Rotatividade dos professores é superior a 20% na escola pública

A análise da NOVA SBE permitiu aferir, entre outros aspetos, uma "relação entre a rotatividade e o aproveitamento dos alunos medido pelas notas nos exames nacionais".

A rotatividade dos professores na escola pública é, em média, superior a 20% e “está diretamente relacionada com a percentagem de alunos com apoio social, as classificações em exames nacionais e o nível de educação dos pais”, aponta um estudo da Centro de Economia da Educação da Nova SBE, divulgado esta quinta-feira.

“Tendo em conta os impactos negativos que uma maior rotatividade dos professores tem no desempenho dos alunos, os elevados níveis de rotatividade observados são preocupantes e sugerem a importância de alterar as atuais políticas de recrutamento por forma a aumentar a estabilidade do corpo docente nas escolas públicas portuguesas”, aponta Luís Catela Nunes, professor catedrático da Nova SBE, um dos autores do estudo, juntamente com Ana Balcão Reis, Pedro Freitas e Diogo Conceição, citado em comunicado.

O setor de educação debate-se, à semelhança de outros, com escassez de talento. E, sendo a estabilidade “um fator determinante na atração de docentes para a carreira, é particularmente importante conhecer o grau de rotatividade dos atuais docentes em diferentes tipos de escolas”, de forma a “sustentar políticas públicas que conduzam a uma maior estabilidade dos docentes nas escolas”, justifica a NOVA SBE.

O que diz o estudo?

Incidindo entre os anos letivos de 2008/2009 e 2017/2018, o estudo analisou a rotatividade de professores em todos os agrupamentos de escolas públicas em Portugal Continental, com os resultados a revelar uma média de rotatividade entre 17% e 36%.

Em 2017/18, em 90% dos agrupamentos a rotatividade atingiu níveis acima dos 20%, ou seja, em cada cinco docentes pelo menos um deles não estava no agrupamento no ano anterior”, aponta a NOVA SBE.

O estudo “Rotatividade de Docentes nas Escolas Públicas Portuguesas” indica ainda uma “relação direta” entre a rotatividade do corpo docente e o desempenho escolar dos alunos, nas suas classificações nos exames nacionais, o nível de educação dos pais e o número de alunos com apoio social escolar.

A análise permitiu aferir uma “relação entre a rotatividade e o aproveitamento dos alunos medido pelas notas nos exames nacionais”, com a rotatividade mais elevada a fazer-se sentir “nos agrupamentos em que os alunos têm notas mais baixas nos exames nacionais de Português e Matemática” e com os “agrupamentos com melhores notas a apresentar uma média de rotatividade cerca de 3 p.p. abaixo da rotatividade dos agrupamentos com piores resultados nos exames”.

Mas também com o nível de educação dos pais — há uma maior rotatividade nos agrupamentos onde “as mães dos alunos têm um nível de educação mais baixo, existindo uma diferença de cerca de 5 p.p. ” — e nível de apoio social escolar. Também há uma maior rotatividade nos agrupamentos em que há uma maior percentagem de alunos que beneficiam de Apoio Social Escolar, uma diferença de cerca de 5 p.p., aponta o estudo.

São os professores contratados os que apresentam maiores mudanças entre agrupamentos, sendo a rotatividade semelhante para os vários níveis de ensino.

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