Investimento estrangeiro em Portugal sobe 19% para valor recorde de 13,2 mil milhões de euros

Fluxos de investimento batem recordes em 2024, com o IDE em Portugal a subir 19% para 13,2 mil milhões de euros e o investimento nacional no exterior a crescer 25,7% para 7,17 mil milhões de euros.

O investimento direto estrangeiro (IDE) em Portugal atingiu níveis históricos em 2024, com um aumento de 19% face ao ano anterior, totalizando 13,2 mil milhões de euros. Trata-se de uma recuperação significativa face a uma queda de 2,4% registada em 2023, sinalizando uma confiança renovada dos investidores internacionais na economia portuguesa.

Simultaneamente, as empresas portuguesas também intensificaram a sua presença global, com o investimento direto de Portugal no exterior (IPE) a crescer 25,7% para 7,17 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde 2011, o ano em que a troika chegou ao país.

Os dados divulgados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal revelam um panorama económico em expansão, com Portugal a consolidar a sua posição como destino atrativo para capital estrangeiro e, ao mesmo tempo, a afirmar-se como um player cada vez mais relevante no palco dos investimentos internacionais.

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“As transações de IDE totalizaram 13,2 mil milhões de euros (11,1 mil milhões em 2023), devido sobretudo ao investimento realizado no capital de entidades portuguesas (11,1 mil milhões de euros)”, refere o Banco de Portugal em comunicado. Este aumento significativo reflete não apenas a confiança dos investidores estrangeiros, mas também a capacidade de Portugal em atrair capital para setores estratégicos da sua economia.

A sustentar particularmente o nível de investimento estrangeiros está o setor imobiliário. As transações de IDE “refletem também um contributo significativo do investimento imobiliário, no valor de 3,5 mil milhões de euros”, refere o Banco de Portugal em comunicado. Este dado sublinha a contínua atratividade do mercado imobiliário português para investidores estrangeiros, apesar das preocupações recentes sobre a sustentabilidade dos preços no setor.

Quanto à origem geográfica destes investimentos, os países europeus mantiveram-se como os principais investidores em Portugal no ano passado. “Numa perspetiva de contraparte imediata, os países europeus foram os que mais investiram em Portugal neste período, com destaque para Espanha (3,8 mil milhões de euros), Luxemburgo (3,1 mil milhões de euros) e Países Baixos (1,4 mil milhões de euros)”. Esta concentração de investimento proveniente de parceiros europeus reforça a integração económica de Portugal no espaço comunitário e a sua posição estratégica como porta de entrada para o mercado europeu.

Stock do investimento estrangeiro a crescer dentro e fora do país

Além do crescimento do IDE, os números do Banco de Portugal revelam que também o IPE registou um desempenho significativo, fechando 2024 com um saldo de 7,2 mil milhões de euros, 25,7% acima dos 5,7 mil milhões de euros contabilizados em 2023.

Os destinos preferenciais do investimento português no exterior mantêm-se largamente dentro do espaço europeu. “Numa perspetiva de contraparte imediata, destacou-se o investimento realizado em entidades residentes em países do continente europeu, em particular, nos Países Baixos (1,8 mil milhões de euros), em Espanha (1,1 mil milhões de euros) e no Luxemburgo (1,1 mil milhões de euros)”, refere o Banco de Portugal.

A análise dos stocks de investimento direto oferece uma perspetiva mais ampla sobre a posição de Portugal no cenário de investimentos internacionais. “No final de 2024, o stock de investimento direto estrangeiro em Portugal (IDE) era de 200,3 mil milhões de euros, e o de investimento direto de Portugal no exterior (IPE) era de 76 mil milhões de euros. Estes montantes representavam, respetivamente, 71% e 27% do PIB português”, destacam os técnicos do Banco de Portugal.

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“Desde 2008 que ambos os stocks têm aumentado, embora a ritmos diferentes: o IDE mais do que duplicou entre o final de 2008 e o final de 2024, enquanto o IPE cresceu 45%”. Esta tendência de longo prazo indica uma transformação estrutural na economia portuguesa, com uma integração cada vez mais profunda nos fluxos de capital globais.

Um aspeto interessante revelado pelos dados é a distribuição regional do IDE em Portugal. “No final de 2024, a Grande Lisboa era a região que concentrava o maior valor de IDE: 106,2 mil milhões de euros, ou seja, 53% do stock de IDE. Seguiam-se o Norte, com 34,6 mil milhões de euros (17,3% do total de IDE), e o Algarve, com 19,5 mil milhões de euros (9,7% do total de IDE)”. Esta concentração geográfica do investimento levanta questões sobre o desenvolvimento equilibrado do território nacional e os desafios de atrair investimento para regiões menos favorecidas.

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