da escalada da inflação.

A Autoeuropa está a caminho do segundo melhor ano de sempre. A administração da fábrica de Palmela melhorou as previsões de produção para 2022, contando com o alívio da crise dos semicondutores que tem afetado a fábrica nos últimos 12 meses. Os operários da fábrica, perante esta perspetiva, já exigem uma compensação nos salários por causa da escalada da taxa de inflação.

As novas estimativas apontam para a produção de cerca de 230 mil unidades para todo o ano de 2022, segundo comunicado da comissão de trabalhadores da fábrica. O novo número apenas fica atrás do recorde de 2019, quando saíram 254.600 automóveis da unidade do grupo Volkswagen em Portugal.

No início do ano, a administração da Autoeuropa apontava para a produção de 204 mil unidades, menos 53 mil do que a atual capacidade máxima das linhas de montagem. Na altura, o grupo Volkswagen enfrentava problemas no fornecimento de semicondutores e chegou a avançar com um plano de rescisões, noticiou o ECO na altura.

Nas últimas semanas, contudo, inverteu-se o cenário de pessimismo. “Estamos a aumentar a nossa produção de carros, não só na Alemanha como em toda a China”, referiu o presidente executivo do grupo Volkswagen, Herbert Diess, num encontro com trabalhadores, no final de junho. O gestor antecipou menos problemas no fornecimento de semicondutores na segunda metade do ano.

No primeiro semestre, a Autoeuropa produziu um total de 113.678 unidades, mais 1,2% do que em igual período de 2021. Entre janeiro e junho deste ano, a produção sofreu ajustes por falta de semicondutores. Na primeira metade do ano passado, a fábrica foi penalizada pelo fecho das escolas no segundo confinamento (que provocou um maior absentismo) e algumas paragens por escassez de chips.

Trabalhadores exigem compensação

Em 2022 e 2023, os trabalhadores da Autoeuropa têm direito, por ano, a aumentos salariais de 2%, no valor mínimo de 30 euros, ao abrigo do acordo laboral aprovado no final de março através de referendo. No entanto, quando o documento foi assinado, ficou acordado que “nas próximas negociações será tomada em consideração a inflação passada”.

Em junho, a taxa de inflação em Portugal foi de 8,74% – a mais alta desde 1992; nos últimos 12 meses, a média da variação mensal dos preços foi de 4,13%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

A comissão de trabalhadores considera que, “uma vez ultrapassados os piores cenários relativamente à previsão do volume de produção para este ano com os quais fomos confrontados em janeiro, a empresa tem todas as condições para aplicar no final do ano uma atualização digna do esforço a que todos os trabalhadores são sujeitos diariamente”.

“Já fizemos sentir à empresa que as pessoas estão a perder poder de compra. O mais tardar no final do ano tem de ter a atenção de compensar os trabalhadores“, sinalizou ao ECO o coordenador da comissão de trabalhadores, Rogério Nogueira.

O ECO tentou confrontar com a Autoeuropa com as novas perspetivas de produção e a exigência dos operários mas não obteve resposta até à hora da publicação deste artigo.

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