Resultado da Caixa dispara 65% para 486 milhões. “Lucro excessivo? Zero”, diz Paulo Macedo

Banco público viu os lucros subirem 65% para 486 milhões na primeira metade do ano. Prevê dividendos de 198 milhões. "Lucros excessivos? Até agora zero", diz o CEO Paulo Macedo.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou lucros de 486 milhões de euros no primeiro semestre, uma subida de 65% em relação ao mesmo período do ano passado, à boleia da redução das provisões e imparidades e do crescimento do negócio internacional. Ainda assim, o presidente do banco rejeita que seja um resultado excessivo. A instituição do Estado prevê dar dividendos de 198 milhões de euros referente aos lucros dos primeiros seis meses do ano.

“Lucros excessivos? Até agora zero”, respondeu esta sexta-feira Paulo Macedo na conferência de apresentação de resultados. “Não temos lucros excessivos, nem na margem [financeira]. Tivemos felizmente várias áreas do banco a correr bem”, acrescentou, lembrando, por seu turno, que “a Caixa e os outros bancos todos os anos que tiveram prejuízos pagaram o imposto extraordinário”.

Quais foram as áreas em que correu bem? “A área internacional correu bem, a área de recuperação de crédito correu bem”, explicou Macedo aos jornalistas.

De acordo com o banco, a subida dos lucros do semestre “reflete um menor custo do risco de crédito no período após a fase mais aguda da pandemia Covid-19 e a venda de alguns ativos não core, bem como o contributo da atividade internacional para o resultado líquido do grupo, no valor de 109 milhões de euros, cerca de 22% do total, um crescimento de 77% face ao primeiro semestre de 2021″, diz o banco público liderado por Paulo Macedo.

A instituição destaca a redução de provisões e imparidades no valor de 334,7 milhões de euros. As imparidades de crédito caíram 197 milhões de euros, “correspondente a uma redução parcial dos níveis de imparidades adicionais constituídos em contexto de pandemia entre 2020 e 2021”.

Os indicadores de negócio mostram uma evolução muito positiva nos seis primeiros meses do ano: margem financeira subiu 21,6% para 600 milhões de euros e os resultados com comissões subiram 22,5% para 306 milhões de euros. No global, o produto da atividade aumentou 17,3% para 1.025,9 milhões de euros.

O crédito a clientes subiu 2,7% para 51,6 mil milhões de euros e os recursos de clientes, incluindo depósitos, cresceram 4,5% para 83,4 mil milhões de euros.

Banco contacta clientes mais expostos à inflação

O banco adianta que está a atuar proativamente junto das empresas dos setores mais vulneráveis ao aumento dos preços dos fatores produtivos, em particular a energia, como transportes, têxteis, metalurgia e indústria alimentar, entre outros. “Queremos aferir o grau de pressão e dificuldade e o que esperam na relação creditícia connosco”, explicou a administradora financeira, Maria João Carioca.

Do contacto com os clientes mais vulneráveis, 85% dos clientes não esperam impactos significativos do atual contexto, com 15% a merecerem monitorização continuada por parte do banco.

Para já, não há sinais de deterioração da carteira. Pelo contrário, pois o rácio de NPL (non performing loans) caiu para 2,58%, totalizando os dois mil milhões de euros.

(Notícia atualizada às 18h56)

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