Pedro Reis recupera diplomacia económica

O ministro da Economia vai estar presente no Fórum Macau num momento sensível para as relações com a China. É a primeira ação de Pedro Reis para recuperar a diplomacia económica.

Pedro Reis tinha assumido a diplomacia económica como uma das prioridades políticas para a legislatura, uma das decisões orgânicas foi a transferência da Aicep dos Negócios Estrangeiros para o ministério da Economia. Na próxima segunda-feira, o ministro da Economia vai ter uma primeira intervenção política neste contexto, na 6º edição do Fórum Macau e que ocorre no ano dos 25 anos de transferência do Território para a China.

O ministro da Economia, recorde-se, foi presidente da Aicep no Governo de Passos Coelho e Paulo Portas e apostou nas missões de diplomacia económica para promover empresas portuguesas e captar investimento estrangeiro. Foi aliás nesse contexto que a Aicep mudou de tutela. Agora, com a nomeação de Pedro Reis para a Economia, regressou também o Aicep, a agência para a internacionalização e comércio externo. Pedro Reis quer voltar a apostar na diplomacia económica e, neste quadro, vai também fazer regressar as missões empresariais a mercados externos, com empresas exportadoras, e sobretudo para novos mercados e para captar investimento estrangeiro.

A presença de Pedro Reis neste Fórum Macau surge num momento particularmente sensível das relações políticas e económicas de Portugal e da China, na sequência da exclusão da Huawei da rede de 5G. Portugal passou a ser um dos poucos países da Europa Ocidental cujos nacionais não beneficiam de isenção de visto para entrar na China, após Pequim ter alargado aquela medida a mais seis nações. Em declarações à agência Lusa, o embaixador português em Pequim, Paulo Nascimento, disse mesmo “não entender” o critério que levou as autoridades chinesas a excluir Portugal. “Não acredito que haja aqui discriminação negativa, no sentido de dizer que a China está a fazer isso para sinalizar alguma coisa a Portugal, não acho que seja esse o caso“, afirmou. “Mas não consigo entender o critério”, disse.

Em 2023, de acordo com informações do Ministério da Economia, a China foi o quinto principal fornecedor de bens a Portugal, assegurando 5% das compras portuguesas ao estrangeiro. É já o 16.º país de exportação de produtos portugueses, com 1.309 empresas a vender para território chinês, em 2022. E 402 empresas portuguesas exportaram serviços para Macau.

Pedro Reis vai assim representar o Governo na assinatura do “Plano de Ação Trienal’ deste Fórum Macau, “um mecanismo multilateral de cooperação intergovernamental, criado em 2003, por iniciativa da República Popular da China”, lê-se num comunicado de Imprensa enviado ao ECO. O Fórum Macau “tem por objetivos consolidar o intercâmbio económico e comercial entre a China e os PLP, dinamizar o papel de Macau enquanto plataforma de cooperação e fomentar o desenvolvimento comum do Interior da China, dos PLP e de Macau. A sua ação tem estado centrada nos domínios de cooperação intergovernamental, cooperação no comércio e no investimento, cooperação setorial, cooperação para o desenvolvimento, recursos humanos, cooperação médica e sanitária, educação e cultura, entre outros“.

 

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