Preços da luz indexados são os mais baratos. Conheça os melhores tarifários

Conheça as melhores ofertas da luz para 2024, quer esteja disposto a experimentar tarifários que oscilam ao sabor do mercado ou prefira manter um preço fixo todo o ano.

No ano passado, um jargão ecoou nos ouvidos dos consumidores de eletricidade: os “tarifários indexados”. Estes tarifários deram nas vistas porque, em 2023, foram tão vantajosos que chegaram a pagar aos consumidores em vez de lhes cobrar. No geral do ano, mesmo quando não estavam a devolver dinheiro aos clientes, estavam a oferecer os preços mais baixos do mercado. Sendo que os preços praticados nestes tarifários oscilam muito e são difíceis de prever, não é fácil assegurar se serão a melhor opção ao longo de todo o ano de 2024. No entanto, existem bons indicadores, e voltam a ganhar a corrida aos preços mais baixos, pelo menos no arranque do ano.

Para um casal sem filhos, as quatro ofertas mais acessíveis são indexadas, de acordo com os dados disponíveis esta segunda-feira no simulador da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos. Para um casal com dois filhos são cinco as ofertas indexadas que se destacam como as mais baratas e para uma família mais numerosa, com quatro filhos, as ofertas indexadas mais vantajosas reduzem-se a três.

Para o consumo típico de um casal sem filhos, a “Solução Família” da Ibelectra deverá cobrar 34,45 por mês, um pouco abaixo dos 34,54 euros da “Cashback Energy 8.8” da Luzigás, dos 34,94 euros da “Plano Simples Indexado Online” da Iberdrola e dos 35,07 euros da “Tarifa Tendência” da Plenitude. A primeira oferta não indexada a aparecer na lista é a Eletricidade DD+FE – Digital 2023, da EDP, disponível apenas para novos clientes, e que custa anualmente 35,39 euros. Ocupa o quinto lugar da lista.

No caso de um casal com filhos, voltam a “ganhar” a “Solução Família” da Ibelectra e a “Cashback Energy 8.8” da Luzigás, que cobram, respetivamente, 85,38 e 85,53 por mês. Segue-se a “Luzboa Spot” da Luzboa, com 89,73 euros de fatura mensal e o “Plano Simples Indexado Online” da Iberdrola, nos 90,10 euros. Em quinto lugar, a “Tarifa Tendência” da Plenitude fecha a mão cheia de ofertas indexadas que se apresentam como as opções mais acessíveis para este nível de consumo.

Por fim, para um casal com quatro filhos, a Solução Família da Ibelectra mantém-se na linha da frente, cobrando 183,97 euros, a Luzigás segue-se com uma conta de 189,22 euros e a “Luzboa Spot” da Luzboa fecha o núcleo de ofertas indexadas mais acessíveis com 191,61 euros mensais.

Para esta análise, considerou-se sempre um tarifa simples e excluíram-se ofertas condicionadas com ou fidelização, mas entram na lista ofertas para novos clientes e “outros reembolsos/descontos”. No entanto, a análise mais fiel deverá ter em conta os dados de consumo e preferências de cada cliente, que pode introduzir no mesmo simulador.

“Os contratos a preços indexados promovem um maior envolvimento dos consumidores na gestão da sua fatura de eletricidade”, logo, “para que o cliente possa usufruir das vantagens deste tipo de contratos, é fundamental estar bem informado sobre a evolução dos preços nos mercados de eletricidade, para ter capacidade de mudar o consumo rapidamente ao longo do tempo”, alerta a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE). De forma a escolher a melhor opção, o regulador aconselha consultas regulares ao seu simulador.

O que são preços indexados e como funcionam?

Antes de a luz chegar aos clientes, que assinam um contrato com um comercializador à sua escolha, este comercializador tem de comprar eletricidade a quem a produz. O comercializador “vai às compras” ao chamado “mercado grossista da eletricidade” no qual, a cada hora, consoante a oferta e a procura, a eletricidade tem preços diferentes. E são estes preços que guiam os preços dos tarifários indexados.

Quando os preços de mercado descem, o cliente beneficia de uma descida de preços na sua fatura mas, quando os preços de mercado aumentam, o cliente vê repercutidos na sua fatura estes aumentos de preço”, indica o regulador.

Explicando: o preço final da fatura da eletricidade tem várias componentes e, enquanto nos tarifários mais comuns a componente “tarifa da energia” tem um preço fixo durante todo o ano (salvo raras exceções, que permitem revisões trimestrais), nos tarifários indexados esta componente vai variar (encarecendo ou ficando mais barata) consoante a evolução dos preços da eletricidade vendida no mercado grossista.

Geralmente, o preço grossista que serve de referência é o valor médio mensal do mercado diário de eletricidade. Mas os tarifários indexados podem também cobrar preços diferentes dependendo da hora a que se dá o consumo, desde que o consumidor tenha um contador inteligente. Como, regra geral, durante a noite a energia é mais barata, o próprio consumidor pode “jogar” com isto para que os maiores consumos aconteçam nas horas mais baratas. Algo parecido com os tarifários bi-horários mas, em vez de dividir o dia em dois períodos, este divide-se em 24 horas.

Além a tarifa da energia, que depende do mercado grossista, os tarifários indexados terão ainda de contabilizar no preço a tarifa de acesso às redes, cujo valor é fixo e definido pelo regulador, a margem que cabe à empresa e, claro, os impostos.

Assim sendo, os tarifários indexados podem ser uma opção interessante para poupar mas, dadas as flutuações de preço, serão menos atrativos para quem não tenha aptidão ou interesse para acompanhar a evolução dos mercados grossistas. Neste último caso, mesmo que “com maior probabilidade” de pagar mais com contratos a preços fixos do que com contratos a preços indexados, os consumidores podem preferir “a estabilidade de custos de energia” que conseguem com os primeiros, reconhece a energética Coopérnico.

João Nuno Serra, gestor da YesEnergy e líder da Associação dos Comercializadores de Energia no Mercado Liberalizado (ACEMEL), considera que os tarifários indexados são “sempre uma boa opção quando o mercado está estável”. Quando está mais volátil, “o refúgio é a tarifa fixa”.

O que muda em 2024 que agita os preços indexados?

A pergunta de “um milhão” que determinará o rumo dos tarifários indexados é “qual será a evolução dos preços da eletricidade no mercado grossista?”. A resposta não é fácil. A Coopérnico recorda que “anos como o de 2022 claramente demonstraram como os melhores algoritmos falham”. E a mesma ressalva, quanto ao efeito que podem ter eventos disruptivos como uma guerra ou uma pandemia, é feita pelo líder da ACEMEL.

João Nuno Serra, no entanto, com a informação de que dispõe de momento, arrisca apontar para uma “estabilização de preços [no mercado grossista] ao longo deste ano, em torno dos 80 a 100 euros por megawatt-hora (MWh)”. Esta fasquia, acredita, é atrativa do ponto de vista dos tarifários indexados, já que assim “as ofertas de preços fixos tenderão a ser mais altas”. É que, como nos contratos a preço fixo é o comercializador que está a assumir o risco em relação às oscilações de preço no mercado grossista, o cliente acaba por pagar por esta “segurança” extra.

Um dos fatores que, na opinião do líder da ACEMEL, permitirá uma estabilização dos preços é a recém-acordada diretiva relativamente ao desenho dos mercados europeus de eletricidade. A diretiva promove contratos com preços garantidos para as centrais renováveis, incentivando este investimento. Com mais capacidade renovável, os preços do mercado grossista devem aliviar. “Vamos ver se terá efeito prático em 2024. Mas a economia vive muito de sinais, e esta decisão política é um sinal importante para a economia nesta área”, defende João Nuno Serra.

Preço médio da eletricidade no mercado grossista ibérico nos últimos cinco anos e previsão para 2024

Preço médio anual praticado no mercado grossista da eletricidade nos últimos cinco anos (PTEL, fonte: OMIE) e antevisão do preço médio esperado para o mercado grossista em 2024 (FPB YR-24, fonte: OMIP)

 

A Aleasoft, empresa espanhola que se dedica à análise de dados no mercado da energia, mostra-se também otimista. Em 2023, os preços do mercado grossista de eletricidade que é partilhado por Portugal e Espanha (Mibel) caíram 47%, tornando-se mais baixos que os de 2022 e de 2021. “Para 2024, as previsões apontam para uma tendência de baixa”, e a queda pode ser superior a 10%, estima a mesma fonte. Tudo dependerá, essencialmente, de dois fatores: o preço do gás (que ainda é muito usado para produzir eletricidade) e da capacidade renovável. No caso do gás, o cenário presente é de recuo nos preços. No campo das renováveis, a Aleasoft espera um crescimento rápido, sobretudo da capacidade solar, em Portugal e Espanha.

Apesar do cenário otimista quanto ao preço da eletricidade no mercado grossista, que influencia a parcela do preço da luz “tarifa da energia”, há outra componente da fatura que, pelo contrário, pesará mais. É a tarifa de acesso às redes. “Com a subida das tarifas de acesso, os preços dos tarifários indexados vão ser muito diretamente impactados”, sublinha Pedro Silva, especialista na área de Energia da Deco Proteste.

Estas tarifas estavam em valores negativos em 2023, -30,4 MWh, mas em 2024 vão dar um salto de 316% para os 66,2 MWh, pois, como os preços do mercado grossista desceram, as instalações com tarifas garantidas deixaram de entregar ganhos ao sistema elétrico nacional. Considerando a evolução desta componente, não será tão fácil entregar preços tão competitivos aos consumidores como em 2023 — vai ser uma questão de balanço entre esta tarifa, a da energia e, claro, as margens.

Se preferir preço fixo, estas são as melhores ofertas

Como já referido, a “Eletricidade DD+FE – Digital 2023” da EDP é a tarifa mais acessível, fora as indexadas, que está disponível para um casal sem filhos, de acordo com o simulador da ERSE. Custa 35,39 euros por mês.

Um casal com dois filhos tem a “Tarifa Aniversário” da Endesa como a oferta não indexada mais acessível, cobrando 91 euros mensalmente, e quase “taco-a-taco” a Eletricidade DD+FE – Digital 2023 da EDP, nos 91,13 euros, e a “Leve sem Mais” da Repsol, por 91,93 euros mensais. É seguida pela “Galp & Continente Eletricidade Verde (DD)”, que implica reembolsos em cartão para usar nos supermercados Continente, e que cobra 35,71 euros e, finalmente, apresenta-se a “Tarifa Aniversário” da Endesa, com 36,32 euros mensais.

No caso das famílias numerosas, a oferta a preços fixos mais vantajosa, com 193,14 euros por mês, é a “Galp & Continente Eletricidade Verde (DD) + 2 Serviços”, da Galp. No entanto, esta oferta pressupõe que o IVA correspondente não é descontado diretamente na fatura, mas sim atribuído em cupão a ser carregado como saldo no cartão Continente, e é assumindo que gasta o saldo em cartão que é uma opção mais acessível. A “Leve” da Repsol, que custa 195,71 euros por mês é a seguinte melhor opção.

Os preços regulados da luz aparecem apenas em 10.º lugar na lista das tarifas mais acessíveis para um casal sem filhos, e em 13.º lugar para um casal com dois ou quatro filhos. Neste sentido, o mercado livre continua a sair mais barato aos consumidores.

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