Emergência energética “pode durar até dois anos”, antecipa Elisa Ferreira

Comissária europeia sinaliza que "todo o projeto europeu pode estar em causa se não houver reequilíbrio interno" entre os estados-membros. "Portugal não é um país fraudulento" na gestão dos fundos.

A emergência energética na Europa pode durar até dois anos. O cenário é antecipado pela comissária europeia para a Coesão e Reformas, Elisa Ferreira. Ainda assim, a dirigente portuguesa acredita que os objetivos a médio prazo para a redução das emissões até 2030 não estão em causa.

“Faremos um ajustamento [energético] de dois anos sem pôr em causa os objetivos de médio prazo. É uma questão de bom senso”, adiantou Elisa Ferreira nesta sexta-feira, durante uma conferência organizada pela CNN Portugal dedicada aos fundos europeus, na Alfândega do Porto.

A comissária de origem portuguesa destacou que “a invasão da Ucrânia precipitou a agenda [energética], sobretudo para países que dependiam muito do petróleo russo“. Países como a Alemanha e a Áustria reabriram de centrais a carvão perante o corte nas importações ao petróleo russo.

Ainda na área energética, Elisa Ferreira assinalou que a União Europeia tem de virar-se para o sul e o oeste da região. “Podemos desbloquear acessos de energias renováveis e fontes alternativas de gás por gasodutos”, referiu, exemplificando que Portugal e Espanha “estão a desenvolver um agenda, com as ligações à Argélia e norte de África”.

A União Europeia já se comprometeu em reduzir as emissões em 55% até 2030 e atingir a neutralidade carbónica até 2050. “Há um trajeto de médio prazo que não está posto em causa”, destacou ainda a responsável portuguesa.

Promover “reequilíbrio interno” na UE

A gestão dos fundos europeus para a coesão é uma das principais pastas de Elisa Ferreira. E dirigente deixou o alerta: “um país fraturado é um país que vai partir. Se a Europa for feita de oportunidades diferentes, parte“.

As falhas na coesão do território podem ter como consequências a desertificação e a criação de bolsas de pobreza e de exclusão social, que “rebentam” e depois têm consequências para a nível social, político e económico. Por causa disto, “todo o projeto europeu pode estar em causa se não houver reequilíbrio interno” Esse reequilíbrio interno “não deve seguir uma lógica assistencialista mas dando apoio às pessoas”.

Portugal não é um país fraudulento em matéria de fundos”, assinalou. “Outra coisa é se esse dinheiro é, ou não, bem aplicado em determinado projeto.

Elisa Ferreira

Comissária europeia

Sem falar diretamente sobre a regionalização, Elisa Ferreira comentou que “uma política de desenvolvimento requer escala e um trabalho muito maturado, com projetos convergentes”.

Ainda sobre os fundos europeus, Elisa Ferreira voltou a assinalar que “a tolerância para fraude é nula. E “Portugal não é um país fraudulento em matéria de fundos”, assinalou. “Outra coisa é se esse dinheiro é, ou não, bem aplicado em determinado projeto”, acrescentou.

Moreira critica “dinheiro para tapar buracos”

No painel seguinte da conferência, que vai decorrer durante toda a manhã na cidade Invicta, surgiu o presidente da Câmara Municipal do Porto. Habitualmente crítico sobre a forma como os fundos europeus são aplicados, Rui Moreira lamentou que as verbas não sirvam para fazer avançar o país.

“Se continuarmos assim, com o programa Compete gerido em Lisboa, […] o dinheiro inevitavelmente vai ser usado não para mudar o país, mas apenas para tapar os buracos das nossas ineficiências“, sinalizou o autarca.

Rui Moreira denunciou ainda que as três entidades que mais receberam verbas do Programa Operacional 2020 da região Norte são do Estado e têm sede em Lisboa, embora atuem em todo o país: o Instituto de Emprego e Formação Profissional, a Direção-Geral do Ensino Superior e a Infraestruturas de Portugal.

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