Menções no digital e seguidores de Cotrim de Figueiredo a subir em semana ´horribilis’

Rafael Correia,

André Ventura mantém-se com o maior alcance, mas o pior engagement médio nas redes sociais, durante esta segunda semana de campanha. A análise é da Samy, para o +M/ECO.

As redes sociais de João Cotrim de Figueiredo viram aumentar o número de seguidores em 19,7% — entre 12 e 15 de janeiro –, na semana em que surgiu primeiro “o momento bastante infeliz” André Ventura e de seguida a denúncia do alegado assédio sexual, que já motivou críticas à comunicação social pelo candidato,

A análise feita pela Samy para o +M/ECO, revela ainda que o alcance dos seus conteúdos foi entre 3,5 milhões e 4,5 milhões de indivíduos nesta semana. A taxa de engagement também cresceu. Se na semana passada era de apenas 0,76%, esta sobe para 11,6%. Ricardo Lopes, growth director da Samy, explica que “ele é o único candidato que consegue escala com interação relevante“.

Analisando mais ao detalhe, nota que Cotrim utilizou o “Instagram para projetar uma imagem de inevitabilidade”, tendo sido o “candidato que melhor capitalizou o crescimento nas sondagens, através de uma estética de ‘vencedor'”. Apesar disso, a reta final foi marcada pela gestão de crise (o caso da alegação de assédio).

A sua performance digital nesta semana foi de ‘resistência’, tentando evitar que o ruído negativo travasse a sua ascensão ao segundo lugar. O aumento da taxa de engagement, está diretamente relacionado com esta ‘polémica’. No entanto, Cotrim adotou uma estratégia de ‘corpo às balas’, não se escondendo do tema, e partilhando muitos conteúdos relacionados com o mesmo”, conclui.

As alegadas acusações de assédio dominaram a página do candidato no Facebook, com 12 mil reações. Já a ‘clarificação’ sobre a sua posição de apoio a André Ventura dominou o Instagram e o Tiktok – com 49,6 mil gostos e 455,9 mil visualizações.

Mesmo nas menções no digital, excluindo as redes sociais dos candidatos, Cotrim de Figueiredo vê crescer de apenas 229 na semana passada — quarto lugar entre os candidatos — para 1.170, sendo o único que mais se aproximou a André Ventura — que também viu as menções aumentarem de 1.580 para 2.440. O alcance dessas menções também cresceu de 4,62 milhões — quinto lugar — para 7,75 milhões — terceiro lugar.

Análise pelos restantes candidatos

E como correu a semana para os restantes candidatos? André Ventura mantém-se com o maior alcance. Já Jorge Pinto atinge um “recorde absoluto de 41,2% de engagement, com a maioria dos candidatos a ver a sua taxa de interação a aumentar. Mas agora analisando, candidato a candidato.

André Ventura

André Ventura fecha a campanha com o maior alcance absoluto da semana — 22,44 milhões de utilizadores –, mas com a “performance técnica mais instável”.

Ricardo Lopes nota que o candidato apoiado pelo Chega “dominou o TikTok com clips de confronto, mas a sua taxa de engagement — 1,9% — é a mais baixa“. “Isto indica que ele atingiu o ‘ponto de saturação’: o algoritmo entrega o seu conteúdo porque é viral, mas a vasta maioria do público consome-o de forma passiva ou crítica”, acrescenta o growth director da Samy. Mesmo assim, a taxa subiu em relação aos 0,42% da semana passada.

“O seu digital funciona por ‘transmissão’, não por ‘conversa’. Nesta semana final, o foco foi a vitimização e o ataque às instituições (como a frase contra Montenegro), uma estratégia de polarização e geração de ruído para garantir que nenhum seguidor falha a ida às urnas“. conclui.

No âmbito das duas semanas, no Facebook destaca-se o aniversário do candidato, com 64 mil reações. Já no Instagram, mantém-se o destaque pelo vídeo “Grande Estouro na Catarina Martins”, com 96,5 mil gostos. No Tiktok, é o vídeo sobre “as escolhas importantes” na visão do candidato, reunindo 574,1 mil visualizações.

António José Seguro

O apoio de Ricardo Quaresma dominou as redes sociais de António José Seguro — no Facebook com 11 mil reações, no Instagram com 20,4 mil gostos e no Tiktok com 75,7 mil visualizações.

O candidato apoiado pelo PS é, na análise de Ricardo Lopes, “é o exemplo de que menos pode ser mais. Tem a menor plateia — 1,83 milhões de alcance –, mas a mais convicta”, ao contar com 18,8% de engagement — valor semelhante à semana passada.

O seu terreno é o Facebook, onde o público consome vídeos longos e institucionais. Enquanto Ventura quer 10 segundos de atenção, Seguro quer 3 minutos. O seu digital foca-se na retenção”, aponta o growth director da Samy.

Numa análise ao conteúdo, explica que, focou esta semana nos “seus apelos ao voto cirúrgicos, focando-se no eleitorado que valoriza a serenidade acima do espetáculo. Tentou também o apelo à tração de público mais jovem, aparecendo em vários conteúdos a jogar, ou em partilha de ações de campanha, como em Braga onde convida os jovens ‘a beber um fino”. Estes conteúdos trouxeram um pouco mais de tração em Instagram, e contribuíram para cimentar as suas taxas de engagement na plataforma”.

Luís Marques Mendes

O candidato apoiado pelo PSD partilhou esta semana a sondagem que o colocou na 2ª volta no Facebook, tornando-se a publicação a com mais reações nessa rede social — 4,6 mil. No Instagram, é o apoio de Cavaco Silva, ao concentrar 5,5 mil gostos. No TikTok, continua a destacar-se o discurso de apoio do eurodeputado Sebastião Bugalho, com 16,3 mil visualizações.

Nesta semana, Luís Marques Mendes “enfrenta o desafio de ser uma figura de grande visibilidade, mas com ‘baixa tração digital'”. Alcançou 17,2 milhões de pessoas, mas conta o engagement “mais baixo do centro-direita”, no valor de 4,9% — igual à da semana passada.

O seu público ouve-o por hábito televisivo, mas não o ‘defende’ nas redes. Nesta semana, precisou de muletas digitais (como o apoio do cantor Toy e de Sebastião Bugalho) para gerar viralidade“, aponta Ricardo Lopes.

Nesse sentido, “é uma performance de ‘análise’, não de ‘ação’. Dependeu inteiramente destes apoios para gerar engagement nas suas redes, provando que com conteúdos próprios, ou mais voltados para campanha, não consegue gerar a tração necessária para obtenção de taxas de engagement mais elevadas”.

Henrique Gouveia e Melo

O seu melhor conteúdo na semana final foram clips de apoiantes a recordar o seu papel na pandemia. Realizou mais de 200 publicações nesta semana, alcançado 10,47 milhões de alcance e um engagement de 6,8% — valor superior aos 1,26% da semana passada.

Gouveia e Melo “tem um alcance passivo altíssimo. As pessoas param para ver os seus vídeos — retenção –, mas interagem menos — gostos/comentários — porque o seu conteúdo é consumido como ‘comunicado oficial’ e não como ‘diálogo’, aponta Ricardo Lopes.

“Na semana final, ele capitalizou o apoio de figuras como o Presidente da Câmara de Quelimane, em Moçambique, Manuel Araújo, e de dissidentes do PSD, tentando usar o Facebook para mostrar que é o ‘Presidente de todos’ contra a ‘casta política'”, analisa ainda.

Analisando as duas semanas, em cada rede social, um destaque diferente. No Facebook, é a visita à Feira Gastronómica de Boticas que reúne 5,8 mil reações. No Instagram, é a ida às Galerias de Paris no Porto, com 11,1 mil gostos. Finalmente, no Tiktok, um apoiante a elogiar o papel de Gouveia e Melo na pandemia — 68,2 mil visualizações.

Catarina Martins

Catarina Martins “cresceu 25,4% em seguidores, focando-se na humanização. Contudo, enfrenta alta polarização, com muita interação negativa fora da sua bolha”. Mesmo assim, a sua taxa de interação aumentou de 0,76% para 4,4% e alcançou cerca de duas milhões de pessoas esta semana.

Ricardo Lopes nota que a candidata apoiada pelo BE “apostou no storytelling de proximidade — o ‘cuidado’. No entanto, os dados de monitorização mostram que o seu conteúdo sofre o que chamamos de baixa porosidade: é extremamente eficaz dentro da sua “bolha de esquerda”, mas o algoritmo de 2026 identifica uma alta taxa de ‘rejeição ativa’ –utilizadores que clicam em ‘não mostrar mais'”.

No Facebook e Instagram, é o excerto do debate que juntou todos os candidatos que domina as interações das duas semanas — 2,4 mil no Facebook e 10,5 mil no Instagram. No Tiktok, é o apelo a donativos, com 39,4 mil visualizações.

António Filipe

O candidato apoiado pelo PCP mantém como destaque no Facebook o post de apoio do realizador João Botelho à candidatura — 3,2 mil reações. No Instagram, é um carrossel com declarações de trabalhadores por turnos, com 5,7 mil gostos. O candidato não conta com TikTok.

Com 23,3% de eficiência — valor igual à semana passada –, Ricardo Lopes aponta que “a sua rede é puramente orgânica. As suas mensagens são replicadas por uma base que atua como um exército, garantindo que o seu conteúdo atinge o público-alvo sem precisar de grande investimento publicitário”.

O growth director da Samy explica que, “enquanto outros pagam para ser vistos, António Filipe é carregado ao colo pela sua base. A sua performance digital não é baseada em tendências, mas em princípios e militância. Nesta semana, o seu foco na transparência e no combate à mentira’ gerou uma onda de partilhas em grupos de Facebook, que os radares públicos de alcance nem sempre captam totalmente”.

Jorge Pinto

Finalmente a subida da semana, com um “recorde absoluto de 41,2% de engagement“, face os 19,6% na semana passada. No TikTok, o seu comentário da semana passada sobre a Venezuela atingiu 163,5 mil visualizações. Já no Instagram, este vídeo contou com 39,7 mil gostos. No Facebook, continua a destacar-se a resposta a André Ventura durante o debate de todos os candidatos na RTP, com 3,2 mil gostos.

Ele não comunica para seguidores, comunica para militantes digitais. Cada post seu é desenhado com uma estética impecável que convida à partilha identitária. Na reta final, a sua estratégia de ‘voto livre’ em vez de ‘voto útil’ ressoou fortemente com a geração Z, que valoriza a autenticidade sobre o pragmatismo”, analisa Ricardo Lopes.

André Pestana

O excerto de debate mantém-se o post de destaque da campanha de André Pestana. O vídeo em que questiona os subsídios milionários do Chega, conta com 3,4 mil reações no Facebook, 6,6 mil gostos no Instagram e 58,8 mil visualizações no TikTok.

Manuel João Vieira

Já Manuel João Vieira, com presença apenas no Facebook e Instagram, mantém a fotografia do debate como destaque da campanha. A publicação gerou 15 mil interações e 32,5 mil gostos, respetivamente. Ao longo da semana, alguns vídeos rivalizaram com esta publicação.

Humberto Correia

Finalmente, Humberto Correia, continuou a não apostar nas redes sociais para a sua campanha presidencial, com a publicação com mais interações no Facebook com 12 reações e no Instagram, com 26 gostos.

As menções no digital

Depois de analisadas as redes sociais dos candidatos, qual foi o volume de discussão online que os mesmos geram fora desses espaços? André Ventura volta a dominar o volume de earned conversation durante a semana de 12 a 25 de janeiro. Cotrim de Figueiredo sobe ao segundo lugar e Luís Marques Mendes completa o top 3.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

André Ventura é o candidato cujas menções também atingem um maior alcance — 27,98 milhões –, seguido por Marques Mendes, com 9,66 milhões, e Cotrim de Figueiredo com 7,75 milhões. Catarina Martins é a que acaba por ter a menor plateia entre os oito principais candidatos, com 1,13 milhões.

No acumulado das duas semanas, volta a destacar-se André Ventura, com 4.100 menções com um alcance de 51,33 milhões. Cotrim de Figueiredo — 1.430 menções com alcance de 12,39 milhões — e Marques Mendes — 977 menções com alcance de 26,88 milhões — completam o top 3. Gouveia e Melo, apesar de ter apenas 466 menções, consegue atingir 17,1 milhões, valor superior ao de Cotrim. Catarina Martins termina a corrida com o pior número de menções e alcance — apenas 138 menções e 3,31 milhões de alcance.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Metodologia

O levantamento pelo +M/ECO da publicação destacada por rede teve como base uma análise às redes sociais dos candidatos realizada entre as 12h40 e as 15h30 do dia 16 de janeiro, com foco nas reações no Facebook, gostos no Instagram e visualizações no TikTok.

A análise de performance de social media feita pela Samy para o +M teve como base as redes sociais em que os candidatos estavam presentes, nomeadamente Facebook, Instagram, LinkedIn, TikTok, Youtube e X. O período de análise foi entre 12 e 15 de janeiro, comparando com a anterior análise realizada entre 4 e 11 de janeiro. Alguns candidatos não possuem contas em todas as redes anteriormente mencionadas.

Por sua vez, a análise de earned conversation feita pela Samy considera as menções feitas aos candidatos no digital, incluindo redes sociais, blogs, fóruns, entre outros — excluindo as redes dos próprios candidatos. O período de análise foi também entre 12 e 15 de janeiro e o acumulado foi entre 4 e 15 de janeiro.

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