iLoF do Porto tem 5 milhões para personalizar medicamentos. Quer duplicar equipa

Startup pretende personalizar a medicina e desenvolver testes menos invasivos para doenças oncológicas. No próximo ano e meio quer duplicar a equipa.

A startup portuguesa iLoF obteve um financiamento de cinco milhões de dólares (4,9 milhões de euros). A empresa do Porto está a desenvolver uma plataforma inteligente que permite angariar grandes quantidades de dados para construir uma biblioteca de perfis biológicos, e com isso acelerar o desenvolvimento de medicamentos personalizados e o de dispositivos não invasivos para diagnóstico de doenças oncológicas. O investimento permitirá duplicar a equipa no próximo ano e meio. Até ao final do próximo ano serão contratadas mais de 20 pessoas.

Liderada pela sociedade de capital de risco portuguesa Faber, a injeção de capital também contou com os fundos norte-americanos M12 (capital de risco da Microsoft) e Quiet Captal, além dos europeus Lunar Ventures, Alter Venture Partners, re.Mind Capital, Fluxunit e ams Osram. A título individual participaram Charlie Songhurst, ex-diretor geral da Microsoft, e a Berggruen Holdings, do filantropo Nicolas Berggruen.

O investimento vai acelerar os projetos da iLof, a curto e a longo prazo. A startup cruza a fotónica com a inteligência artificial: através de um dispositivo com um cabo de fibra ótica, são emitidos sinais luminosos para analisar fluidos biológicos em cerca de seis minutos. As amostras são analisadas virtualmente, criando perfis biológicos.

No curto prazo, a tecnológica está a trabalhar com farmacêuticas para desenvolvimento de medicamentos personalizados. “Uma das coisas que temos feito bastante é continuar a recolher quantidades muito grandes de dados para aperfeiçoar os algoritmos. Estamos num estudo com cinco hospitais nacionais — em breve, serão sete — financiados pela Roche Portugal, para estratificação de doentes com Alzheimer”, adianta ao ECO Luís Valente, cofundador da startup.

No longo prazo, a aposta é no desenvolvimento de dispositivos não invasivos para diagnóstico de doenças oncológicas. Dentro de três anos, “contamos estar num contexto clínico a criar impacto nos pacientes. Vamos ser uma alternativa comparável a abordagens mais invasivas”.

Com a equipa dividida entre Porto e Oxford (Reino Unido), a iLoF vai duplicar a equipa nos próximos 18 meses graças a esta ronda: até ao final de 2023 serão contratadas mais de 20 pessoas, para as áreas de física, ciência de dados, biologia e gestão de produto.

Ronda fechada no início do ano

Depois desta ronda de investimento, a startup fundada em 2019 a partir do Porto angariou um total de mais de oito milhões de dólares de financiamento. Apenas anunciada nesta quinta-feira, a mais recente injeção de capital foi assinada no início deste ano, reconhece Luís Valente.

Numa altura em que há menos capital disponível no ecossistema, o líder da iLoF assume que a empresa “está a ser abordada para investimentos adicionais“. A startup aposta no mercado da medicina personalizada avaliado em 500 mil milhões de dólares em 2021.

Além de Luís Valente, a iLof conta atualmente com mais duas cofundadoras: Mehak Mumtaz, doutorada em bioquímica e responsável operacional; e Paula Sampaio, doutorada ciências biomédicas e responsável de segurança. Joana Paiva, que também ajudou a fundar esta startup, deixou a empresa no início de 2022.

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