PSD quer análise “séria” e “robusta” da ERSE aos efeitos do mecanismo ibérico na fatura da luz

PSD considera que o despacho do Governo sobre a validação das faturas da Endesa são uma "intromissão nas regras do mercado". Pinto Luz quer análise "robusta" da ERSE sobre mecanismo ibérico.

O PSD vai solicitar à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) que seja publicada uma análise “séria” e “robusta” sobre o “verdadeiro efeito” que o mecanismo ibérico terá sobre a fatura da eletricidade de “todos os consumidores”. “O PSD entende que a ERSE deve defender quem realmente necessita, os consumidores”, afirmou Miguel Pinto Luz.

Na sede do PSD, em Lisboa, o vice presidente do partido defende que o regulador tem a responsabilidade de fazer uma análise “transparente”, descartando o argumento de que a entidade possa entrar agora num período de férias. “Os portugueses não têm férias no pagamento excessivo das contas. O regulador terá que fazer uma análise séria, robusta e transparente”, frisou.

As declarações surgem na sequência de um despacho publicado esta terça-feira pelo Governo e que revela que todas as faturas da Endesa de fornecimento de energia, nomeadamente a serviços e entidades do Estado, só podem ser pagas mediante a validação do secretário de Estado João Galamba. Sobre esta solução, o social-democrata considera ser uma “postura inaceitável” e uma “intromissão nas regras do mercado”. “[É] um despacho dirigido a uma empresa e não a quem realmente devia ser dirigido, aos portugueses, consumidores, com soluções para os problemas”.

Para Miguel Pinto Luz, o Governo “não gostou do que ouviu” por parte do presidente presidente da Endesa, Nuno Ribeiro da Silva, que disse numa entrevista conjunta à Antena 1 e Jornal de Negócios, que os preços da eletricidade poderiam subir até 40% por causa do mecanismo ibérico que limita o preço do gás natural. O responsável garantia que o sistema, adotado em junho, teve um impacto positivo em Espanha, mas não em Portugal, onde as atualizações tarifárias se iriam refletir em aumentos já nas faturas de julho. Por isso assumiu uma posição “persecutória”. O vice presidente do PSD acusou o Governo de ter uma “reação típica e habitual que se traduziu numa “ação persecutória”. “Estamos a voltar aos tempos de quem se mete com o PS, leva”, acusa Pinto Luz.

IL: Despacho é versão moderna de “quem se mete com o PS leva”

A Iniciativa Liberal acusou o PS de prepotência e retaliação ao determinar que os serviços do Estado não podem pagar faturas da Endesa sem validação, considerando ser a versão moderna de “quem se mete com o PS leva”. “PS significa também prepotência socialista porque perante declarações de um presidente de uma empresa privada que o PS não gosta, o que é que ele faz? Retalia”, criticou o presidente e deputado da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, num vídeo enviado às redações.

Para o líder da IL esta “retaliação” é feita de duas formas, por um lado ao obrigar à “validação de centenas de faturas todos os meses” e, por outro, “ameaçando com a mudança de fornecedores presumindo que vai haver práticas comerciais desadequadas”. “Isto não é admissível, isto é a versão moderna de quem se mete com o PS leva. Prepotência e propaganda são as duas armas que restam a um Governo que é incompetente”, condenou.

“É de propaganda que se trata quando o Governo quer esconder que este mecanismo permite preços mais baixos da eletricidade em relação aos preços europeus no momento, mas vai originar preços mais altos do que a Europa no futuro e os mesmos beneficiários desses preços mais baixos hoje serão aqueles que pagarão os preços mais altos”, acusou.

PCP reitera que aumento de preços é “inaceitável” e Governo tem competência para o impedir

O PCP reiterou hoje que é “inaceitável a existência” de qualquer aumento do preço da eletricidade e que está na esfera do Governo encetar medidas para o evitar.

Numa curta resposta enviada à Lusa, o PCP considerou “inaceitável a existência de qualquer aumento da eletricidade, pelo que o Governo deve tomar todas as medidas que o impeçam”.

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