Pluris de Mário Ferreira investe 675 milhões em 20 anos. Apoios públicos valem 10%

Depois das críticas por causa do acessos fundos do PRR, a Pluris revela que recebeu 66,3 milhões em subsídios para um investimento total de 675 milhões, mas apenas 13 milhões a fundo perdido.

A Pluris Investments calcula ter realizado investimentos no valor total de 674,87 milhões de euros nos últimos 20 anos, o que equivale a um crescimento médio anual de 25% ao longo deste período, de acordo com os dados facultados ao ECO pelo grupo liderado por Mário Ferreira. É desta forma que o empresário responde às críticas de que não é uma empresa estratégica e não justifica, por isso, o acesso a programas de fundos comunitários.

Depois das críticas sobre as condições de acesso a um financiamento reembolsável do Banco de Fomento de 40 milhões de euros no âmbito do PRR, ainda não formalizado e que obriga à prestação de garantias reais de 12 milhões de euros, o empresário revela pela primeira vez os principais indicadores financeiros, do grupo que lidera, nos últimos 20 anos.

Do total dos investimentos no valor de 675 milhões de euros, a holding sediada no Porto revela que 186,6 milhões de euros resultaram de três fontes diferentes: investimento com capital próprio ou empréstimos bancários (cerca de 120 milhões) ou fundos públicos. Assim, o grupo beneficiou de subsídios no valor de 66,3 milhões de euros – isto é, cerca de 10% do montante total investido neste período –, mas apenas 13,3 milhões a fundo perdido, revela a Pluris.

Este grupo soma participações em dezenas de empresas de setores que vão do turismo ao imobiliário, passando pelos seguros e media – detém 35,38% da Media Capital (dona da TVI) – e tem estado debaixo dos holofotes depois de lhe terem sido atribuídos 40 milhões dos 77 milhões de euros da primeira fase do programa de recapitalização do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR). O Bloco de Esquerda já pediu para ouvir o Banco de Fomento no Parlamento.

Em paralelo, o empresário está sob investigação por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais no chamado caso “Atlântida”, nomeadamente por causa do registo de empresas em Malta, mas garante ter pago todos os impostos devidos nessa operação. Pediu para lhe ser atribuído o estatuto de arguido para ter acesso ao processo que está aberto, o que já foi confirmado pela justiça.

Segundo os dados cedidos pela Pluris e que ajudam a fazer a radiografia aos investimentos realizados nas últimas duas décadas, dinheiro aplicado sobretudo nos negócios de cruzeiros da Mystic Invest (dona da Douro Azul), dos 66,3 milhões de subsídios recebidos, quase 53 milhões são reembolsáveis – 24,3 milhões estão ainda por devolver e estão a ser pagos de acordo com o contratado – e o restante a “fundo perdido” (13,4 milhões de euros, equivalente a 20%). E nestas contas, claro, ainda não estão contabilizados os referidos 40 milhões de euros do Banco de Fomento.

O grupo salvaguarda, de resto, que “os prémios concedidos em subsídios não reembolsáveis foram atribuídos em fases posteriores dos projetos de investimento, de acordo com as regras dos programas em vigor – e de acordo com o cumprimento dos objetivos previamente estabelecidos, essencialmente em sede de criação de postos de trabalho e de avaliação do Valor Acrescentado Bruto criado na economia”.

Uma análise à evolução das aplicações realizadas desde 2002 pela holding de Mário Ferreira (acionista minoritário do ECO) evidencia que o volume investido começou a subir a partir de 2010, mas é a partir de 2016 que inicia a fase de maior fulgor. Renova valores máximos em quatro anos consecutivos, de 2017 a 2020, até ao surgimento da pandemia que faz cair este indicador, acompanhando a perda acentuada de receitas provocada pelas restrições da Covid-19. Como o próprio gestor já revelou na sua página de Facebook, a Pluris teve resultados negativos de 57 milhões de euros em 2020 e 2021, precisamente os anos da pandemia.

A Pluris Investiments, que em 2002 contava com apenas 159 funcionários, fechou o exercício do ano passado com um total de 1.246 trabalhadores e custos com pessoal no montante de 38 milhões de euros. As previsões avançadas pelo grupo nortenho apontam para a contratação de mais 570 pessoas em 2022, em termos líquidos, subindo a despesa com esta rubrica para 55,66 milhões de euros.

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