Euribor a três meses também já está positiva

Está aí mais um sinal de aperto para as famílias: taxa Euribor a três meses também já regressou a valores positivos, sete anos depois e uma semana antes de o BCE começar a subir as taxas na Zona Euro.

A taxa Euribor a três meses — um dos principais indexantes nos empréstimos da casa — também já está em valores positivos, depois de sete anos a flutuar abaixo de zero, no último sinal de aperto das condições financeiras para as famílias com crédito à habitação. Atingiu os 0,02% esta terça-feira, mais 0,054 pontos do que na quarta-feira

Isto acontece pouco tempo depois de as Euribor com prazos a seis, a nove e a 12 meses também terem invertido para terreno positivo, refletindo as perspetivas de subidas das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE), que se prepara para anunciar um aumento de 25 pontos base na próxima semana, na primeira subida em mais de uma década para travar a inflação.

Evolução da Euribor a três meses desde 2010

Fonte: Reuters

Em Portugal, mais de 90% dos empréstimos da casa têm taxa variável e são estes que estão sobretudo mais sensíveis às variações nas Euribor. O indexante a três meses é o segundo mais usado pelas famílias portuguesas (32% dentro do universo dos contratos com taxa variável) que continuam a preferir, ainda assim, a Euribor a seis meses na hora de pedir dinheiro ao banco para comprar habitação (41,6%).

A última vez que a Euribor a três meses registou um valor positivo foi a 20 de abril de 2015, quando foi fixada nos 0,001%, mas num contexto bem diferente do atual: na altura, o BCE tinha no terreno políticas acomodatícias para animar a procura e assim fazer subir inflação, agora é ao contrário. A taxa de inflação acelerou para 8,6% em junho.

Durante os últimos sete anos as famílias beneficiaram de condições inéditas de empréstimos baratos e aproveitaram as Euribor negativas para amortizar mais o crédito da casa junto dos bancos. Mas o cenário inverteu-se nos últimos meses e a tendência é de as taxas continuarem a subir nos próximos tempos.

Esta quinta-feira, a Euribor a 12 meses atingiu 0,952% e a Euribor a seis meses, depois de inverter para terreno positivo no mês passado, já vai nos 0,448%.

Como é que estas subidas chegam ao bolso das famílias? A prestação da casa está associada às Euribor, dependendo do prazo que escolher. Se a Euribor sobe, a prestação da casa também sobe. À semelhança dos meses anteriores, julho trouxe um novo agravamento dos encargos com habitação.

Fazendo as contas a um empréstimo de 150 mil euros, com o prazo de 30 anos e um spread de 1%, as famílias com créditos associados à Euribor a seis meses viram a prestação subir cerca de 10% no próximo mês, refletindo um agravamento de mais de 46 euros para cerca de 493 euros, segundo as simulações realizadas pelo ECO.

Mais penalizado saiu quem teve um empréstimo indexado à Euribor a 12 meses, que tem vindo a conquistar a preferência dos portugueses nos últimos anos. Neste caso, e assumindo os mesmos pressupostos do crédito de 150 mil euros, a prestação da casa agravou-se mais de 20%, com as famílias a pagarem mais 92 euros em relação à última revisão feita há um ano. A prestação mensal subirá assim para mais 542 euros.

Nos contratos com indexante a três meses, a revisão trouxe uma subida mais contida: a prestação da casa aumentou 3%, ou cerca de 13,80 euros, para 466 euros.

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